Satélites impulsionando o Desenvolvimento do País

Dois blocos de notícias da Telebrasil-Associação Brasileira de Telecomunicações (www.telebrasil.org.br), um de hoje, e, logo em seguida, outro de ontem, sobre um evento no Rio de Janeiro sobre Satélites no Brasil.
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Rio, 26 de março de 2009

A segunda e última parte da cobertura de “Satélites impulsionando o desenvolvimento do País – II”. O evento, organizado pela Telecom e ACRJ, ainda homenageou os pioneiros de satélites no Brasil.

SATÉLITE
Evento no Rio discute, com sucesso, como os satélites impulsionam o desenvolvimento do País – II
Segunda parte da reportagem cobrindo seminário efetuado pela ACRJ e pela Telecom sobre o tema “Satélites impulsionando o desenvolvimento do País”. O evento incluiu almoço em homenagem aos pioneiros de satélites no Brasil. Mais de 20 entidades – incluindo TELEBRASIL e Sindisat – apoiaram o encontro, que teve o patrocínio da Alcatel-Lucent, Hispamar, Hughes e Telefonica. Alcatel-Lucent, Hughes e Telefonica são associadas TELEBRASIL.
ABTA: ênfase no serviço DTH
Luis Otávio Marchezetti, da ABTA (Associação das Empresas de TV por Assinatura) e diretor de Engenharia da Sky, disse que o serviço de televisão DTH (Direct to Home) consegue cobrir 45 milhões de domicílios, com antenas de 45 a 60 cm. O principal concorrente do DTH são as oito milhões de parabólicas que recebem sinais na Banda C. Reconheceu que satélites são essenciais para o mercado de televisão. O DTH, que nasceu em 1994 nos EUA, chegou ao Brasil em 1996.
A partir de 1997, surgiram os serviços interativos via satélite e deu-se a fusão das operadoras Direct TV e Sky. Em 2008, surgiu a televisão de alta definição via satélite. Do ponto de vista comercial, o DTH – que detém 33% do mercado de TV por assinatura – é vantajoso se for considerado o número de canais veiculados e de domicílios atendidos. O serviço DTH oferece pacotes mais sofisticados para as classes econômicas A e B e mais econômicos para a classe C. O DTH é aplicável à educação remota e a serviços de comunicação corporativa.
Durante o debate que se seguiu, afirmou-se que não há mais como bloquear para a população os sinais de televisão via satélites na Banda C. A população já se acostumou a receber gratuitamente programas em suas parabólicas espalhadas pelo País. A Anatel considerou ser este um item importante e lembrou que deve ser considerado o impacto da televisão via satélite para a integração nacional.
Petrobras: satélites para as plataformas
A gigante do petróleo brasileira foi representada no seminário pelo gerente de Telecomunicações, Firmiano Ramos Perlingueiro. Lembrou o palestrante que a Petrobras deve chegar a 2020 como uma dentre as cinco maiores empresas do mundo. De 2009 a 2013, estão previstos US$ 174 bilhões de investimentos. Foi a Lei 2.004 de 1953, assinada por Getúlio Vargas, que criou a Petrobras. A empresa, hoje, se vê como um conglomerado voltado para a energia e não apenas para o e petróleo.
A estatal bateu, em 2009, um recorde diário de produção de petróleo no Brasil com 2,012 milhões de barris. Possui 109 plataformas de exploração e refina 2 milhões de barris/dia. Segundo dados de 2006, teve um faturamento de US$ 72,3 bilhões de dólares, possui 63 sondas de perfuração sendo 44 marítimas, 12.895 poços produtores, 109 plataformas de produção, 16 refinarias, 31.089 km de dutos e 5.870 postos de combustível e ainda investe na área de combustíveis renováveis e em pesquisa como o biodiesel e o biogás.
Na área internacional, o Cone Sul é prioritário para a Petrobras, que opera na Argentina e Golfe do México, tem refinarias no Japão e EUA, e atua também na África. As telecomunicações da Petrobras foram integradas numa grande rede multisserviços com tecnologia IP e MPLS (Multiprotocol Label Switching). A rede deve levar em conta duas situações: as aplicações sensíveis ao atraso (como na videoconferência) e as sensíveis à perda de pacotes (como para processamentos sísmicos).
A tecnologia de satélites é importante para a Petrobras, pois possui um tempo de reação rápido para a sua implantação, o que representa uma vantagem como no caso de plataformas para a pesquisa e exploração como do pré-sal e em águas profundas.
GESAC: foco na entrega de mais 12 mil pontos
Heliomar Medeiros, diretor do GESAC (Governo Eletrônico Serviço de Atendimento ao Cidadão) do Ministério das Comunicações (Minicom), explicou que o objetivo do programa é disponibilizar o acesso à Internet e mais um conjunto de outros serviços de inclusão digital para as comunidades “excluídas”. Segundo dados de agosto de 2007, eram 3,5 mil pontos de presença do GESAC.
O programa está levando conexão de Internet a milhares de escolas públicas do Brasil. O GESAC ainda conecta com outros 7 mil telecentros instalados em bibliotecas, associações civis e militares, aldeias indígenas, quilombolas e pontos de cultura. O Minicom pretende ampliar o programa para pelo menos 25 mil pontos até 2010, visando levar banda larga a todos os municípios do País. O Ministério está focado em implantar proximamente mais 12 mil pontos.
Lembrou o palestrante medidas tomadas pelo Governo na direção da universalização dos serviços. Houve a troca da obrigação de implantar 8,4 mil PSTs (postos de serviços de telecomunicações) do PGMU (Plano Geral de Metas de Universalização) por infra-estrutura de banda larga em todo o Brasil. Até 2010, deverão estar conectadas a 1 Mbit/s, 56 mil escolas urbanas. No leilão do serviços móveis de terceira geração, os blocos ofertados incluíram localidades comercialmente mais e menos favoráveis. Será reativado o leilão para a faixa de 3,5 GHz (Wi-Max), cancelado em 2006.
Brasil: Broadband to Rural America over Satellite Integratede Links
