Carta IEDI No. 510

09 de março de 2012-  Carta IEDI No. 510

Produção Industrial em Janeiro de 2012: Um Mau Começo

Sumário

A produção industrial física brasileira caiu 2,1% em janeiro frente ao mês dezembro, descontados os efeitos sazonais. Essa queda refletiu a redução do nível de atividade em 14 dos 27 ramos pesquisados pelo IBGE, com destaque para o setor automotivo, que retraiu 30,7%, em razão das férias coletivas concedidas por várias empresas no mês de janeiro. Com esse resultado a indústria ficou 5,6% abaixo do nível recorde alcançado em março do ano passado.

A magnitude dessa retração – a mais intensa desde dezembro de 2008 – chama a atenção. É verdade que ela foi acentuada por fatores pontuais, como o efeito do recuo da produção de veículos automotores. Mas, ainda assim, o sinal negativo de janeiro é certo, já que ele reflete o recuo da produção em grande parte das atividades produtivas da indústria, bem como é o resultado de uma trajetória de desaceleração da produção industrial observada desde o segundo trimestre do ano passado.

No corte por categoria de uso, descontados os efeitos da sazonalidade, apenas o segmento de bens de consumo semiduráveis e não duráveis elevou (0,7%) o nível de produção na passagem de dezembro a janeiro. A retração mais acentuada ocorreu no setor produtor de bens de capital (-16,0%), decorrente da menor produção de caminhões, seguido pelos setores de bens intermediários (-2,9%) e de bens de consumo duráveis (-1,9%).

Vale notar que a queda da produção de bens intermediários (–2,9%) na passagem de dezembro a janeiro é muito elevada para os padrões do setor – uma queda forte após registrar um fraquíssimo desempenho em 2011 (+0,3%). Diante disso, e somando a importância e o peso do setor de bens intermediários no conjunto das atividades do País, aumentam ainda mais as preocupações com relação ao desempenho da indústria brasileira em 2012 e, consequentemente, da economia brasileira.

O começo do ano de 2012 foi muito ruim para indústria também nas demais bases de comparação. Frente ao mês de janeiro de 2011, a produção fabril recuou 3,4%, assinalando o quinto resultado negativo consecutivo na série mensal. Esse recuo teve perfil disseminado de resultados negativos, atingindo 3 das 4 categorias de uso, a maior parte (14) das 27 atividades pesquisadas, 41 dos 76 subsetores e 54% dos 755 produtos investigados. Em doze meses terminados em janeiro, a indústria cumulou decréscimo de 0,2%, primeira variação negativa desde março de 2010 (-0,3%) nessa base de comparação.

Na comparação com janeiro de 2011, três das quatro categorias de uso registram resultados negativos acima da média da indústria. A queda mais expressiva ocorreu no setor produtor de bens de capital (-13,0%), seguido pelos setores de bens de consumo duráveis (-7,6%) e de bens intermediários (-3,6%). Somente o setor produtor de bens de consumo semiduráveis e não duráveis registrou aumento da produção (1,9%) nessa base de comparação.

Já em doze meses terminados em janeiro, o segmento de bens de capital é o único setor que registra crescimento acumulado (1,7%) na comparação com igual período anterior. Nessa base de comparação, o pior resultado dentre as categorias foi verificado no segmento bens de consumo duráveis: – 3,0%. Mais próximos da média da indústria (-0,2%), o setor de bens intermediários registrou ligeira queda de 0,1%, enquanto o setor produtor de bens de consumo semiduráveis e não duráveis acumula recuo de 0,3% na mesma base de comparação.

No que se refere ao grau médio de utilização da capacidade instalada, o indicador dessazonalizado calculado pela FGV para a indústria de transformação registrou alta pelo segundo mês consecutivo, subindo para 83,7% em janeiro (+0,3 pontos percentuais frente ao mês de dezembro de 2011). O indicador de utilização da capacidade instalada apurado pela CNI também registrou alta em janeiro subindo para 81,9 %, descontados os efeitos sazonais. Com incremento de 0,6 p.p frente ao mês de dezembro, o indicador reverteu uma sequência de quatro recuos consecutivos nessa base de comparação.

