Archive for dezembro \31\UTC 2006

Bom 2007 !

dezembro 31, 2006

Caros  Leitores,

Gostaria de desejar a cada um de vocês um excelente 2007, com muita Paz, Saúde e Felicidade (o resto a gente corre atrás, como diz a sabedoria popular) !

Nos primeiros dias de janeiro de 2007 estarei comentando uma pesquisa inédita (e única do gênero) no Brasil, e que tive a oportunidade de idealizar em 2001.  Trata-se dos Indicadores de Tecnologias de Informação e Comunicação de Pernambuco- ITIC, apontando o desempenho desta nova indústria (e serviços associados) no Estado de Pernambuco entre os anos de 1998 e 2005. 

Até lá !

Despedida do Governo do Estado

dezembro 28, 2006

Caros Leitores,

No dia de hoje estarei comemorando minha despedida do Governo do Estado de Pernambuco.  De forma geral, estarei encerrando um ciclo de 8 (oito) anos de uma experiência muito interessante que é a de ser um acadêmico (embora licenciado da UFPE, não deixei de cumprir minhas obrigações de ensino ao longo de todos estes 8 anos) no governo.

Entrei no Governo de Pernambuco em 1999, convidado pelo meu amigo Cláudio Marinho (então designado Secretário de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente), para ser o Presidente da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco- Facepe

Entre 1999 e 2002 tive a oportunidade de conhecer um Pernambuco que não conhecia.  Na realidade, como disse no meu discurso de despedida daquela instituição, fiz um novo PhD sobre Pernambuco.  Contratei várias pesquisas para radiografar melhor a Economia e a Sociedade Pernambucanas (alguns se tornaram livros), levei à frente novos projetos (Genoma, Fundo de Capital Humano, entre tantos), e ajudei a introduzir a Cultura da Tecnologia e da Inovação no contexto de uma instituição onde predominava a Cultura da Ciência.  Os números da Facepe estão no seu site para que todos vejam.

Mas acima de todas estas tarefas, tive a feliz oportunidade de ajudar a criar, junto com o Secretário Cláudio Marinho, os primeiros alicerces de uma nova política de ciência, tecnologia e inovação que vai deixar um importante (acredito) legado para Pernambuco.

A partir de 2003, tive a oportunidade (à convite do então reconduzido Secretário Cláudio Marinho, do então re-eleito Governo Jarbas Vasconcelos) de ser Secretário-Adjunto de Ciência e Tecnologia de Pernambuco, com agora um novo nome: Secretário Executivo de Tecnologia, Inovação e Ensino Superior.

Ao longo destes últimos 4 (quatro) anos aprendi o que é a máquina do Governo no seu topo.  Convivi, com o que se chama no jargão governamental, com a administração direta nos seus mais variados níveis.  Acompanhei de perto a consolidação da política de ciência, tecnologia e inovação (bem como aquelas de Meio-Ambiente e Recursos Hídricos) que havíamos estruturado no primeiro Governo Jarbas.

No dia de hoje (28/12/2006), ao apresentar a “Consolidação dos Resultados da SECTMA entre 1999 e 2006” ao novo Secretário Aristides Monteiro Neto, sinto que cumpri a minha missão junto ao povo pernambucano, dando oito anos de minha vida para contribuir para o avanço da Ciência, da Tecnologia e da Inovação em nosso Estado.

Continúo nas minhas atividades acadêmicas, mas também passo a contribuir para duas novas iniciativas para as quais penso em dedicar, daqui para frente, um bom esforço da minha capacidade produtiva e intelectual. 

A primeira é a CREATIVANTE.ORG, uma entidade sem fins lucrativos que visa estimular, Ativar (na realidade) a Criatividade dos pernambucanos, nordestinos, brasileiros como um todo, mas fundamentalmente estudantes universitários (ou secundários) que estejam interessados na geração de riqueza, do mesmo modo em que estão interessados na criação de conteúdos voltados para as chamadas Indústrias (e Serviços) Criativos.

