Indicador de serviços ajudará projeção do PIB

Matéria super-importante que saiu ontem no jornal Valor Econômico.  O setor de Serviços no Brasil começa a ser realmente reconhecido pelas autoridades. E desta feita foi com o Banco Central assumindo que este setor “tem dinâmica autônoma da indústria“.

Já há algum tempo venho argumentando que este setor deveria merecer mais atenção por parte daqueles que fazem políticas públicas neste país.  Em post de 2007 apontávamos estudo do próprio Banco Central que indicava ser o setor de serviços mais empregador do que o setor industrial.  Em post de 2008  apontávamos novamente para a importância dos serviços na economia brasileira, muito embora os governos só se prestem a produzir políticas industriais.

Logo, antes tarde do que nunca o setor de serviços do país começa a ter o lugar que merece!

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Indicador de serviços ajudará projeção do PIB

Nova pesquisa desenvolvida pela FGV dará a analistas medida mais confiável sobre atividade do setor

Os analistas econômicos exageraram nas projeções sobre a desaceleração da economia brasileira em 2009 devido à falta de uma medida confiável que mostrasse o que estava acontecendo com o setor de serviços. O Banco Central quer evitar que isso volte a ocorrer e, por isso, firmou convênio com a Fundação Getulio Vargas (FGV) para construir um indicador dos serviços, nos moldes do que é feito na sondagem industrial.

A expectativa é que até 2010 os trabalhos já estejam avançados, o que tornaria possivel a divulgação de um indicador, que, entre outros dados, traga informações sobre a produção, contratação de mão de obra, preços e condições de acesso a crédito nos serviços. Ao contrário da sondagem industrial, porém, a nova pesquisa só não mediria o uso da capacidade utilizada, que no caso dos serviços é mais difícil de mensurar. Nesse setor, o indicador universal de uso de capacidade instalada é a taxa de desemprego, já que a mão de obra é o principal insumo dos serviços.

No início do ano, os analistas do mercado financeiro estavam pessimistas sobre o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), em parte porque erraram nas estimativas sobre os serviços. Tradicionalmente, o mercado projeta os serviços com base no desempenho da indústria, com um ajuste pelo crescimento demográfico da população. Essa metodologia se baseia na leitura de que o setor de serviços é puxado pela indústria, considerado o motor da economia.

O BC tem chamado atenção, porém, que a economia passou por uma mudança estrutural nos últimos anos. Os serviços, hoje, respondem por cerca de 60% do PIB e, de forma geral, têm dinâmica autônoma da indústria. Há serviços que até funcionam como motor da economia, puxando a atividade industrial. É o caso, por exemplo, de telecomunicações, que demanda equipamentos de telefonia, ou atividades de informática, que demandam computadores.

Nessa crise, os serviços mostraram que têm dinâmica própria, com um avanço de 1,7% no primeiro trimestre, enquanto a indústria sofria retração de 9,3%. Depois que saíram os dados do PIB do primeiro trimestre, com a surpresa dos serviços, os analistas passaram a rever as projeções de crescimento da economia para o ano, contando com um desempenho um pouco menos desfavorável. O BC foi um dos únicos a acertar, pelo menos no que diz respeito aos serviços, graças à grande rede de economistas da instituição, que chega a quase 200, e à coleta de dados regionais.

O erro do mercado teve consequências práticas na economia. Surpresas sobre a trajetória de crescimento fazem o mercado rever para cima as suas projeções para a inflação, já que o PIB é um dos principais insumos nas estimativas sobre a evolução dos índices de preços. Com projeções de inflação mais altas, o BC tem menos espaço para cortar a taxa básica de juros.

O indicador da FGV será o que, no jargão dos economistas, se chama de indicador coincidente de alta frequência. Coincidente porque irá indicar a temperatura do que já aconteceu no setor de serviços (se previsse o que vai acontecer, seria um indicador antecedente). Alta frequência porque, ao contrario do PIB, que é divulgado trimestralmente e com defasagem de mais de dois meses, o indicador poderá ser divulgado algumas semanas depois de fechado cada mês.

Uma resposta to “Indicador de serviços ajudará projeção do PIB”

  1. Observatório de Política Econômica Says:

    Olá,

    Aproveito este canal para divulgar o Observatório de Política Econômica. Trata-se de um Blog com postagens diárias das notícias que repercutiram na mídia exterior sobre a economia brasileira:

    http://observatorio-de-politica-economica.blogspot.com/

    Atenciosamente,
    Equipe OPE

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