Na comparação da indústria de transformação brasileira com os de economias periféricas com semelhante grau de desenvolvimento, observa-se que o desempenho da produção manufatureira brasileira em janeiro (-3,3%) frente igual mês do ano anterior só não foi pior do que o da indústria da Tailândia (-15,2%), que ainda sofre as consequências das inundações ocorridas no último trimestre de 2011. Em todos os demais países da amostra, houve aumento da produção fabril, com destaque para Rússia (4,8%), Chile (3,7%) e Argentina (2,1%), todos em janeiro de 2012 ante igual mês de 2011.

Resultados da Indústria. Após ligeiro crescimento em novembro e dezembro, descontados os efeitos sazonais, a produção industrial física brasileira caiu 2,1% em janeiro frente ao mês anterior. Essa queda, que surpreendeu negativamente a grande maioria dos analistas do mercado financeiro e das consultorias privadas, refletiu a redução do nível de atividade em 14 dos 27 ramos pesquisados pelo IBGE, com destaque para o setor automotivo, que retraiu 30,7%, em razão das férias coletivas concedidas por várias empresas no mês de janeiro. Com esse resultado a indústria ficou 5,6% abaixo do nível recorde alcançado em março do ano passado.

A magnitude dessa retração – a mais intensa desde dezembro de 2008 (-12,2%) – chama a atenção. É verdade que ela foi acentuada por fatores pontuais, como o efeito do recuo da produção de veículos automotores. Mas, ainda assim, o sinal negativo de janeiro é certo, já que ele reflete o recuo da produção em grande parte das atividades produtivas da indústria, bem como é o resultado de uma trajetória de desaceleração da produção industrial observada desde o segundo trimestre do ano passado.

O começo do ano de 2012 foi muito ruim para indústria também nas demais bases de comparação. Frente ao mês de janeiro de 2011, a produção fabril recuou 3,4%, assinalando o quinto resultado negativo consecutivo na série mensal. Esse recuo teve perfil disseminado de resultados negativos, atingindo a maior parte (14) das 27 atividades pesquisadas, 41 dos 76 subsetores e 54% dos 755 produtos investigados. Cabe ressaltar que esse resultado foi em parte influenciado pelo efeito calendário, uma vez que o mês de janeiro de 2012 (22 dias) teve um dia a mais que o mesmo mês do ano anterior (21 dias). Em doze meses terminados em janeiro, a indústria cumulou decréscimo de 0,2%, primeira variação negativa desde março de 2010 (-0,3%) nessa base de comparação.

Em janeiro de 2012, as demais classes da indústria também apresentaram resultados negativos na série com ajuste sazonal e na série mensal. Na passagem de dezembro a janeiro, indústria extrativa mineral assinalou retração de 8,4% enquanto a indústria de transformação caiu 2,4%. Frente a janeiro de 2011, a indústria extrativa mineral registrou queda de 5,7% e a indústria de transformação recuou 3,3%.

No acumulado em doze meses terminados em janeiro, essas duas classes da indústria voltaram a registrar comportamento divergente. Enquanto a indústria de transformação registrou ligeiro declínio (-0,3%) em comparação com o período anterior, a indústria extrativa mineral elevou a produção em 1,2%.

Desempenho por Categoria de Uso. Dentre categoria de uso, descontados os efeitos da sazonalidade, apenas o segmento de bens de consumo semiduráveis e não duráveis elevou (0,7%) o nível de produção na passagem de dezembro a janeiro. A retração mais acentuada ocorreu no setor produtor de bens de capital (-16,0%), decorrente da menor produção de caminhões, seguido pelos setores de bens intermediários (-2,9%) e de bens de consumo duráveis (-1,9%).

Na comparação com janeiro de 2011, três das quatro categorias de uso registram resultados negativos acima da média da indústria. A queda mais expressiva ocorreu no setor produtor de bens de capital (-13,0%). O subsetor de bens de capital para transportes (-26,3%) exerceu a principal influência negativa sobre o total do segmento, pressionado em grande parte pela menor produção de caminhões, caminhão-trator, chassis com motor para ônibus e caminhões e veículos para transporte de mercadorias. Vale destacar também as quedas observadas em bens de capital para energia elétrica (-34,1%) e em bens de capital para uso misto (-7,7%). Os demais subsetores mostraram expansão na produção: bens de capital agrícola (32,1%), para fins industriais (5,2%) e para construção (3,7%).