O palestrante Harald Skinnemoen tratou do Projeto Brasil, um acrônimo feito para lembrar a utilização de enlaces integrados via satélite para levar banda larga para as regiões rurais da América Latina, no âmbito do sexto Programa da União Européia em favor de promover o padrão tecnológico DVB-RCS (Digital Video Broadcasting – Return Channel via Satellite).
Disse o palestrante que Noruega e Brasil assinaram, em 2008, um memorando de entendimento para o Fundo Amazonas de Proteção ao Meio Ambiente, envolvendo US$ 100 milhões para projetos sobre o clima, mas que nada ainda foi finalizado em relação ao agreement.
Harald Skinnemoen mostrou com slides o que as ligações por satélite podem fazer em caso de emergências em regiões distantes, misturando técnicas de localização com GPS, de comunicação celular e de software. O tempo de resposta em situações emergenciais em localidades e regiões remotas é um fator vital que pode ser melhorado por intermédio da implantação de um sistema que apresentou.
AEB: Alcântara tem vantagem competitiva
Carlos Ganem (ex-Finep, ex-CTB e Embratel), presidente do Conselho Superior da AEB (Agência Espacial Brasileira), autarquia vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MC&T) – criada em 1994 juntamente com o PNDAE (Plano Nacional de Atividades Espaciais) –, iniciou sua palestra keynote lembrando as grandes dimensões do País: 8,5 milhões de km2; 8 mil km de costa marítima e 180 milhões de pessoas com necessidades em alimentação, proteção e comunicação.
Afirmou o palestrante que temos capacitação para a inovação tecnológica incremental ou radical. Só o cadastro da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), uma empresa pública ligada ao MC&T, registra 85 mil profissionais. Todavia, no âmbito das autoridades financeiras e do Legislativo, não se dá mérito à inovação tecnológica – cultura, ciência e inovação não são temas privilegiados – para um país que possui excelentes universidades e institutos de tecnologia.
– Satélites para navegação, observação da Terra e telecomunicações; centros de imagem; e foguetes podem ser um excelente negócio para o País” – defendeu Carlos Ganem. Dezesseis países já procuraram a AEB visando parcerias. A atividade do agronegócio gera em média um valor agregado de US$ 0,20 por kg; um avião, US$ 10 mil por kg; e um satélite, US$ 50 mil/kg. Com o CBERs (China-Brasil Earth Ressource Satellites), inaugurou-se uma cooperação na área espacial de sucesso entre países emergentes.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais tem 70% de seu orçamento proveniente da AEB. O Inpe, do MC&T; e o Departamento de P&D (DEPED), do Comando da Aeronáutica (COMAer), do Ministério da Defesa, respondem pela execução do PNAE (Programa Nacional de Atividades Espaçais), cujo orçamento em 2008 foi de R$ 182 milhões (44% para satélites e aplicações e 16% para lançadores).
Desde do início de 2000, o País discute o Projeto SGB (Satélite Geoestacionário Brasileiro). Em 2006, a parceria entre o CPqD (Fundação de P&D), o CTA (Centro Técnico da Aeronáutica) e a Atech (fundação de 1997 e nascida com o Sivam) entregou ao Ministério da Defesa as especificações do projeto. Os objetivos do SGB – com três artefatos em teste até 2009 – são voz e dados para tráfego aéreo e para informações sigilosas de governo, defesa e a segurança nacionais, além de oportunidades para a indústria brasileira, universidades e centros de pesquisa.
– O Conselho Superior da AEB (21 membros do Governo) precisa ainda se manifestar sobre o assunto do SGB, ainda em 2009 – observou o presidente Carlos Ganem. Ele elogiou a posição (2º 18′ S) do centro lançador de Alcântara, no Maranhão – “uma melhor posição que a da Guiana e um dos 14 centros operacionais no mundo” –, que economiza até 30% de combustível para colocação de objetos em órbita.
Estão mantidos 8,7 mil Ha para a área de lançamento do VSL (Veículo Lançador de Satélites) brasileiro em Alcântara (MA), base em que ocorreu (em 22/08/2003) acidente no lançamento de um VLS-1 (envia 200 kg a 600 km), em que pereceram 21 pessoas, inclusive especialistas. O VLS-1B envia 600 kg a 800 km).
A Alcântara-Cyclone Space (ACS), parceria entre o Brasil e a Ucrânia, trabalha no Cyclone-4 (1,6 t em órbita de transferência geoestacionária). “Em dez anos, a base de Alcântara terá demonstrada sua vantagem competitiva”, afirmou Carlos Ganem, enfatizando que a AEB quer adensar a cadeia produtiva e criar um mercado de lançamento para o Brasil. A AEB é um projeto do Estado brasileiro e transcende governos.
Encerramento
Encerraram o seminário seus promotores, pela ACRJ, Luiz Guilherme Schymura; e pela Telecom, Roberto Aroso Cardoso. Ambos registraram a riqueza das apresentações cujo temário correu por conta do consultor José Cristovam, da empresa Unisat, que organizou o evento. Ambos agradeceram aos patrocinadores e aos apoiadores do evento, que contou com cerca de 200 participantes.
Seguiu-se ao seminário um almoço – no recém-inaugurado espaço Moreira Leite, da ACRJ –, em homenagem aos pioneiros que colocaram o Brasil, em 1963, dentre os cinco primeiros países no mundo a falar através de satélites, como parte do Projeto Relay I da Nasa (Agência de Aeronáutica e Espaço).
Os pioneiros Carlos Henrique Moreira, João Carlos Pinheiro da Fonseca, Rômulo Villar Furtado e Marcello Peixoto Ribeiro receberam o diploma “Visconde de Mauá”, da ACRJ, e a medalha “General Rondom”, da AB Telecom, que também outorgou diplomas de mérito aos engenheiros pioneiros Almir Ferreira da Costa, Benjamin Sankievicz, Carlos Martius Magalhães Costa e Nicholas Brooking. Participaram da homenagem, dentre outros, o ex-ministro Quandt de Oliveira (presidente do CC da Telecom), Roberto Aroso Cardoso (presidente da Telecom) e Luis Guilherme Schymura (presidente do Conselho Empresarial de TCs da ACRJ).
Ao falar pelos pioneiros, João Carlos Pinheiro da Fonseca lembrou Louis Pasteur, quando registrou que “a inovação aparece para quem está o lugar certo, no momento certo e estiver preparado”. (JCF)