A segunda é a CREATIVANTE.COM, um start up que visa levar à frente os aspectos mais dinâmicos da Economia Criativa que começa a ganhar corpo aqui no Estado de Pernambuco, e para a qual buscarei contribuir com insights econômicos os mais inovadores possíveis (este blog é parte central desta iniciativa).

Projeções Econômicas para 2007 (2)

dezembro 27, 2006

No post (1) destas projeções econômicas para 2007 apontamos vários links de instituições que fazem análises econômicas globais, cada uma com sua ênfase.  No geral, o que podemos depreender é que o mundo como um todo entrará em 2007 sem turbulências, com um crescimento econômico que vai variar, em média, entre 1,5 a 3,5% em relação à 2006 (a exceção regional é a Ásia, que crescerá, pelo previsto, acima desta média), e com uma inflação internacional em níveis muito baixos; enfim, nada de mudanças significativas à vista.

Quando olhamos para o caso do Brasil, o cenário é de incertezas.  As projeções mais interessantes que surgiram no contexto das informações econômicas mais facilmente disponíveis, são aquelas que foram divulgadas pelo jornal Valor Econômico, em sua edição de 04/12/2006.  O título foi sugestivo: “Mais do mesmo“.  A chamada em letras capitais era: “Apesar da melhora dos indicadores, o Brasil ainda sofre com desequilíbrios como juros altos e gastos governamentais exponenciais.  Isso trava o investimento e o PIB não deslancha“.

Isso já está se tornando um fenômeno cultural da vida nacional.  Nos últimos 25/26 anos a taxa média de crescimento do PIB brasileiro foi de 2,6% ao ano, o que contrasta fortemente com a taxa média de crescimento recente de países emergentes (como China e India) e com a própria do Brasil entre 1950 e 1980, que foi de 7,2% ao ano.  

O que aconteceu de 1980 em diante é motivo de muita pesquisa entre os economistas.  Gosto muito de apresentar aos meus alunos um gráfico (abaixo) que o Prof. Edmar Bacha (um dos pais do Plano Real) apresentou numa sessão do Congresso Nacional em 2004, e que o motivou a escrever alguns trabalhos desde então, a este respeito, para o Instituto de Estudos de Política Econômica, o conhecido ninho dos economistas tucanos (ou a Casa das Garças). 

 Bacha 

Como pode ser visto no gráfico, desde 1980 o crescimento econômico do Brasil perdeu o vigor da sua trajetória que marcou os anos entre 1950 e 1980, e os brasileiros, de duas gerações, passaram a conviver com o que chamamos hoje de trajetória “stop and go”, ou mais popularmente, o denominado “vôo da galinha”.  Em outras palavras, o crescimento econômico brasileiro deixou de ter uma trajetória de longo prazo que seja sustentável. 

Várias têm sido as razões apontadas.  As que prefiro registrar são, fundamentalmente, os problemas relacionados com a nossa produtividade total dos fatores- ptf.  Sem que seja necessário entrar em maiores detalhes neste momento, apenas apresento um slide meu (abaixo) que considero auto-explicativo.  Para uma economia crescer, é necessário crescer a produtividade total dos fatores (crescer os insumos também, mas melhorias na ptf significam muito mais), que nada mais é do que a intensificação do uso de tecnologias e a melhoria da qualidade da educação.  Enquanto não fizermos isso, vamos continuar nos nossos “vôos de galinha” por muitos anos.

Portanto, 2007 ainda será um pouco mais do mesmo que nós estamos vivenciando há algum tempo !

PTF

Projeções Econômicas para 2007 (1)

dezembro 26, 2006

Esta é uma ocasião especial; nela revemos o que aconteceu no ano que está quase se tornando passado e tentamos imaginar o que poderá acontecerá nos próximos, fundamentalmente o que está para chegar.

Para aqueles mais ligados nas estatísticas mais gerais do que pode rolar no globo, nada melhor do que uma olhadela nos Outlooks que agências como o FMI, o Banco Mundial e a OECD preparam todos os anos.  Com relação ao FMI, o leitor pode encontrar interessantes observações no World Economic Outlook 2006: Financial Systems and Economic Cycles, publicado em setembro deste ano.  A OECD divulgou em novembro seu OECD Economic Outlook 2006.

