Archive for janeiro \31\UTC 2007

Telemar e Velox: duas vergonhas nacionais !

janeiro 31, 2007

Você andou precisando instalar sua banda-larga na região do Nordeste do Brasil nos últimos tempos ?  Se andou, você deve estar plenamente consciente que se depender destas duas empresas você estará literalmente numa grande roubada !  Se precisar delas, meu conselho é muita paciência e fé de que algum dia, no futuro, o país poderá dar certo (no presente, pode esquecer !), caso as comunicações nacionais venham a melhorar algum dia.

Pois bem; eu solicitei uma linha comercial à Telemar no dia 29/12/2006.  Esta linha só me foi instalada no dia 12/01/2007, depois de muitos apelos telefônicos.  As desculpas (dadas por pessoas sempre no Rio de Janeiro) eram as mais esfarrapadas possíveis.  O drama começou quando decidi solicitar à Velox uma conexão banda-larga.  Na hora de captar o cliente (o otário escriba !), você é tratado como Rei: “Senhor nós temos a melhor opção do planeta Terra para o Senhor; não precisa pagar isso, não precisa isso, nem aquilo, etc.  E aí, pronto: você está “rede” (no sentido popular do peixe capturado !).

Quando você faz uma perguntinha simples: quando é que posso instalar (depois de recebido o equipamento “gratuito” de um provedor que eles indicam) o equipamento para obter o sinal ?  Aí começa a sua chateação !  O “enrolation”  que você recebe dos funcionários da Telemar, ou da Velox, é algo que chega às raias do patético.  Depois de você dar todos os seus dados para o primeiro atendente ao telefone, você é repassado para um segundo atendente, que depois de ouvir seus dados, passa para um terceiro atendente, que passa depois para um quarto atendente.  Este último (na escala de “saco” que você se permite aguentar) lhe diz que dentro de cinco dias seu sinal será acionado.

Você aguarda os tais cinco dias e telefona novamente.  Um primeiro atendente pede seus dados, depois passa para um segundo atendente.  Quando chega no quarto ou quinto, mais uma vez sua paciência começa a ir embora, e eis que você recebe a informação de que o seu sinal agora virá em quinze dias.  Você pacientemente pergunta o porquê e recebe um rol de desculpas sem qualquer sentido lógico, e assume que tem que agora aguardar os tais quinze dias, a partir da data em que você está telefonando.

Hoje, depois de dezenove dias ligando diariamente para saber do meu sinal Velox, liguei mais uma vez e fui informado que a Velox está com 300 mil ordens de serviço atrasadas, e, que portanto, eu terei que esperar ” quinze dias” até que estas 300 mil ordens de serviço sejam instaladas na região de atuação da Velox !

Em resumo: a quem devo apelar ?  Aos Presidentes da Telemar ou da Velox ?  Ao Presidente da Anatel ?  Ao PROCON ?  Ao Presidente desta p…. de país ?  Ao Papa ?

Enfim, eis aí uma das centenas de razões pelas quais o Brasil cresce como “rabo-de-cavalo”: para trás, lento, e para baixo !

PS: ante-ontem liguei para um conhecido na Telemar para ver se algo poderia ser feito.  Pois bem: estou ainda hoje sem banda-larga !  E olhe que eu estou instalado na área do Porto Digital !

As 10 Cidades Mais Tecnológicas (dos EUA !)

janeiro 30, 2007

Uma das revistas que eu acho das mais interessantes é a americana WIRED, que você pode acessar aqui.    Há muitos anos que sou seu leitor, e pelo menos há uns 3 anos sou assinante da revista impressa (demora um pouquinho para chegar, mas vale a pena !).  Apesar da minha edição de janeiro ter chegado semana passada, só ontem é que pude dar uma geral nela, e pude constatar (além da matéria principal, intitulada “Além do corpo: a Ciência do Aprimoramento Humano”) uma matéria sobre as 10 cidades americanas mais tecnológicas.

No interior da revista o título é outro: “Best Geek Cities” (As Melhores Cidades de Geeks – que é uma nova denominação para as pessoas fissuradas em conhecimento e em imaginação).  Eu mesmo divulguei no ano passado 3 slides em palestras minhas sobre o que a revista Wired considerava por geek (ver figura 1 abaixo), e onde eu fazia um contra-ponto dos geeks americanos da revista (Figura 2) e os geeks que eu nominava para o Brasil (Figura 3).

Figura 1

Geek1

Figura 2

 Geek2

Figura 3

Geek3

No caso da escolha da revista, eles falam que usaram uma metodologia científica, bem como algoritmos usados pela NASA e o Google, para chegar às tais 10 cidades.  Os critérios envolveram variáveis tais como proximidade de “top” escolas de engenharia, empregos tecnológicos, acessibilidade de Wi-Fi gratuito, livrarias de livros cômicos per capita, e por ai vai.  Os nomes então escolhidos foram:  Seattle, San Francisco Bay Area, Los Angeles, Austin, New Yoork City, Boston, Pittisburgh, Washington DC, Raleigh-Durham e Orlando.

No Brasil algumas revistas procuram fazer algo equivalente, mas seria interessante ver, usando as variáveis da Wired, que cidades no Brasil seriam as nossas “10 top tech towns” !

