Desindustrialização nos EUA e no Brasil

Um tema que vem ganhando densidade no Brasil é o da desindustrialização, ou seja, a perda de pujança relativa da indústria brasileira na sua economia.

Um livro recente, “O Futuro da Indústria no Brasil: desindustrialização em debate“, organizado pelos economistas Edmar Bacha e Monica Baumgarten de Bolle, e publicado pela editora Civilização Brasileira em 2013, tenta sintetizar o início da discussão sobre este fenômeno no Brasil.

Mas a desindustrialização é um fenômeno brasileiro? Não! Ela está acontecendo em vários países no mundo, e com diferentes trajetórias.

Nos Estados Unidos da América a discussão sobre a desindustrialização tem sido tratada por acadêmicos, profissionais e pelo governo.  Em 2011, Susan Houseman, Chistopher Kurz, Paul Lengermann, and Benjamin Mandel publicaram o artigo intitulado “Offshoring Bias in U.S. Manufacturing” no Journal of Economic Perspectives (Vol. 25, Number 2, Spring, Pages 111-132).

Neste artigo os autores apontam para a figura abaixo, onde mostram dois fatos marcantes: a perda de empregos na indústria americana (do final dos anos 90 até o final da primeira década deste milênio a perda foi foi de 5,5 milhões de empregos) e o incremento da produtividade do trabalho, que já vinha crescendo com o tempo.

Segundo os autores do artigo, alguns estudos (observando estes fatos) apontaram para a robustez da produção e para o crescimento da produtividade argumentando que o setor manufatureiro americano está relativamente saudável.  Eles, no entanto, sugerem que a estória é mais complexa.  Ou seja, eles argumentam que as medidas oficiais de produtividades e valor adicionado da indústria têm problemas.

Como ponto de partida, eles afirmam que os robustos produto e crescimento da produtividade são largamente atribuíveis a uma única indústria: produtos eletrônicos e computadores.  Apesar os produtos eletrônicos e computadores representarem somente 1/10 do valor adicionado da indústria, o setor contribuiu com 2/3 do crescimento geral da indústria de 1997 a 2007. Como resultado, defendem os autores, os números agregados na produção manufatureira dos EUA não caracterizam acuradamente as tendências em todo o setor.

Eis aí um bom início de discussão!

desempregonaindustriaamericana

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