Uma opção que deve entrar na agenda de qualquer observador deste século 21, é a agenda que vem da Ásia.  Neste espírito, nada melhor do que prestarmos mais atenção aos outlooks do Asian Development Bank.   O Asian Development Outlook 2006  já representa a décima oitava edição deste importante relatório, que cobre análises econômicas de 43 países da Ásia e do Pacífico.

Já o Banco Mundial acaba de publicar o Global Economic Prospect 2007: Managing the Next Wave of Globalization.  De acordo com este documento, a Globalização pode estimular um crescimento da renda média mais rápido nos próximos 25 anos do que foi durante os anos 1980-2005, com os países em desenvolvimento tendo um papel central.  No entanto, adverte, que se não for cuidadosamente gerenciado, este crescimento pode vir acompanhado pelo crescimento da desigualdade de renda, e por potenciais pressões ambientais.

Em termos mais práticos,  The Economist todo mês faz uma pesquisa entre um grupo de forecasters (empresas que habitualmente fazem projeções econômicas) e calcula a média de suas projeções para algumas variáveis importantes, tais como crescimento econômico, inflação, balanço da conta-corrente, para 15 países e para a área do Euro, moeda européia.  A tabela mais recente (abaixo, de 07/12/06) mostra os mais altos e mais baixos níveis para o crescimento.

Os especialistas em projeções prevêem que tanto o crescimento quanto a inflação nos EUA serão um pouco menores em 2007 do que eles imaginavam um mês atrás: o PIB crescerá em torno de 2.2% e os preços aos consumidor ficará em torno de 2.1%.

Eles estão menos otimistas sobre o crescimento da França este ano (caindo para 2.1%, vindo de 2.3%) e são mais “sanguinários” sobre as perspectivas da Alemanha em 2007 (crescimento de 1.5%, vindo de 1.4%). Eles acham que o grande déficit da conta-corretne da Espanha ficará em tonro de 8% do PIB no próximo ano, quando comparado com as projeções do mês passado em torno de 7.8%.

Economist

Previsões de TIC’s para 2007

dezembro 22, 2006

Estamos no final de um ano cheio de mudanças e mais um ano se avizinha com promessas de mais mudanças nos negócios de TIC’s.  As únicas coisas que parecem não mudar facilmente são os grandes players do mundo das TIC’s e a alta carga tributária brasileira !

Uma dica de previsões me foi passada pela minha amiga e especialista em Engenharia de Vendas de Software, Aisa Pereira.  As previsões são as seguintes:

As empresas assumem a plataforma de negócios SaaS -Software as a Service

Depois de anos de um sucesso “underground”, SaaS passou a se tornar conhecida em 2006.  Unindo-se aos pioneiros Salesforce.com, NetSuite, e outros, Oracle Corp. , Business Objects SA, Informatica Corp. (para nominar alguns) anunciaram novas ofertas de SaaS ou expandiram os existentes serviços on-demand.

Se a “SaaSificação” alcançou um enorme sucesso mainstream 2006,  ela irá certamente se desenvolver em uma legítima instituição ao longo dos próximos anos.  A International Data Corp. (IDC) lista o crescimento e a adoção de SaaS como uma das grandes tendências a se observar em 2007, e que o Gartner Group diz que SaaS está inclinado a uma enorme expansão: crescendo de somente 5% das receitas de software em 2005, para um total de 1/4 das receitas de software em 2011.

Google

A Saasificação do software em empresarial irá impactar fortemente na estrutura de poder dos atuais big players do setor de software mundial (tais como IBM Corp., Microsoft Corp., Oracle Corp., e SAP AG).

Mas uma outra ameaça para o atual status quo do software empresarial- pelo menos para o software empresarial centrado na Microsoft- é a emergência do gigante dos serviços de busca Google Inc. como uma potencial empresa power player. 

Mainframe crescendo como nos seus 1979’s

2006 foi o ano de ressurgimento dos mainframes.   A IBM que o diga !  2007 promete ser melhor ainda.