Olha o Vista aí gente !

janeiro 29, 2007

O jornal Valor Econômico de hoje noticia que o Windows Vista chega amanhã às mãos do consumidor, em meio a uma festa em escala planetária, que contará com Bill Gates em pessoa. Como bem afirmado no jornal, o consumidor está no trono, mas o sucesso da empreitada depende muito de outro personagem, que há meses respira o Vista, mesmo longe dos holofotes: os fabricantes de computadores.
O jornal também faz uma importante ponderação que os fabricantes terão que considerar antes de ouvir “a moedinha tilintar no caixa”: será que os avanços do Vista, reconhecidos até pelos críticos mais ácidos da Microsoft, serão suficientes para fazer o consumidor trocar de equipamento ou, pelo menos, comprar o software na loja?
As respostas são variadas, mas pela matéria se nota um certo otimismo. Do meu ponto de vista, creio que o consumidor no Brasil será mais cauteloso do que se imagina. É obvio que aqueles de maior renda (que são poucos) se deixarão seduzir pelo encanto da sereia e irão desfrutar das novidades trazidas pelo novo sistema operacional sem grandes preocupações.
No entanto, a grande maioria dos consumidores observará, mesmo que intuitivamente, aquilo que chamamos em Economia dos “custos de mudança” (ver post intitulado SaaS III, no âmbito do conceito de Economia de Redes, divulgado aqui neste blog). Além disso, muitas das novidades do Vista se destinam a um ambiente já consagrado de uso extensivo de banda-larga, coisa que no Brasil anda na “Era do Neolítico” (a depender de operadoras de telecomunicação que andam a passo de tartaruga e tratam os clientes como os monopolistas descuidados os tratam: ou seja, com um perigoso desdém !).
Enfim, como diz o ditado “cautela e canja-de-galinha não faz mal a ninguém !”. 

Os Dez Mais dos Podcasts de Marketing

janeiro 25, 2007

Dando uma olhada no blog de Guy Kawasaki, deparei com uma interessante lista que ele preparou no dia 17/01/2007 (na realidade ele a reproduziu do blog Marketing Voices, de Jennifer Jones, um podcast semanal que discute como a mídia social – coisas como podcasts, blogs, vídeos on-line, etc –  está afetando estratégias e práticas de marketing) sobre os “Ten Top Marketing Podcasts” (Os Dez Mais dos Podcasts de Marketing). 

Esclarecendo, um podcast é um arquivo de mídia que é distribuído por subscrição (paga ou não) pela Internet usando syndication feeds (ou seja, é um formato de dados para alimentar usuários de informações com conteúdos atualizados) seja em aparelhos móveis (como celulares ou Ipod’s) ou em computadores pessoais.

Eis aí, então, a lista comentada (na realidade Kawasaki colocou 11 nomes).  Vale a pena entrar no Marketing Voices e ouvir o que esses caras têm a dizer:

  1. Seth Godin, marketing expert, author. States that all is the new big. People need to target audiences of 4 not 400. Told marketers he feels they have the biggest opportunity in at least thirty years to make an impact given social media.
  2. Robert Scoble, blogger and vice president of media development for PodTech. Talks about how blogging has evolved and why it is important for corporations to blog today.
  3. Peter Rojas, co-founder and editor of Engadget, one of the most popular blogs on technology today. Discusses the publication, its strategy and how to best contact editors for the publication.
  4. Phillip Bodzenta, director of global communications for Coke. Describes how Coke used bloggers to build audience during the World Cup. Shows pictures of bloggers at the World Cup.
  5. Sharon Wienbar, managing director, Scale Venture Partners (formerly BA Venture Partners) on what is hot/ not in social media venture investing.
  6. Pete Blackshaw, chief marketing officer of Nielsen Buzzmetrics, talks about how to measure social media.
  7. Steve Rubel, senior vice president of Edelman Public Relations. Speaks to how social media is impacting the practice of public relations.
  8. Dick Costello, chief executive officer of Feedburner. He speaks about how to get blogging and podcasting content is found and distributed.
  9. Bill Kircos, head of consumer and enterprise media for Intel. Describes how Intel implements social media programs, most specifically, podcasting.
  10. Kelly Wagman, head of customer relationship marketing for Juniper Networks. Talks about how Juniper used social media to build a community.
  11. Ross Mayfield, CEO of Socialtext, a wiki company. Describes wikis and how they are best used in marketing.

Um modelo Schumpeteriano de crescimento econômico: a tecnologia no epicentro (2)

janeiro 25, 2007

Vimos no post (1) deste título um modelo simples proposto por Peter Howitt (que assume destruição criativa) que pode ser visto em termos de duas relações de longo-prazo entre a taxa de crescimento econômico (g) e a quantidade de capital por unidade de trabalho (k).   Se por um lado nós temos uma relação que mostra o quanto de capital por unidade de trabalho a economia vai terminar no longo-prazo, dada uma taxa de crescimento econômico (curva SS), por outro temos outra relação que é a curva RR (Curva de Arbitragem de Pesquisa), que reflete os incentivos para fazer P&D.

Quais, então, seriam as implicações deste modelo em termos de política de defesa da concorrência (competição), de patentes, educação superior, globalização, revoluções tecnológicas e desigualdade salarial ?

A Competição é um instrumento para alinhar objetivos privados e sociais.  Dado um nível de competição, e na ausência de externalidades, os mercados devem produzir resultados socialmente eficientes, já que as empresas que não atendem aos interesses de seus consumidores eficientemente irão perder espaço para aquelas que o fazem. Por outro lado, a competição pode reduzir, ou mesmo destruir, o crescimento econômico de longo prazo.

