Archive for janeiro \30\UTC 2008

Economia dos EUA: catastrofistas, devagar com o andor?

janeiro 30, 2008

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Se existe uma grande diferença entre a economia americana e as demais, é a capacidade dos americanos produzirem dados. E “contra dados não há argumentos”! 

Vejam só este gráfico que retirei do blog do Prof. Greg Mankiw, da Harvard University, o qual retirou de uma matéria de outro blog.  A matéria, que está reproduzida abaixo, diz respeito ao número de pedidos de benefício desemprego nos EUA no primeiro mês após as quatro últimas recessões oficialmente definidas, e faz uma menção à estatística do mês de janeiro de 2008.  Por estes números, a economia dos EUA parece que está resistindo bem!

From Mark Perry:

The chart above shows the number of new claims for unemployment benefits in the first month of the last four official recessions using data from the Department of Labor (claims) and the National Bureau of Economic Research (recession dates).

At the onset of each of the last four recessions (1980, 1981, 1990 and 2001), initial claims for unemployment benefits were above the average of 353,000 (from 1967), and in most cases, way above average. The two most recent reports of 301,000 claims (week ending January 19) and 302,000 claims (week ending January 12) suggest that the labor market is healthy and resilient, not weak and anemic.

A Motorola vai se desfazer de seu negócio de celulares? Duvido!

janeiro 29, 2008

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Deu no Sillicon Alley hoje:

“Motorola Scrapping Its Cellphone Business? Doubt It”

Como a Motorola vem apresentando resultados aquém do esperado pelo mercado na sua unidade de celulares, os boatos começam a surgir.  Vejam aqui o restante da matéria:

”  | 12:29 PM

Will Motorola ditch its troubled cellphone division and focus on the rest of the company — set-top boxes, network gear, etc.? Anything’s possible, but we doubt it.

Nomura International analyst Richard Windsor, in a note summarized by MarketWatch, says that there’s speculation that Chinese equipment makers will buy Motorola’s cellphone business. Windsor also dismisses such talk, arguing that a potential buyer wouldn’t have any better tools to fix Motorola’s (MOT) problems than current management has.

We agree. While a new owner might be able to improve Motorola’s distribution, especially overseas, its biggest problem is that its phone business has taken a backseat to rivals like Samsung, Nokia (NOK), Apple (AAPL), and Research In Motion (RIMM). That takes a full rebuilding effort: engineers, designers, management, marketing, etc. In other words, as MarketWatch notes, this is nothing like Lenovo’s 2004 purchase of IBM’s well-established ThinkPad laptop line.

Meanwhile, what’s left after a Moto cellphone division sale isn’t a very sexy company. Set top boxes, enterprise network gear, and telco equipment are slow-growth businesses at best.”

Uma revolução cultural no mundo empresarial do Brasil! (3)

janeiro 29, 2008

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“Nos dois artigos anteriores defendemos o argumento de que a partir do governo FHC (marcadamente com a implantação do Plano Real) ocorreu uma radical mudança cultural no modo como as empresas passaram a fazer seus negócios, e que esta mudança cultural decorreu de dois determinantes centrais: a) Primeiramente, o Sistema Financeiro Nacional- SFN foi radicalmente transformado; e, b) O Mercado de Capitais teve que se ajustar radicalmente a um novo contexto de uma forte abertura da economia, tanto em termos de comércio externo quanto em termos do fluxo de capitais.

Hoje trataremos brevemente do segundo determinante (e para tanto, vamos nos valer de extratos do livro “Mercado Financeiro: Aspectos Conceituais e Históricos”, de Andréa F. Andrezo, e Iran S. Lima, Editora Atlas, 2007)!

O fim da instabilidade inflacionária com o Plano Real levou a um conjunto de mudanças significativas no comportamento do mercado de capitais brasileiro.  Inicialmente, levou à diversificação dos tipos de fundos de investimento, uma vez que os investidores passaram a ter a possibilidade de realizar planejamentos com prazos mais longos. Surgiram os fundos referenciados em DI (depósitos interfinanceiros) e em índices de ações, os fundos imobiliários, de derivativos e em projetos culturais.”

Esta é a introdução ao nosso artigo desta semana no blog Acerto de Contas, que você pode acessar aqui, ou pode baixar no formato pdf aqui!

Google está imune a ciclos de propaganda

janeiro 25, 2008

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Fazendo uma espécie de observatório das grandes empresas de TIC mundiais, e os reflexos da crise financeira recente em suas performances, pesquei esta notícia do Financial Times de hoje:

Google ‘immune’ to advert cycles
By Andrew Edgecliffe-Johnson

Published: January 25 2008 02:00 | Last updated: January 25 2008 02:00

The growth in online advertising should not be derailed by any downward move in the US economy, Google executives said yesterday, as they expressed confidence in the search engine’s business model’s immunity to the broader advertising cycle, reports Andrew Edgecliffe-Johnson .Digital media’s share of marketing budgets would continue to rise, said Nikesh Arora, head of the search engine’s activities in Europe, as the “imbalance” between where consumers spent their time and where marketers spent their money corrected itself.”The trend right now is stronger than the trend of the cycle,” he told reporters on the fringes of the World Economic Forum. “Consumer behaviour is moving to the net and marketers want to follow the consumer.”