Também registraram variação negativa superior ao da média global da indústria, os setores de bens de consumo duráveis (-7,6%) e de bens intermediários (-3,6%). No setor produtor de bens duráveis, a principal pressão negativa veio da menor fabricação de automóveis (-18,8%), também influenciado em grande parte pelas férias coletivas observadas em algumas empresas do setor em janeiro de 2012. Destacam-se também os recuos verificados na produção de telefones celulares (-8,1%) e motocicletas (-0,7%). Nessa categoria de uso, os principais resultados positivos vieram da maior produção de eletrodomésticos (9,0%), tanto os da “linha branca” (7,6%) como os da “linha marrom” (34,6%), e de artigos do mobiliário (15,8%).

No setor produtor de bens intermediários, o de maior peso, na estrutura industrial, as pressões negativas resultaram da menor fabricação dos produtos associados atividades de veículos automotores (-19,7%), indústrias extrativas (-5,7%), têxtil (-10,6%), metalurgia básica (-2,8%), borracha e plástico (-4,5%), produtos de metal (-7,0%) e celulose, papel e produtos de papel (-1,0%), enquanto as contribuições positivas foram registradas por refino de petróleo e produção de álcool (1,9%), outros produtos químicos (2,3%), alimentos (3,8%) e minerais não metálicos (1,6%). Nessa categoria de uso, mencione-se também a manutenção dos resultados positivos nos grupamentos de insumos para construção civil (2,2%) e de embalagens (0,4%).

Nessa base de comparação, o setor produtor de bens de consumo semiduráveis e não duráveis foi o único que registrou aumento da produção (1,9%). Para esse resultado contribuíram os subsetores produtores de carburantes (9,5%), alimentos e bebidas elaborados para consumo doméstico (2,1%) e de outros não duráveis (0,7%), impulsionados especialmente pela maior produção, respectivamente, dos itens: gasolina automotiva; sucos concentrados de laranja; e medicamentos e livros. O único impacto negativo nessa categoria de uso originou-se no subsetor de semiduráveis (-3,2%), pressionado principalmente pelo recuo na fabricação de itens de uso feminino, como calças compridas, calçados de material sintético e vestidos de malha.

Já em doze meses terminados em janeiro, o segmento de bens de capital é o único setor que registra crescimento acumulado (1,7%) na comparação com igual período anterior. Nessa base de comparação, o pior resultado dentre as categorias foi verificado no segmento bens de consumo duráveis: – 3,0%. Mais próximos da média da indústria (-0,2%), o setor de bens intermediários registrou ligeira queda de 0,1%, enquanto o setor produtor de bens de consumo semiduráveis e não duráveis acumula recuo de 0,3% na mesma base de comparação.


Por Dentro da Indústria de Transformação: Gêneros e Subsetores.
Na passagem de dezembro a janeiro, descontadas as influências sazonais, a indústria geral recuou 2,1%, enquanto a indústria de transformação retraiu 2,4%. Esse resultado foi influenciado em grande parte pelo recuo na produção de 14 dos 27 ramos investigados, com destaque para o impacto negativo vindo de veículos automotores (-30,7%), pressionado principalmente pela concessão de férias coletivas que atingiu várias empresas do setor. Outras contribuições negativas relevantes sobre o total da indústria vieram de indústrias extrativas (-8,4%), equipamentos de instrumentação médico-hospitalares, ópticos e outros (-26,3%), que devolveu parte do crescimento de 28,0% assinalado em dezembro último, bebidas (-7,7%), máquinas para escritório e equipamentos de informática (-12,2%), produtos de metal (-6,1%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-6,1%). Por outro lado, entre as 12 atividades que ampliaram a produção, os desempenhos de maior importância para o resultado global foram observados em edição e impressão (9,9%), eliminando a queda de 5,9% registrada no mês anterior, máquinas e equipamentos (4,5%), refino de petróleo e produção de álcool (4,8%), material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicações (14,3%) e têxtil (6,6%). Cabe mencionar, que a produção de minerais não metálicos permaneceu estável, registrado variação nula na passagem de dezembro a janeiro.