Isto se dá porque, em muitos casos, o maior prêmio para um inovador de sucesso vem na forma de rendas de monopólio que uma empresa pode capturar ao aprender como ofertar algo que os seus concorrentes não podem, ou a custos que seus concorrentes não conseguem atingir.  O acirramento da competição irá reduzir a habilidade da empresa em capturar as rendas de monopólio, e, daí, vai desencorajar as inovações que são subjacentes ao crescimento de longo prazo. Isto é o que a Primeira Geração de Modelos Schumpeterianos previa (na Figura 1 do post 1 a competição puxa a curva RR para baixo, diminuindo o crescimento g).

Uma Segunda Geração de Modelos Schumpeterianos vem apontando para uma correlação positiva entre competição no mercado de produto (medida tanto pelo n° de concorrentes na mesma indústria, ou pelo inverso da participação no mercado ou indice de lucratividade) e o crescimento da produtividade, ou da inovatividade, no interior da empresa ou indústria.  Os novos modelos contêm uma variedade de canais pelos quais a competição pode, de fato, estimular crescimento econômico. 

O mais simples deles envolve barreiras à entrada.  Como estas elevam os custos de empresas “de fora” para introduzir novas tecnologias, elas reduzem os incentivos para desenvolver P&D, mudando para baixo a curva RR, e reduzindo a taxa de crescimento.  Logo, como competição é medida (inversamente) pelas barreiras à entrada, ela deve favorecer crescimento econômico. 

Outro canal é o papel dos custos de agência que permitem administradores operarem atividades econômicas em seus interesses e não para a maximização dos lucros dos proprietários.   Neste modelo cada empresa é controlada por um administrador que está interessado basicamente em minimizar esforços, mas ele deseja que a empresa permaneça solvente de modo a continuar a desfrutar os benefícios não-monetários do controle.  Uma vez que inovação demanda esforço, o administrador irá inovar somente quando for necessário para permanecer solvente.  Um aumento na competição reduz o fluxo de lucros da empresa e reduz o escopo para “abrandamento gerencial”, e força os administradores a inovarem mais frequentemente.  Segundo o economista inglês Hicks (1935), a competição estimula inovação por impedir os administradores de terem a oportunidade de desfrutar uma boa vida.

Um outro modelo leva em consideração não somente o nível absoluto dos lucros obtidos por um inovador de sucesso, mas os lucros incrementais: ou seja, a diferença entre os lucros de uma empresa que inova e de uma que não inova.  Ele demonstra que apesar de um aumento na intensidade da competição tender a reduzir o nível absoluto dos lucros efetivos por um inovador de sucesso, ela tenderá a reduzir ainda mais os lucros de um inovador sem sucesso.  Portanto, a competição pode ter um efeito positivo geral na taxa de inovação porque as empresas tentarão inovar de modo a “escapar da competição”.

Outro modelo é o de inovações fundamentais e secundárias.  Nele a sociedade se defronta com um trade-off entre se engajar em pesquisas fundamentais (básicas) que gerem as idéias que em última instância levam a novos produtos, e as pesquisas secundárias (aplicadas), ou desenvolvimento, que implementam o potencial criado pelas pesquisas fundamentais.  Como o produto das primeiras é mais difícil para as empresas privadas apropriarem, em comparação com as segundas, as primeiras serão sub-ofertadas na ausência do suporte governamental, no sentido de que uma realocação de pesquisa aplicada em direção à básica terá um efeito positivo geral na taxa de crescimento de longo-prazo. Um aumento na intensidade de competição irá certamente levar a tal realocação.

Política de Patentes

O progresso tecnológico requer que a propriedade intelectual seja protegida.  Se as patentes e leis de direitos autorais são tão frágeis de modo que as pessoas possam copiar inovações com pouco esforço ou penalidade, ninguém tem incentivo a inovar. 

No modelo schumpeteriano, a defesa de uma proteção muito rígida não é tão clara quanto possa parecer.    Se ela for severa, em alguns casos pode reduzir o passo geral de mudança tecnológica através do “efeito composição”.  Considere-se o exemplo de um mundo de muitas grandes indústrias, cada uma delas com duas empresas incumbentes, cada uma com sua tecnologia que é melhorada a cada momento por inovações aleatórias. A inovação acontece, em sua maior taxa, naquelas indústrias onde as duas empresas estão “neck-and-neck, i.e., onde as duas produzem usando a mesma tecnologia.

Isto ocorre porque o incentivo de escapar da competição pela inovação é maior nestas indústrias “neck-and-neck”, onde nenhuma pode exercer qualquer poder de mercado por causa da competição direta de um rival que está tecnologicamente no mesmo nível. Se as leis de patente fossem fragilizadas, o incentivo para inovar por parte de uma empresa com qualquer liderança dada seria embotado, mas a distribuição da fatia de liderança, do estado estacionário, mudaria.  Especificamente, mais empresas seriam forçadas a entrar na competição “neck-and-neck”, por causa do sucesso de uma rival em imitar sua capacidade tecnológica.

Logo, em algumas circunstâncias, um pouco de imitação sempre tem o efeito geral de elevar a taxa de crescimento de longo-prazo do progresso tecnológico da economia, e, portanto, da sua taxa de crescimento de longo-prazo.

Outra forma de ver essa questão, seria observar como uma política de enrijecimento do sistema internacional de proteção à patente no hemisfério Sul pode enfraquecer o incentivo em desenvolver P&D no hemisfério Norte. Admitindo um mundo em que os produtos atravessam ciclos; eles seriam inventados no Norte, onde seriam primeiramente produzidos, mas alguém inventa uma maneira de copiar sua produção no Sul, onde os salários são mais baixos, e alguém no Norte inventa uma nova geração iniciando um novo ciclo outra vez.

