Sai, Sarney!

Não costumo colocar coisas sobre a política brasileira com regularidade neste blog, mas a situação em que se encontra o Senado deste país, bem como a atual situação de privatização deslavada deste espaço público, leva-me a apresentar minha total indignação com o que está acontecendo. 

Como tudo isto tem a ver com um grupo de políticos que só contribuiram, no mínimo, para “emlamear” a imagem do Congresso Nacional, e como isto tem a ver com políticos como o Senador José Sarney, venho nesta oportunidade manifestar minha total indignação reproduzindo neste blog o artigo que mais representa meu sentimento nesta hora, como é o artigo de hoje do jornalista Ricardo Noblat!

Portanto, “Sai, Sarney!”

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Sai, Sarney!

 

Vez por outra lemos a respeito de político japonês que se matou depois de ter sido acusado de corrupção.

O mais recente foi Toshikatsu Matsuoka, ministro da Agricultura, em maio de 2007. Ele aceitou suborno de um empresário e pediu reembolso de despesas que sempre foram cobertas por seu gabinete.

A ser processado e talvez preso, preferiu se enforcar.

O próximo domingo será um dia tristemente histórico para a Inglaterra. Pela segunda vez, um presidente da Câmara dos Comuns, o equivalente à nossa Câmara dos Deputados, renunciará ao cargo, acusado de má conduta. O primeiro a renunciar foi Sir John Trevor em 1695. Seu crime? Ter embolsado grana de um comerciante em troca do apoio à aprovação de uma lei.

Michael Martin, 63 anos, presidente da Câmara dos Comuns há quase dez, não se vendeu a ninguém nem tirou vantagens ilícitas do cargo. Mas foi conivente com os colegas que tiraram.

Deputados com direito a verba para bancar moradia em Londres conseguiram reembolso por gastos para consertar quadras de tênis, limpar fossas, comprar cadeiras de massagem e aparelhos de televisão de tela plana. Os mais ousados cobraram até pelo aluguel de filmes pornográficos.

O cordato Martin avalizou os desmandos. Uma vez que eles foram descobertos pela imprensa, tentou encobri-los. Como a tarefa se revelou impossível, pediu ajuda à polícia para identificar as fontes de informações dos jornalistas. A polícia nem se mexeu.

Por fim, Martin se rendeu. Seguirá o exemplo dado por Trevor há 314 anos.

Aqui já assistimos a renúncia de presidentes da Câmara e do Senado enrolados em denúncias de quebra de decoro. Foi o caso de Severino Cavalcanti, presidente da Câmara. E de Jader Barbalho, Antonio Carlos Magalhães e Renan Calheiros, presidentes do Senado.

Diferentemente de Trevor no passado, e agora de Martin, eles não abandonaram os cargos premidos pelo sentimento de vergonha. Renunciaram para não ser cassados. Foi um ato sem vergonha. Assim puderam preservar os direitos políticos e voltar ao Congresso reeleitos.

José Sarney está no olho do furacão que varre o Senado desde que ele foi eleito em fevereiro último para presidi-lo pela terceira vez. A primeira foi em 1995.

O que existe de podre no Senado não é obra exclusiva dele. Um presidente do Senado não pode tudo, muito menos sozinho.

Mas é um escárnio Sarney continuar fingindo que nada tem a ver com a crise mais grave da história do Senado. Não apenas tem a ver: Sarney é o principal responsável por ela. A semente da crise foi plantada no primeiro mandato dele como presidente do Senado.

“Eu só tenho a agradecer ao Dr. Agaciel Maia pelos relevantes serviços que ele prestou”, disse Sarney ao se despedir do ex-diretor-geral do Senado, defenestrado da função devido à crise.

Agaciel foi nomeado por Sarney. Ao longo de 14 anos, acumulou poderes e cometeu toda a sorte de abusos com a concordância explícita ou velada de Sarney e dos que o sucederam no comando do Senado.

Na semana passada, ao som da música do filme “O Poderoso Chefão”, Agaciel casou a filha Mayanna sob as bênçãos de Sarney, Renan Calheiros e de dois outros ex-presidentes do Senado – Garibaldi Alves e Edison Lobão.