O “Greening” das TIC’s

Como o termo greening tem um significado de preocupação com o verde (a consciência ambiental), temos uma outra tendência emergente (atrelada ao ressurgimento dos mainframes) que é aquela relacionada às questões dos requerimentos de energia, refrigeração, e espaço para data center que afloraram em 2006, no bojo de uma elevação dos custos de energia e do crescimento do consenso sobre a realidade do aquecimento global.

Outras

Além destas previsões, o Gartner apresentou suas 10 previsões para 2007 e adiante, as quais foram registradas na Computerweekly.  São elas:

Vista será o último grande lançamento da linha Microsoft Windows.  A próxima geração de ambientes operacionais serão mais modulares e serão upgraded incrementalmente (a segunda das previsões);

A era de entrega monolítica releases de software está perto do fim.  A Microsoft será um player visível neste movimento, e o resultado será updates mais flexíveis para o Windows e para um novo foco em qualidade como um todo;

No fenômeno dos blogs, a comunidade de blogueiros irá atingir um peak na metade de 2007 em torno de 100 milhões de aficcionados;

Em 2009 a corporate social responsibility (CSR) será uma das maiores prioridades, no nível dos executivos, muito mais do que no cumprimentos de normas regulatórias;

No final de 2007 75% das empresas estarão infectadas com não-detectados, financeiramente motivados, target malware (nome dados a tudo que implique em infecção);

Lá por 2010 os custos totais de propriedade de novos PC’s irão cair 50%;

Por volta de 2011 as empresas estarão dispendendo 53 bilhões de libras esterlinas em tecnologias e serviços de rede errados;

E em 2008 perto de 50% dos data-centers do mundo inteiro não terão a energia e a capacidade de refrigeração para suportar uma maior intensidade de equipamentos.

Outras dicas podem ser encontradas nos blogs abaixo:

http://dondodge.typepad.com/the_next_big_thing/2006/12/2007_prediction.html

http://www.readwriteweb.com/archives/2007_web_predictions.php

Modelos de Crescimento Econômico (6)

dezembro 20, 2006

Aghion novo2 

A maioria das teorias de distribuição da renda per capita entre os países sugere que todos os países compartilham da mesma taxa de crescimento econômico de longo-prazo.  No entanto, os registros históricos apontam que as taxas de crescimento podem diferir substantivamente entre os países por longos períodos de tempo.  Estimativas apontam que o hiato do PIB per capita entre países ricos e pobres cresceu mais de 5 vezes entre 1870 e 1990.

A “grande divergência”  entre países ricos e pobres continuou através do fim do século 20. Apesar de muitos estudos mostrarem que um grande grupo de países ricos e de renda-média está convergindo para caminhos paralelos ao longo dos últimos 50 anos ou mais, o hiato entre estes países como um todo e os países muito pobres como um todo, tem continuado a se ampliar.

A Tecnologia parece ser o fator central por trás desta divergência.  Esta divergência parece refletir as diferenças duradouras nas taxas de progresso tecnológico entre os países examinados.   Isso toma uma caraterística inquietante quando se considera a possibilidade de transferência internacional de tecnologia e as “vantagens dos retardatários” que ela confere aos “tecnologicamente atrasados”.

Em outras palavras, quanto mais um país fica atrás dos líderes mundiais de tecnologia, mais fácil fica para aquele país progredir tecnologicamente simplesmente por implementar novas tecnologias que já foram descobertas em outros lugares.  Eventualmente esta vantagem deveria ser suficiente para estabilizar o hiato proporcional que o separa dos líderes. 

Isto é o que acontece nos modelos neoclássicos (modelos exógenos, aqui já apontados) que assumem que a transferência de tecnologia é instantânea, e mesmo em modelos onde as tecnologias desenvolvidas na fronteira não são “apropriadas” para países mais pobres, em modelos onde a transferência de tecnologia pode ser bloqueada por interesses especiais, e em modelos onde um país adota instituições que impedem a tranferência de tecnologia.

O texto aqui examinado (“The Effect of Financial Development on Convergence: Theory and Evidence“, de Philippe Aghion, Peter Howitt, e David Mayer-Foulkes”), e que deu margem ao sexto esquema visual, explora a hipótese de que restrições financeiras previnem países pobres de obterem vantagens integrais da transferência de tecnologia, e que isto é o que causa alguns deles divergirem da taxa de crescimento da fronteira mundial.   Ele introduz as restrições de crédito em uma versão multi-países de uma Teoria de Crescimento Schumpeteriano com transferência de tecnologia, e mostra que este modelo implica numa forma de “clube de convergência” consistente com amplos fatos acima apontados. 