Neste mundo, inovação e imitação tomam lugar na mesma frequência no estado estacionário, com o fluxo de bens cuja produção esteja sendo realocada no Sul (através de imitação), ao tempo que esteja compensada pelo fluxo de bens cuja produção esteja sendo realocada no Norte (através de inovação).

Tornando mais difícil a imitação neste mundo pelo enrijecimento dos direitos de propriedade intelectual no Sul iria reduzir o fluxo de imitação, mas iria também necessariamente ter um efeito de reduzir o fluxo de inovação. Isto ocorreria através de uma subida nos salários do Norte; à medida que menos produtos fossem imitados, mais deles seriam produzidos no Norte, e isso eleva a demanda por trabalho no Norte, levando a um aumento nos salários, e daí, tirando trabalho das áreas de P&D e manufatura. O resultado geral é, então, uma diminuição na taxa de crescimento não somente no Norte, mas também no Sul.

As leis de patentes intencionam resolver um dilema fundamental envolvendo a produção e o uso de conhecimento tecnológico. Este dilema é o de como dar as pessoas incentivo não somente para produzir conhecimento, mas também para compartilhá-lo. O dilema emerge a partir da propriedade de “não-rivalidade” do conhecimento.  Uma vez que ele seja produzido pode ser usado n vezes sem adicionar custos de produção.

Como então pudemos dar incentivos às pessoas a produzir algo e, daí, permitir o maior uso possível ? Se um inovador dá esse conhecimento livremente, como ele pode ser compensado por tê-lo produzido, e se ele cobra pelo uso,como a sociedade pode usá-lo da maior forma possível ?

Para entender como as leis de patentes lidam com esse dilema, é importante distinguir dois diferentes modos em que conhecimento pode ser usado: para produzir bens ou para produzir novos conhecimentos. Uma patente dá um direito exclusivo a um produtor de uma idéia para usá-la para produzir um bem específico por um período de tempo. Mas isso não dá ao produtor o direito de monopolizar a idéia para produzir novas idéias. Os requerimentos de disclosure (revelação) das leis de patentes demandam que o dono da patente descreva a idéia em detalhe para que outros possam elaborar/desenvolver, a partir dela, e possivelmente aprender como torná-la obsoleta.

Na prática, no entanto, a distinção entre produzir bens e produzir idéias não é sempre tão clara. E quanto mais estendem-se os direitos de propriedade para incluir coisas como software, combinações genéticas, etc, mais inibe-se o fluxo de idéias. O problema pode ser ilustrado pelo exemplo jurídico recente da Microsoft. Um monopólio exclusivo de uma forma de propriedade intelectual (o código-fonte do Windows) pode dar ao seu dono uma vantagem comercial sobre outras empresas na produção de produtos à jusante (aplicações) que têm um efeito detrimental na inovação nestes produtos. Se o “prêmio” para outras empresas que vencem uma corrida de patentes à jusante, contra o monopolista à montante, é ficar amarrado ao produto à montante e aos termos ditados pelo monopolista, haverá menos inovação do que se o produto à montante fosse de domínio público, ou, pelo menos não controlado por um competidor direto.
Este é o argumento do movimento Open Source.

Ciência e Tecnologia e o papel da Educação Superior

O entusiasmo com a proteção de patentes tem se espalhado para além do setor comercial e ido para a educação superior. As universidades estão encorajando seus professores a patentear sua descobertas. E isto tem gerado uma reação daqueles que acreditam que a intrusão do comércio na vida acadêmica ameaça a essência dos valores de uma universidade. De um ponto de vista do modelo schumpeteriano, a ciência aberta pode ser visa como um conjunto de arranjos institucionais para lidar com o mesmo dilema que o sistema comercial de patentes intenciona resolver: como premiar a  produção de conhecimento sem desencorajar a disseminação dele.

O prêmio de produzir conhecimento em uma ciência aberta não é inteiramente monetário, mas vem amplamente pela forma de reconhecimento que pela citação do nome que fez a descoberta pela primeira vez. Tal como na patente, é o sistema “winner-take-all” (o vencedor ganha tudo). A segunda pessoa a publicar uma idéia não leva nenhum crédito. Daí, como aprenderam os descobridores da Hélice Dupla há um certo tempo, a competição científica pode ser tão intensa quanto a competição comercial, mesmo quando os montantes monetários são pequenos. O incentivo a disseminar conhecimento, que no sistema comercial de patentes vem do requerimento de revelação, vem na ciência aberta do mandato de “publicar ou perecer”. Nenhum crédito é dado a alguém que reclame prioridade sem ter antes publicado.

O aparato institucional altamente evoluído da ciência aberta funciona melhor onde o sistema comercial de patentes é mais inclinado a falhar; i.e., onde o conhecimento científico está envolvido, e cujos benefícios são mais de longo-prazo, incertos, difíceis de apropriar, e onde os transbordamentos são tão grandes que a revelação seria um inadequado meio de transmissão. E ainda há a tensão entre o sistema de valores que suporta a ciência aberta e os valores do sistema comercial de patentes. O primeiro depende do compartilhamento da ética da abertura, desinteresse, e respeito à  expertise técnica; e é melhor perseguido por aqueles cujas principais motivações são curiosidade intelectual e um desejo de reconhecimento.