Para lá do inchaço do quadro de funcionários do Senado, do pagamento de horas extras não trabalhadas, da criação de diretorias fantasmas, da homologação de licitações suspeitas e da assinatura de decretos secretos, há fatos que dizem respeito diretamente a Sarney e que o deixam mal na foto.

Dono de imóvel em Brasília e inquilino da mansão destinada ao presidente do Senado, Sarney recebeu durante mais de um ano auxílio-moradia de R$ 3.800,00 mensais reservada a senadores sem teto.

Flagrado, primeiro negou que recebesse. Depois se apropriou do mote de Lula e disse que não sabia.

Um neto de 22 anos de Sarney assessorou durante mais de um ano o senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA). Foi a maneira que Cafeteira encontrou, segundo admitiu, de agradecer ao pai do rapaz por tê-lo reaproximado de Sarney.

Há uma sobrinha de Sarney lotada no ex-gabinete da filha dele no Senado, Roseana Sarney, atual governadora do Maranhão. E há outra empregada no gabinete do senador Delcídio Amaral (PT-MTS) em Campo Grande. Essa ganha sem trabalhar.

É possível acreditar que o pai da crise esteja de fato empenhado em resolvê-la? Ou que reúna condições para tal? E quem disse que seus pares estão interessados em refundar o Senado?

A essa altura, uma só coisa depende de fato de Sarney: a renúncia à presidência do Senado para atenuar as nódoas recentes de sua biografia.

5 Respostas to “Sai, Sarney!”

  1. Renato Lima Says:

    Sarney e os amigos em volta (Renan, Lobão) só estão lá porque servem aos interesses de Lula. Quem segura essa lama e se aproveita dela está despachando no Centro Cultural Banco do Brasil (enquanto o Palácio do Planalto está em reformas…)

  2. jccavalcanti Says:

    Renato,

    Não tenho dúvida alguma sobre isto! Mas é mais fácil hoje pedir para Sarney sair do que pedir que Lula saia! Talvez seja mais interessante ver Lula “sair” em 2010, quando estes oito anos de seu governo forem simplesmente deixados para os historiadores e admiradores.
    Grato pelo comentário,
    JCC

  3. JOSÉ RICARDO SILVA Says:

    Fico muito triste com essa onda de denuncia contra um conterraneo meu
    mas,a constituição é clara no art:5º,todos são iguais perante a Lei,por isso se o senador José Sarney,cometeu todas essas bandalheiras ele de
    veria renunciar ao mandato para poder salvar sua bela biografia de Homem público e Imortal da ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS e tambem prestar esclarecimento ao povo do Amapá e especialmente ao
    povo do Maranhão onde por sinal tem muitos admiradores.A PALAVRA CONVENCE E O EXEMPLO ARRASTA.Muito Obrigado.

  4. JOSÉ RICARDO SILVA Says:

    Gostaria de deixar bem claro a minha opinião a respeito do Homem públi
    co,em primeiro lugar o legislador que é um fazedor de leis para nortear o
    comportamento das pessoas,deveria em qualquer envolvimento com mal
    versação de dinheiro público ou outro problema ser o mais transparente possivel ou seja renunciaria ao mandanto e devolveria tudo que ele con
    quistou de maneira indevida ao longo do tempo para as pessoas carentes
    desse Brasil afora ou do Estado que o elegeu.Pois o importante é ser ho
    nesto a todo custo e não se locupletar com o sangue do sofrido e alegre
    Povo Brasileiro que ainda tem esperança de dias melhores.

  5. milton gerin martins' Says:

    a familia inteira rouba, o filho a filha o neto , o copeiro, todo maranhão não vota nele, bate no peito , presidente democrático, constituição feita com leis ordinárias , so funcionário publico leva vantagem, o resto está abaixo da mediocridade moral o povo brasileiro aceita até quando, com este explo fica facil imaginar porque todo brasileiro quer ser kaka. o partido dos trabalhadores é o pmdb (quercia temer) estão alinhados com a corrupçao.

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