Ou seja, em teoria países acima de algum limite de patamar de desenvolvimento financeiro irão todos convergir para a mesma taxa de crescimento econômico de longo-prazo (mas não geralmente para o mesmo nível de PIB per capita), e aqueles abaixo deste limite terão taxas estritamente mais baixas de crescimento de longo-prazo.

Neste modelo existem três componentes importantes.  Primeiro, ele começa com o reconhecimento que a transferência de tecnologia é custosa.  Segundo, assume que como a fronteira tecnológica global avança, o tamanho do investimento requerido somente para manter a inovação no mesmo passo que antes, cresce em proporção.  E terceiro, existe um problema de “agência” (em Economia isso está ligado a uma questão de informação assimétrica, entre aquele interessado em uma ação econômica, o Principal, e aquele que a implementa, o Agente) que limita o acesso de um inovador à finanças externas.

O esquema visual idealizado introduz um enxerto (extraído de outro texto de Howitt aqui tratado), já que exatamente neste ponto se percebe a conexão de argumentos que os autores fazem nos os dois trabalhos, ao tratarem da questão da superação de deterninados níveis de habilidades das pessoas nos paíeses em análise.

Este é um texto de extraordinária elegância e mostra como os autores foram inovadores ao associarem a Economia Real à Economia Financeira (Monetária) através da Tecnologia.  Imperdível !

Modelos de Crescimento Econômico (5)

dezembro 18, 2006

InovaçãoInovação 2Inovação 3

            (1)                             (2)                            (3) 

Estes (3) três esquemas visuais (na sequência lógica da esquerda para direita) são aqueles que considero dos mais interessantes sobre os textos de inovação da atualidade.  Tratam de um novo olhar sobre a questão da competição e da inovação.  O texto que foi analisado é um texto complexo e requer um forte poder de síntese, de modo a se extrair sua essência.

O quarto texto explorado (“Competition and Innovation: an Inverted U Relationship”) foi desenvolvido por Philippe Aghion, Nicholas Bloom, Richard Blundell, Rachel Griffith, e Peter Howitt, e foi tornado público na página do Prof. Aghion em 21 de setembro de 2002.  Ele assinala uma competente incursão dos Profs. Aghion e Howitt nos aspectos microeconômicos da inovação.

O texto se inicia destacando que os economistas historicamente têm estado interessados  no relacionamento entre competição de mercado por produto e inovação.  Ambas áreas teóricas da organização industrial e mais recentemente as literaturas de crescimento endógeno tratam esta questão.  A teoria padrão da organização industrial prevê que inovação deva declinar com competição, à medida que mais competição reduz as rendas de monopólio que premiam os inovadores de sucesso. 

No entanto, alguns trabalhos empíricos têm apontado para uma correlação positiva entre competição de mercado por produto e produto inovativo.  Vários enfoques teóricos têm sido usados numa tentativa de reconciliar o paradigma schumpeteriano com a evidência oferecida nestes estudos, gerando várias previsões tais como a forma da relação entre a competição de mercado por produto e inovação.

Um destes enfoques (liderado por trabalhos de Aghion e Howitt principalmente) estende o modelo schumpeteriano básico ao permitir que as empresas incumbentes inovem.   Nestes modelos os incentivos à inovação dependem não somente das inovações a posteriori per se, mas muito mais das diferenças entre as rendas pós e pré-inovações (estas últimas são consideradas iguais a zero no modelo básico onde todas as inovações são feitas por  outsiders-de fora).

Neste caso, mais competição de mercado por produto pode terminar estimulando inovações e crescimento, já que pode reduzir as rendas pré-inovação da empresa bem mais do que possa reduzir suas rendas pós-inovação.  Em outras palavras, a competição pode aumentar os lucros incrementais de inovar, e, portanto, encorajar investimentos voltados a “escapar da competição”.