As universidades que se envolvem com P&D comercial estão expostas a uma variedade de perigos fluindo do conflito entre os valores citados e os prêmios do mercado. O chamariz do dinheiro ameaça deslocar a pesquisa básica do grande, mas pouco comercial, valor científico. A alocação de promoções, tópicos de dissertação e espaço de laboratórios podem ser indevidamente influenciada por lucros mais que mérito acadêmico. Mais importante, a substituição de publicações por patentes pode ameaçar o livre fluxo de informação que repousa no coração da ciência aberta.

Isto não implica, no entanto, que universidades devam banir pesquisas patenteáveis e evitar joint ventures com o setor privado. Ao contrário. Os spin-offs de pesquisa aplicada para a ciência aberta são enormes, especialmente em campos como Medicina, Física, Genética, Ciência da Computação; e pesquisadores que mantêm um ativo envolvimento com desenvolvimentos tecnológicos têm frequentemente estado na fronteira dos desenvolvimentos da ciência básica.

O desafio que as universidades enfrentam é o de desenhar meios de obter vantagem das oportunidades do P&D comercial sem comprometer os valores essenciais da abertura e do desinteresse.

Vamos deixar as questões da globalização, das revoluções tecnológicas, e do aumento da desigualdade social para uma outra oportunidade.

Um modelo Schumpeteriano de crescimento econômico: a tecnologia no epicentro (1)

janeiro 25, 2007

Nesses dias (e anos) de crescimento econômico medíocre no Brasil, uma única coisa passa na minha cabeça: como podemos retomar o vigor do crescimento sustentado que vigia no país antes de 1980 ?  Lembro-me muito bem daquela época quando ser engenheiro ainda era o sonho de todo jovem de classe média que aspirava uma inserção social sólida e um futuro promissor, já que o país era o “país do futuro”.  Mas eis que vieram os anos 80 (a então denominada “década perdida”), e depois a que se perdeu em 90, e agora, a primeira dos anos 2.000 (que pinta estar sendo também perdida) e nada de crescimento robusto !  Afinal, que diabos está acontecendo com este país ?

Estamos, neste humilde pedaço, tentando contribuir com um pouco de reflexão a este respeito.  Neste sentido, retornamos ao que os economistas (lá fora) estão escrevendo com bastante assiduidade, que são os modelos de crescimento econômico (por aqui só se fala em PAC’s e outras baboseiras, “PACdermes”, que apontam para lugar nenhum !).

Logo, vamos aos chamados novos modelos Schumpeterianos, em consideração e em um retorno ao eminente economista austríaco Joseph Schumpeter, que deixou um grande legado (ver aqui um pequeno resumo ) de contribuições à Economia no início do século XX do milênio passado, principalmente por ter caracterizado o capitalismo com a célebre expressão da “destruição criadora“, ou criação destrutiva, em que as velhas maneiras de fazer as coisas são endogenamente destruídas e trocadas pelas novas formas.  E exatamente por este seu entendimento acerca do crescimento econômico, que ele vem sendo recuperado pelos economistas próximos às teorias do crescimento econômico endógeno, tais como Peter Howitt, já referido neste blog.

NOVA TEORIA DO CRESCIMENTO ECONÔMICO (1ª Geração) 

Antecedentes mais recentes dos modelos de crescimento econômico são o Modelo Robert Solow (1956) e Trevor Swan (1956), o chamado Modelo Neoclássico de Crescimento Econômico, iniciadores das modernas técnicas de modelagem, que apontam que o progresso tecnológico emana fora do contexto da economia (exógeno), e mais recentemente, as contribuições de Paul Romer (1986) e Robert Lucas (1988). Estes últimos incorporam os retornos crescentes de escala, e o progresso tecnológico pode ser pensado como uma outra forma de acumulação de capital a partir de empresas que desenvolvem P&D. Eles consideram que se a sociedade poupar uma porção maior da renda, o progresso tecnológico aumentará e isso permitirá uma maior taxa de crescimento econômico; enfim, endogeinizam o progresso tecnológico, e reaviva o interesse do crescimento econômico na política pública.  Estes modelos representam a 1ª Geração dos chamados modelos endógenos. 

NOVA TEORIA DO CRESCIMENTO ECONÔMICO (2ª Geração) 

Alguns economistas vêm apontando aquilo que seria representativo de uma nova geração de modelos endógenos, assinalando o que seria um importante problema com a 1ª Geração de modelos: 

          Ao apresentar a mudança tecnológica como um processo benéfico uniforme que eleva o padrão  de vida de cada uma das pessoas, ignora um crítico aspecto social do crescimento: a mudança tecnológica é um jogo com perdedores e ganhadores. 

A contribuição do livro de Phillipe Aghion e Peter Howitt (1998): “Teoria Schumpeteriana de Crescimento Econômico” vai na seguinte direção: 

– Enfatiza a distinção entre conhecimento tecnológico e capital, e analisa o processo de inovação tecnológica como uma atividade separada da de poupança;

– Explicita quem ganha e quem perde com o progresso tecnológico, como os ganhos e perdas dependem de arranjos sociais, e como estes arranjos afetam o desejo e a habilidade da sociedade de criar e lidar com mudança tecnológica;

– Re-introduz a idéia de Joseph Schumpeter de destruição criativa, o processo onde cada inovação cria novo conhecimento tecnológico e avança nossas  possibilidades materiais, mas ao mesmo tempo torna obsoleto alguns dos conhecimentos tecnológicos que foram criados pelas inovações prévias. 