Na comparação com igual mês do ano anterior, em janeiro de 2012, a indústria geral registrou decréscimo de 3,4% enquanto a produção manufatureira reduziu 3,3%, quinta taxa negativa consecutiva nesse tipo de confronto e a mais intensa desde setembro de 2009 (-7,5%). Esse recuo teve perfil disseminado de resultados negativos, atingindo a maior parte (14) das 27 atividades pesquisadas, 41 dos 76 subsetores e 54% dos 755 produtos investigados. Vale citar que janeiro de 2012 (22 dias) teve um dia útil a mais que igual mês do ano anterior (21). O ramo de veículos automotores, que recuou 26,7%, exerceu o maior impacto negativo na formação da média da indústria, pressionado em grande parte pela queda na produção de aproximadamente 90% dos produtos investigados no setor, com destaque para a menor fabricação de caminhões, automóveis, caminhão-trator para reboques e semirreboques e chassis com motor para ônibus e caminhões. Como já mencionado, esse resultado foi influenciado pelas paralisações na produção ocorridas em janeiro de 2012, por conta da concessão de férias coletivas, que atingiram várias empresas do setor. Outras contribuições negativas relevantes para a média global vieram de máquinas para escritório e equipamentos de informática (-24,8%), indústrias extrativas (-5,7%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-10,0%), produtos de metal (-7,2%), vestuário e acessórios (-19,4%) e farmacêutica (-5,9%). De acordo com o IBGE, nessas atividades os destaques foram, respectivamente, a menor fabricação dos itens: peças e acessórios para processamento de dados, impressoras e computadores; minérios de ferro; transformadores e motores elétricos; partes e peças para caldeiras geradoras de vapor; calças compridas de uso feminino, vestidos e camisas de algodão; e medicamentos.

Entre os doze ramos que registraram crescimento na produção, as principais influências sobre o total da indústria foram verificadas nos setores de alimentos (4,7%), de máquinas e equipamentos (4,6%) e de refino de petróleo e produção de álcool (4,2%). Esses ramos foram impulsionados, segundo o IBGE, principalmente pela maior produção de sucos concentrados de laranja e bombons, no primeiro setor, máquinas para colheita, refrigeradores e congeladores para uso doméstico, no segundo, e gasolina automotiva no último. Já materiais eletrônicos e aparelhos de comunicação manteve o nível de produção no mesmo patamar verificado em janeiro de 2011, registrando variação nula nessa base de comparação.

Na série mais desagregada, entre os 43 subsetores que registram menor produção na comparação com janeiro de 2011, os recuos mais expressivos foram registrados na indústria automotiva – caminhões e ônibus (-65,5%), automóveis (-17,0%), material elétrico para veículos (-16,2%), peças e acessórios (-14,0%) –, equipamento para produção e distribuição de energia (-23,5%), estruturas metálicas e obras de calderaria pesada (-22,9%), construção e montagem de vagões ferroviários (-20,9%). Em contraposição, entre os 33 subsetores com alta de produção, destacam-se pela magnitude dos aumentos: suco e concentrados de frutas (482,8%), eletrodoméstico da “linha marrom” (34,5%), tratores e máquinas agrícolas (25,6%).

Na série acumulada nos últimos doze meses terminados em janeiro de 2012, a indústria geral e indústria de transformação, ambas em trajetória descendente desde outubro de 2010, registraram taxas negativas, respectivamente, de 0,2% e 0,3%. Esse primeiro resultado negativo desde março de 2010 refletiu a redução do nível de produção em 13 dos 27 setores pesquisados. As variações negativas mais expressivas foram verificadas na indústria têxtil (-14,5%), calçados e artigo de couro (-9,9%), máquinas de escritório e equipamento de informática (-7,2%). Vale mencionar que nessa base de comparação, a indústria de veículos automotores acumulou ligeiro recuo (-0,1%). Entre os 14 ramos com aumento de produção, as taxas de crescimento mais expressivas foram verificadas na indústria do fumo (13,3%), equipamento de instrumentação médico hospitalar (9,9%), outros equipamento de transporte.

Na série mais desagregada, 40 dos 76 subsetores acumulam crescimento em doze meses terminados em janeiro de 2012. As variações positivas mais expressivas foram registradas tubos de ferro e aço (28,8%), beneficiamento de arroz (15,3%), outros veículos e equipamento de transporte (13,2%) e caminhões e ônibus (12,5%). Em contraste, dentre os 36 subsetores com diminuição no nível de produção, acumulam as maiores quedas em doze meses terminados em janeiro de 2012, beneficiamento e tecelagem de fibras têxteis naturais (-17,3%), outros artefatos têxteis (-13,2%), defensivos agrícolas calçados (-11,7%).

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