Todo o processo pelo qual o texto trata a relação da competição de mercado por produto disparando inovação, bem como os prognósticos gerados no modelo, são de alguma forma retratados nas Figuras 5 (a), 5(b) e 5(c) acima apresentadas.

Modelos de Crescimento Econômico (4)

dezembro 18, 2006

Tipos de Investimento

O quarto esquema visual aqui apresentado diz respeito à trajetórias de investimento tecnológico nas economias contemporâneas.  Se antes crescimento econômico não levava tanto em consideração as questões da tecnologia, hoje a forma como as empresas, e as nações em geral, definem seus investimentos tecnológicos, é a chave para o asseguramento de padrões elevados de riqueza e de renda. 

Um terceiro texto analisado para o desenho de esquemas visuais, foi aquele desenvolvido por Peter Howitt e David Mayer-Foulkes, intitulado “R&D, Implementation and Stagnation: A Schumpeterian Theory of Convergence Clubs”,  publicado na página da Internet do National Bureau of Economic Research-NBER, como um texto de trabalho em agosto de 2002. 

Os autores introduzem o texto com uma série de evidências que apontam para o fato de que a distribuição da renda per capita entre os países tem aumentado dramaticamente desde o século 19.  Eles apontam ainda que um grande número de estudos tem mostrado que as amplas diferenças que têm emergido são em sua maioria atribuídas a diferenças em produtividade mais que às diferenças em escolaridade e acumulação de capital invocados pela teoria neoclássica do crescimento.  Estes estudos sugerem fortemente que o principal fator debaixo das disparidades crescentes de renda entre os países é tecnologia.

No entanto, como apontam Howitt e Mayer, há um grande problema a ser enfrentado por qualquer explicação tecnológica da divergência.  Especificamente, alguns estudos mostram que um amplo grupo de países tem convergido para um caminho de crescimento paralelo ao longo dos últimos 50 anos.  A tendência à convergência entre países ricos é fácil de entender como uma manifestação de transferência de tecnologia.  Mas que força estava se opondo à transferência tecnológica de modo a produzir a divergência tecnológica que tomou lugar ao longo do período que se inicia na metade do século 19 ?  E por quê esta força parou de funcionar durante a segunda metade do século 20 ?

Além do mais, este grupo moderno de convergência não inclui todos os países.  Em particular, o hiato entre os países líderes como um todo e os países mais pobres como um todo continuou a aumentar através da segunda metade do século 20.  Isto faz emergir uma questão maior do porquê as forças que trouxeram um fim à divergência entre os países de renda média e alta não trouxeram um fim à divergência entre os países muito ricos e os muito pobres.

Deste modo, o propósito deste texto é mostrar como estas questões podem ser enfrentadas por uma moderna teoria de crescimento schumpeteriana.  Ao contrário de outros textos de Howitt, e de seu livro escrito com o Prof. Aghion já citado, este lida com  o fato de que diferentes países têm usado diferentes estratégias para se conectarem à Fronteira Tecnológica Global-FTG.   Nesta, apenas uma pequena quantidade de países desenvolve P&D na fronteira do conhecimento.  Em 1996, por exemplo, 5 países davam conta de mais de 80% do investimento formal mundial em P&D, e 11 respondiam por um total de mais de 95%.

De acordo com Howitt e Mayer, para dar conta do desempenho dos países muito pobres se faz necessário ter um modelo, em que um país que investe em mudança tecnológica pode ter uma taxa  de crescimento de longo-prazo que seja positiva, mas estritamente menor do que a taxa de crescimento dos países líderes, apesar do fato de que a transferência exercer constantemente uma força em direção à convergência paralela.

Para tanto, o modelo leva em consideração duas características centrais da mudança tecnológica.  Primeiro, é feita a distinção entre dois tipos de investimento tecnológico, correspondentes a diferentes estratégias que países têm para conectar à fronteira tecnológica global, nominadamente, os modernos P&D e implementação.  A segunda característica levada em consideração é que a habilidade de um país em adquirir as competências usadas intensivamente em investimento tecnológico depende do seu nível de desenvolvimento, relativamente à fronteira tecnológica global da qual ele retira novas idéias.