Um Modelo Simples da 2ª Geração pode ser observado no texto de Peter Howitt, intitulado “Growth and Development: a Schumpeterian Perspective”, de 2005, encontrado na página na Internet, e ele tem as seguintes características: – Um modelo de crescimento através de destruição criativa pode ser visto em termos de duas relações de longo-prazo entre a taxa de crescimento econômico (g) (i.e., a taxa de crescimento do PIB por trabalhador) e a quantidade de capital por unidade (eficiente) de trabalho (k).  Por um lado, há uma relação que mostra o quanto de capital por unidade de trabalho a economia vai terminar no longo-prazo, dada uma taxa de crescimento econômico.  Isto é mostrado pela curva SS inclinada para baixo na Figura 1 a seguir.   

Figura 1 
Schumpeteriano0
 

Esta curva toma como dada a propensão de poupar da economia.  Uma taxa alta de crescimento subentende uma taxa mais rápida de progresso tecnológico, e daí, um crescimento mais rápido da força de trabalho medida em unidades eficientes (conhecido como progresso tecnológico incorporador de trabalho).  Isto, por seu turno, vai implicar uma menor quantidade de capital por unidade de trabalho – um movimento voltado para trás e para cima à esquerda na curva SS, como mostrado na Figura 2 (movimento I).  Adicionalmente, um aumento na taxa de poupança moveria a curva para a direita, resultando num maior estoque de capital por unidade de trabalho para uma dada taxa de crescimento de longo-prazo (movimento II). 

Figura 2

modeloschumpeteriano-1.jpg 

Por outro lado, outra relação mostrada pela figura é a curva RR, denominada Curva de Arbitragem de Pesquisa, que reflete os incentivos para fazer P&D.  A suposição é a de que as empresas escolhem um nível de P&D que irá maximizar o valor presente esperado dos seus lucros.  Essa escolha vai depender das instituições, políticas e costumes, com respeito aos direitos de propriedade, proteção de patentes, política de defesa da concorrência, que afetam os custos de P&D e os lucros esperados pela inovação.  Estes fatores são assumidos constantes ao longo da curva RR.  O nível geral de P&D da economia determina o fluxo de inovações da economia, que, por seu turno, governa a taxa de progresso tecnológico, e, portanto, determina a taxa de crescimento econômico de longo-prazo.  Dado que as variáveis institucionais e políticas são mantidas constantes em RR, um aumento no estoque de capital por unidade de trabalho irá elevar o incentivo a desenvolver P&D através do efeito escala.  Isto é, mais capital por trabalhador irá resultar em mais produção por trabalhador, e daí, mais renda per capita, para um dado nível de tecnologia.  E quando as pessoas têm rendas maiores, elas podem gastar mais em produtos recentemente inventados, o que eleva o incentivo a desenvolver P&D, e resulta em uma taxa mais rápida de crescimento econômico – um movimento para cima ao longo da curva RR (movimento I na Figura 3).  Da mesma forma, qualquer mudanças em instituições, políticas, ou outras variáveis que afetem o incentivo a desenvolver P&D irá mover a curva RR para cima, ou para baixo (movimento II na Figura 3)

Figura 3

Schumpeteriano2

Finalmente, de acordo com esta teoria a taxa de crescimento de longo-prazo (g) será determinada pela intersecção das duas curvas SS e RR.  Logo, qualquer coisa que aumente o incentivo para desenvolver P&D, e daí mude a curva de arbitragem RR para cima (movimento I na Figura 4), ou qualquer coisa que eleve a propensão da economia a poupar, e, daí, muda a curva SS para a direita, (movimento II na Figura 4) resultará em um crescimento econômico de longo-prazo maior : (g2 > g1), que é o a condição desejada. 

Figura 4

Schumpeteriano3

Quais as implicações deste modelo em termos de política de defesa da concorrência (competição), de patentes, educação superior, globalização, revoluções tecnológicas e desigualdade salarial ?  Eis o que reservamos para o próximo post.

Preço do capital humano de TI pode subir (muito) !

janeiro 17, 2007

Duas matérias recentes publicadas pelo jornal Gazeta Mercantil me chamaram bastante a atenção.  A primeira, publicada no dia 12/01/07, intitulada “Em expansão acentuada, B2B brasileiro chega à maturidade“, assinala que compras digitais poderão chegar a 70% do total comercializado em 2009 pelas empresas.  Segundo a previsão da Associação Brasileira de E-Business (E-Business Brasil), 2006 deve ter movimentado R$ 314 bilhões em compras eletrônicas, enquanto o mundo todo transaciona mais de US$ 5 trilhões.  Um crescimento de 38% em relação a 2005 no mercado local.

A outra matéria, intitulada ““Apagão” ameaça TI“, e divulgada no dia 15/01/07, ressalta que multinacionais têm dificuldade para contratar, e que déficit de pessoal pode chegar a 100 mil até 2010.   Segundo a matéria, a indústria brasileira de software e serviços está ameaçada de sofrer um “apagão” até o final da década.  E o atual ritmo de crescimento poderá se reverter.  “Em três anos podemos ter fábricas de software fechando por falta de profissionais”, garante o presidente da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro), Roberto Mayer.

O que ambas matérias revelam é a dupla face de um mesmo problema.  Se de um lado o setor de TI no Brasil tem demonstrado sinais de vigor e crescimento, por outro lado fica cada vez mais visível o estrangulamento e impossibilidade de manter este ritmo de crescimento em função da incapacidade de oferta de capital humano, em volume, prazo e qualidade, para atender às demandas do mercado.