60% (sessenta por cento) dos negócios da Microsoft estão agora fora dos EUA

janeiro 25, 2008

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Está ficando cada vez mais clara a origem da robustez do sucesso recente da Microsoft, e porque ela não tem se abalado pela crise financeira dos EUA: 60% (sessenta por cento) dos seus negócios estão fora dos EUA.

Foi o que afirmou recentemente Christopher Liddell, o chief financial officer da Microsoft, ou seja, o manda-chuva das finanças desta empresa.  E ainda disse mais: “We have not seen any significant spillover for an economic slowdown in the U.S.” (Nós ainda não vimos qualquer transbordamento significativo para uma redução da atividade econômica nos EUA).

Ou seja, sua estratégia de ser, desde a fundação, uma empresa global (da Economia Real), criando e ajudando a desenvolver uma indústria (real de produtos e serviços) global (como é a de software e serviços), possibilita a ela esta “blindagem” dos efeitos deletérios que a atual crise financeira vem causando principalmente ao mercado americano.

Mas será que outras empresas da economia real, que também são globais, estão com esta mesma “blindagem” da Microsoft?  Eis aí uma boa pergunta!

A Microsoft e a crise financeira americana

janeiro 25, 2008

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É incrível a capacidade da Microsoft se superar. No meio de um tiroteio que vem desde agosto do ano passado, com o estouro da bolha do mercado imobiliário dos EUA, e que se alastrou pelo mundo nas semanas mais recentes, eis que surgem boas notícias, e vindas de onde: da Microsoft.

Quase todas as revistas de negócios do mundo que vi hoje dão conta das boas informações sobre o desempenho da Microsoft. Mas é do blog de Don Dodge, do Emerging Business Team da Microsoft, onde recolho as melhores sínteses.

A empresa fundada por Bill Gates  anunciou receitas e dividendos recordes no trimestre que se encerrou em 31 de dezembro de 2007. As receitas subiram 30% em relação às do mesmo período no ano anterior, para $16.4 bilhões. O lucro operacional  subiu 87%, para $6.5 bilhões. Os dividendos por ação (Earnings Per Share-EPS) subiram 92%,  para $0.50 por ação.

Todas as unidades de negócios da Microsoft (Nasdaq MSFT) reportaram fortes resultados. Eis aqui uma desagregação por divisão:

Windows Client (Vista/XP): $4.3 Billion, up 68%
Server & Tools: $3.3 Billion, up 15%.
Online Services (MSN/Live): $863M, up 38%.
MBD (Office/SharePoint): $4.8B, up 37%.
Entertainment (Xbox & Zune): $3.1 Billion

Outros Highlights:
Windows Vista vendeu mais de 100 milhões de licenças
Xbox 360 vendeu 17,7 milhões de unidades
Xbox Live – completou mais de 10 milhões de subscrições
Windows Live – completou mais de 420 milhões de contas

É bastante salutar o anúncio destes resultados. Para quem já estava gritando que a Microsoft estava ultrapassada (não este que escreve!), frente os desafios postos por fortes concorrentes, como o Google, não deixa de ser auspicioso. Mais ainda pelo fato destes números estarem saindo no meio de uma crise que se iniciou no centro do furação financeiro mundial, que são os EUA.

Uma revolução cultural no mundo empresarial do Brasil! (2)

janeiro 23, 2008

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“Começamos a defender, no artigo da semana passada, o argumento de que a partir do governo FHC (marcadamente com a implantação do Plano Real) ocorreu uma radical mudança cultural no modo como as empresas passaram a fazer seus negócios, e que esta mudança cultural decorreu de dois determinantes centrais: a) Primeiramente, o Sistema Financeiro Nacional- SFN foi radicalmente transformado; e, b) O Mercado de Capitais teve que se ajustar radicalmente a um novo contexto de uma forte abertura da economia, tanto em termos de comércio externo quanto em termos do fluxo de capitais. Tratemos brevemente do primeiro determinante!

Como constantemente transmito aos meus alunos, o SFN é um sistema bastante amplo, complexo, e muito bem desenvolvido (não devemos a nenhum país do chamado mundo desenvolvido, tanto em organização das instituições, quanto em tecnologia). Para que o leitor tenha uma idéia, mesmo que bastante superficial da sua organização, basta que observe a Figura 1 a seguir (retirada do livro “Mercado Financeiro: Produtos e Serviços”, de Eduardo Fortuna, Editora Qualitymark, 16ª. Edição, 2005).”

Esta é a introdução ao meu artigo desta semana no blog Acerto de Contas, que você pode acessar aqui, ou pode baixar no formato pdf aqui!

Apagão gerencial + Apagão elétrico = Caos na energia elétrica

janeiro 20, 2008

Aqueles que viveram 2001 se lembram de dois fatos marcantes: o atentado de 11 de setembro nos EUA e o apagão de energia no Brasil.  O primeiro mudou a história do mundo contemporâneo sinalizando novos tempos na geopolítica da segurança internacional. O segundo marcou o fim do governo FHC.