De forma sintética, na opinião dos autores do texto a introdução dos modernos P&D foi a força fundamental por trás da emergência das grandes disparidades de renda.  Funcionou através da criação de uma mudança fundamental na evolução dinâmica das diferenças de produtividade global, resultando em três grupos distintos de países.  A Figura 4 acima expressa, de forma condensada, os aspectos mais salientes deste modelo.

Modelos de Crescimento Econômico (3)

dezembro 18, 2006

Aghion 2 

Um terceiro esquema visual pode ser obtido no mesmo texto do Prof. Philippe Aghion apresentado no post “Crescimento Econômico (2) “, intitulado “Schumpeterian Growth Theory and the Dynamics of Income Inequality”.

Além daquilo que já havia sido apontado, outra constatação do Prof.  Aghion no texto referido é o de que enquanto o segundo enigma (que a desigualdade salarial também tem aumentado fortemente no interior dos grupos educacionais e de idade) tem sido pouco tocado pela literatura econômica até então, os economistas têm levantado várias explicações para o crescimento em desigualdade educacional dos salários, em particular: liberalização do comércio, dessindicalização, e mudança técnica viesada para habilidades (skill-biased technical change).

Depois de dar um breve relato das principais contribuições econômicas nestes três itens, o Prof. Aghion argumenta que isto é apenas o ponto de partida, já que precisamos entender o quê causou a aceleração da skill-biased technical change (particularmente a partir do final dos anos 70) e porquê ela também afetou a desigualdade salarial no interior dos grupos. 

A partir daí ele passa a enfrentar o primeiro enigma  (de que enquanto a oferta relativa de trabalhadores com nível superior tem aumentado visivelmente nos últimos 30 anos, a razão salarial entre graduados universitários e secundaristas tinha aumentado substantivamente em países como os EUA e o Reino Unido entre o início dos anos 80 e meados dos anos 90 d0 século passadoao analisar dois mecanismos de Crescimento Schumpeteriano, ambos os quais geram dinâmicas de desigualdade de salários entre grupos que refletem o que tem sido observado durante os últimos 20 anos de modo particular nos EUA e em UK.   O primeiro mecanismo enfatiza a relação entre a oferta de trabalho habilitado e a taxa de inovação endógena.  O segundo mecanismo é baseado na noção de Grande Mudança Tecnológica, com referência particular ao novo General Purpose Technologies in Communication and Information, que têm sido recentemente difundidas nas economias industrializadas. 

O segundo enigma é enfrentado na seção seguinte do texto, ao desenvolver  uma explicação teórica que combina Grande Mudança Tecnológica com Difusão Tecnológica.  Neste aspecto, o modelo apresentado enfatiza a aceleração na velocidade da difusão tecnológica e as melhorias de qualidade resultantes em equipamentos de capital, junto com a complementaridade entre habilidades e a adaptabilidade a novas tecnologias.

Modelos de Crescimento Econômico (conceitos)

dezembro 18, 2006

Antes de prosseguir na publicação destes esquemas visuais de modelos de crescimento, caberia um esclarecimento de dois conceitos fundamentais: o que significam os crescimentos exógeno e endógeno !

O crescimento econômico exógeno é um crescimento econômico de longo-prazo, a uma taxa determinada por forças que são externas ao sistema econômico.  Neste caso, os agentes econômicos (empresas e consumidores) consideram que a tecnologia disponível para as empresas não é afetada pelas ações das empresas, incluindo Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). 

Já o crescimento econômico endógeno é um crescimento econômico de longo-prazo, a uma taxa determinada por forças que são internas ao sistema econômico, particularmente as forças governando as oportunidades e os incentivos para a criação de conhecimento tecnológico. 

Os modelos aqui discutidos tratam de ambas formas de crescimento.  O objetivo da apresentação destes modelos é o de mostrar ao leitor que existem nuances do crescimento econômico de longo-prazo que necessitam ser observadas, para que não se acredite que o crescimento econômico é algo que dependa de “um ato de vontade” do “governo de plantão”, ou de apenas algumas variáveis econômicas que possam “manipuladas”.


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