Um simples exercício das leis de oferta e demanda por trabalho pode facilmente apontar que, nestas circunstâncias, o preço do capital humano pode subir em função do estrangulamento em sua oferta.  Parta-se, inicialmente, da curva de oferta de trabalho humano. Ela mostra o número de trabalhadores que estão desejosos e aptos para trabalhar em uma ocupação a diferentes níveis salariais.  Já a curva de demanda por trabalho, mostra o número de trabalhadores que as empresas estão desejando e estão aptas a contratar a diferentes salários.

Via de regra, uma empresa contrata um trabalhador somente se a receita adicional que ela recebe ao assim fazer cobre o seu custo adicional.  Não faz sentido contratar alguém por R$ 50,00 por hora se esta pessoa somente proporciona um extra de R$ 25,00.  A receita adicional que um trabalhador rende para uma empresa, por seu turno, depende tanto do produto adicional que ele (ou ela) contribue para a empresa como do preço daquele produto.

A curva de demanda por trabalho é inclinada para baixo por causa da lei dos retornos decrescentes (não vamos discutir aqui se isso é válido para os segmentos produtores de conhecimento, que apresentam retornos crescentes; tal discussão fica para um outro post).  À medida que uma empresa contrata mais e mais trabalhadores, cada trabalhador adicional contribue menos, e menos produto adicional-e receita- para a empresa (não por causa dos trabalhadores, mas porque provalvelmente não há mais capital fixo na empresa suficente absorver mais capital humano). 

Qualquer coisa que altere tanto a quantidade de produto que os trabalhadores podem produzir, como o preço daquele produto, irá mudar a curva da demanda por trabalho.  Desta forma, é necessário colocar as curvas de oferta e de demanda juntas para que se possa explicar os movimentos que afetam o equilíbrio neste mercado.

Vamos considerar um exemplo no gráfico abaixo.  Suponha que So seja a curva de oferta do número de trabalhadores num tempo to, que Do seja a curva de demanda do número de trabalhadores que as empresas estão desejando contratar no tempo to, e que Eo seja o ponto de equilíbrio deste mercado, onde Po é o preço que os trabalhadores estão desejando receber por seu trabalho e que Qo é a quantidade de trabalho que está sendo contratada.

Imagine agora que há um aumento na demanda de trabalhadores por parte das empresas, por algum motivo qualquer (expansão de mercados, por exemplo).  Logo, a curva da demanda se deslocará de Do para D1.  Como esse aumento de demanda não é acompanhado, de imediato, por um correspondente aumento da oferta de trabalho, o novo ponto de equilíbrio, mantidas tais condições, só será obtido se for elevado o patamar de salário para o nível P1, encontrando, na intersecção da curva de oferta inicial, o ponto de equilíbrio E1.   Como leva algum tempo para que a oferta de novos trabalhadores qualificados seja colocada no mercado (como resposta ao aumento da demanda), deslocando assim a curva de oferta de So para S1 (supondo também que não haja desemprego no setor), o equilíbrio inicial se restauraria em E2, quando a curva S1 encontrasse a curva D1.

Comparativa

Neste espírito, observando as duas matérias acima comentadas, é de se esperar que o preço do capital humano em TI no Brasil possa subir para um patamar mais elevado, a não ser que medidas (efetivas) de oferta de pessoal qualificado sejam colocadas à disposição do mercado num prazo relativamente curto. 

Com a palavra o sistema nacional de educação superior do país ! 

Os Migrantes e o Desenvolvimento Mundial

janeiro 16, 2007

O Banco Mundial acaba de divulgar hoje (16/01/2007) um importante Report.  Trata-se do relatório “Migration and Remittances: Eastern Europe and the Former Soviet Union” (Migração e Transferências Financeiras de Emigrados: Europa Oriental e a Ex-União Soviética), que pode ser acessado aqui

Neste relatório destaca-se que a migração para a Europa Oriental e para a Ásia Central é única e significativa: ela representa um terço de toda emigração do mundo em desenvolvimento, e a Rússia é o segundo maior país do mundo com imigrantes.

As transferências financeiras dos imigrantes para seus países de origem, como proporção do produto interno bruto, são também consideradas grandes para os padrões mundiais em muitas das emigrações líquidas da região. As motivações e expectativas econômicas relacionadas com melhorias na qualidade de vida são os principais impulsionadores de curto, e longo-prazos, do fluxo circular de migração no interior do ECA (Europa e Ásia Central)  e entre o ECA e a Europa Oeste. 

Este relatório traça as tendências internacionais de migração e das transferências financeiras na região desde a transição e até seus determinantes.  Ele olha também para a política internacional de migrações na região e como os atuais esquemas bilaterais de migração podem ser melhorados.

Vale a pena dar uma olhada !

Uma “Nova Política de Desenvolvimento Regional” ?

janeiro 13, 2007

Esta semana foi recheada de matérias na imprensa (principalmente nordestina) do retorno da “agenda regional”.  Matéria de divulgada na data de ontem (12/01/07) pela Secretaria-Geral da Presidência da República noticia o acontecimento e dá sua importância (abaixo):

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Novas Sudam e Sudene vão alavancar desenvolvimento regional

Já estão em vigor as Leis Complementares nº 124 e 125 que recriam a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e a Superintendência Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). As novas Sudam e Sudene, que ficarão vinculadas ao Ministério da Integração Nacional, vão garantir para a região Nordeste e para a Amazônia mais investimentos, maior planejamento das políticas públicas e mais mecanismos de controle da aplicação dos recursos para a promoção do desenvolvimento regional. 