A partir daquele momento, o Partido dos Trabalhadores-PT (o maior da oposição à época) começou a perceber que a perspectiva real para o poder era iminente.  O apagão de energia deixou claro para a população que havia uma crise de gestão (afinal, como se deixou que aquilo acontecesse?) e que era hora de uma mudança. 

Vieram as eleições de 2002 e o Presidente do PT (Lula) passou a ser o Presidente do Brasil.  Hoje, passados seis anos (em 2006, pela total falta de opção, o atual governo foi reconduzido), vemos o fato se repetir: mais uma crise energética bate às nossas portas.  Mas o que é pior ainda, é que para a população fica a mesma mensagem: como é que, depois de 2001, ainda não aprenderam a lição?

Em 2001 havia um craque: o Ministro Pedro Parente! Lembram-se dele?  Pois é, mesmo que o ex-Senador José Jorge (PFL de Pernambuco) tivesse sido indicado para ser o Ministro de Minas e Energia à época, quem deu conta do recado foi o tecno-burocrata, e experiente técnico do governo, Pedro Parente.

Hoje nós estamos assistindo uma epopéia ainda mais trágica. Depois de um longo período sem piloto oficial, o Ministério de Minas e Energia é entregue a um político cujo aspecto mais importante do seu currículo, é ser um homem de confiança do Senador José Sarney, o hoje todo-poderoso líder da ala governista do PMDB!

Vejam só o que a jornalista Míriam Leitão diz hoje em sua coluna nacional:

“‘É lamentável a maneira como o governo lida com a séria questão da crise energética! O ministro Edison Lobão (ela colocou a palavra ministro com m minúsculo! grifos nossos!) tartamudeou na primeira entrevista que deu ao tentar falar a palavra “térmica”.  Falou em “termas”, tentou “termos” e não encontrou as “térmicas”, nome dado äs usinas que, no nosso modelo, são a variável de ajuste”.

Isso é uma caricatura grosseira do que vem por aí!  Tenho colocado aos meus alunos e amigos que o episódio da CPMF foi o início do fim do governo Lula.  Parece que os fatos, paulatinamente, vão confirmando a minha tese! 

Queiram Deus e São Pedro (o das chuvas!), não transformem o apagão gerencial, no atual quase apagão elétrico, em um caos na energia elétrica (tal como transformaram a crise aérea num caos aéreo)!

Quem define (e como), nos EUA, se eles estão em recessão?

janeiro 19, 2008

Há uma confusão enorme na imprensa internacional, e na do Brasil em particular, sobre se os EUA estão ou não numa recessão.

Vários especialistas econômicos de lá já opinaram à respeito, e este blog reproduziu algumas. Mas é preciso deixar claro que este fenômeno econômico é o indicador de um ciclo de negócios, e se ele chegou ao seu fim (após um ciclo expansivo). Mas para se afirmar isto, é preciso que se tenha uma metodologia.

Nos EUA o National Bureau of Economic Research-NBER tem se encarregado desta tarefa.  Este think tank americano mantém uma cronologia dos ciclos de negócios daquele país através do seu Business Cycle Dating Committe, um comitê de especialistas se reune e identifica as datas dos picos e os vales que conformam uma recessão ou expansão econômicas.  O período entre um peak e um vale é uma recessão, e o período entre um vale e um peak é um período de expansão.

De acordo com a cronologia do NBER, o mais recente peak ocorreu em em março de 2001, terminando uma expansão recorde que começou em 1991. O mais recente vale oorreu em novembro de 2001, inaugurando uma expansão.

Uma recessão é um significativo declínio na atividade econômica que se espalha por toda a economia, demorando mais que alguns meses, normalmente visível no PIB real, renda real, emprego, produção industrial, e nas vendas do atacado e do varejo.  Uma recessão começa depois que a economia atinge um peak de atividade e termina, à medida que a economia atinge seu vale.

Para saber mais sobre o mais recente relatório do Comitê de Datação de Recessão do NBER dos EUA (divulgado em 07/01/2008), veja http://www.nber.org/cycles/jan08bcdc_memo.html

Don’t Cry for Me, America

janeiro 19, 2008

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Eis que aqui estamos novamente falando sobre o Prof. Paul Krugman.  Cada vez mais irônico, e cada vez mais ácido na suas críticas, o Prof. Krugman destilou sua oposição ao governo Bush (e particularmente à política econômica dos EUA, e mais ainda ao Banco Central dos EUA) apontando, em sua opinião, quem já havia exposto a principal responsabilidade pela atual crise (confusão) financeira de lá: sem meias-palavras, ele aponta que foi o próprio Prof. Ben Bernanke, Presidente do Federal Reserve (o Banco Central americano)!

Para conferir, basta acessar o seu artigo de hoje em sua coluna em The New York Times: http://www.nytimes.com/2008/01/18/opinion/18krugman.html?em&ex=1200805200&en=e7fe22743c48b8cf&ei=5087%0A !


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