As principais diferenças entre as antigas superintendências que funcionaram até 2001 e as que iniciarão as atividades em 2007 são: os mecanismos de controle interno mais eficientes; a destinação de recursos para inovação tecnológica; a obrigatoriedade de um planejamento em consonância com as políticas públicas voltadas para o crescimento sócio-econômico das regiões em questão; e o aprimoramento dos regulamentos dos fundos de desenvolvimento em relação aos dos antigos fundos de investimentos Finam e Finor.  

Juntamente com as novas Sudam e Sudene serão criados os seus Conselhos Deliberativos.  Integrarão os conselhos ministros de estado, dentre os quais o ministro da Integração Nacional que o presidirá, governadores, prefeitos, presidentes de bancos de desenvolvimento regional, titulares das superintendências e representantes das classes empresariais e de trabalhadores.”

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Minha sensação e de “déjà vu” ! Lembro que no começo do governo Lula, em janeiro de 2003, movimento semelhante (de euforia com o desenvolvimento regional) foi iniciado, com muitas reuniões e manifestações de apoio de políticos e empresários.  Ocorre que, de uma hora para outra o movimento perdeu seu fôlego e a partir de 2004 pouco se falava a respeito do assunto.

Lembro também que no final de 2003 o governo federal lançou um documento intitulado “Diretrizes Gerais para uma Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior“, que em seu corpo revelava que essa nova política industrial teria um forte ingrediente regional.  No entanto, quando foi oficialmente divulgada, em março de 2004, tal política já não contava mais com sua ênfase regional.

Enfim, vamos esperar que desta vez não fiquemos apenas no sentimento de “déjà vu” e que alguma coisa realmente aconteça !  

Indicadores de Tecnologias de Informação e Comunicação do Estado de Pernambuco – ITIC (3)

janeiro 13, 2007

Após 9 tenebrosos dias (nunca imaginei que abrir uma empresa no Brasil, com telefone e com banda larga, fosse algo tão complicado e desse tanta dor-de-cabeça ! estou sentindo na pele o que é verdadeiramente o tão chamado “Custo Brasil” e porque o país não cresce como deveria !), eis aqui a continuação desta série. 

Os dados que aqui serão apresentados (divulgados em dezembro de 2006, mas referentes a 2005) ainda não representam a totalidade daqueles que conformam os ITIC’s mais recentes, uma vez que aqueles referentes à Comunicação ainda não foram divulgados em função do ajuste da estatísticas. Neste espírito, trataremos especificamente ao que diz respeito às TI’s de Pernambuco.

Em termos de Emprego e Faturamento tivemos a seguinte trajetória. Inicialmente quanto ao Emprego, o crescimento do ano 2002 para o ano de 2001 foi de 6,5%; de 2003 para 2002 este crescimento foi de 6,6%, caindo para 3,5% de 2004 para 2003, refletindo as agruras do péssimo ano de 2003, que todos lembramos com pouca saudade.

Já entre 2005 e 2004 a taxa retomou sua trajetória crescente e tivemos um vigoroso crescimento de 18,1%, que esperamos deva também ter acontecido entre 2006 para 2005, como divulgaremos em breve.  Com relação a Faturamento (real, deflacionado pelo IPCA Recife) as taxas foram as seguintes: 2002/2001, 13,1%; 2003/2002, 10,2%; 2004/2003, 5,5%; 2005/2004, 15%.

Uma tabela interessante dos ITIC’s é a que trata da Distribuição da Receita por Origem do Faturamento.  Só para que se perceba a evolução do setor, no primeiro semestre de 2002, 83% do faturamento desta indústria originaram-se na região Nordeste (sendo 73,8% destes a partir de Pernambuco e 9,3% do resto do Nordeste), 1,1% veio da região Norte, 3,4% vieram da região Centro-Oeste, 9,3% vieram da região Sudeste, 1,3% veio da região Sul, e 1,8 do Exterior. 

Já no primeiro semestre de 2005 os valores oriundos da região Nordeste caíram para 47,7% (sendo 39,7% de Pernambuco e 8,0% do resto do Nordeste), os do Norte subiram para 1,6%, os do Centro-Oeste subiram para 5,8%, os do Sudeste “pularam” para 33,4%, os do Sul subiram para 1,4%, e do Exterior subiram para 2,1%.  Estes números indicam que a TIC de Pernambuco, em 3 anos, já se tornou mais voltada para outras regiões do país que não somente a do seu próprio território e de sua própria região.

Outra tabela digna de nota é aquela que apresenta a Distribuição da Receita por Faturamento por Clientes.   Repetindo a trajetória temporal acima indicada, no primeiro semestre de 2002, 1,5% do faturamento das empresas tiveram origem em pessoas físicas, 16,2% originaram-se de governos municipais, 39,0% foram de governos estaduais, 5,4% foram de governos federais, 31,7% foram de empresas privadas nacionais, e 6,1% vieram de empresas privadas internacionais ou multinacionais.  

No primeiro semestre de 2005 apenas 1,6% veio de pessoas físicas, tivemos uma queda nas receitas de governos municipais para 9,0%, junto com uma queda nas receitas de governos estaduais para 17,5%, um aumento nas receitas do governo federal para 8,2%, um aumento no faturamento das empresas privadas nacionais para 33,0%, e um “espantoso” crescimento das receitas de empresas privadas internacionais e multinacionais para 30,7%.  Portanto, indica que o setor está se tornando menos dependente de governos, e, por sua vez, mais voltado ao mercado privado e multinacional.

PS: para aqueles que desejarem maiores detalhes sobre estes Indicadores, basta deixarem uma nota neste blog que enviarei para o endereço desejado.  De outra forma, podem enviar mensagem para o endereço cavalcanti.jc@gmail.com.


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