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Rio, 25 de março de 2009

A primeira parte com a cobertura de “Satélites impulsionando o desenvolvimento do País”. O evento, organizado pela Telecom e ACRJ, ainda homenageou os pioneiros de satélites no Brasil.

SATÉLITES
Evento no Rio discute, com sucesso, como os satélites impulsionam o desenvolvimento do País – I
Anatel, Ministérios das Comunicações (GSAC), da Ciência e Tecnologia (AEB) e da Defesa (C&T) e setor privado debateram no Rio de Janeiro, em 13/03/2009, o tema “Satélites impulsionando o desenvolvimento do País”. A iniciativa foi da AB Telecom e da ACRJ e incluiu almoço em homenagem aos pioneiros de satélites no Brasil. Mais de 20 entidades – incluindo TELEBRASIL e Sindisat – apoiaram o evento, que teve o patrocínio da Alcatel-Lucent, Hispamar, Hughes e Telefonica. Alcatel-Lucent, Hughes e Telefonica são associadas TELEBRASIL.
No amplo saguão de entrada do Palácio do Comércio, sede da Associação Comercial do Rio de Janeiro, onde ocorreu o evento, em contraste com o busto em bronze de D. João VI, uma moderna parábola de 1.80 m (Hughes), em montagem off-set, e um grande banner descritivo do evento introduziam o clima do seminário sobre satélites, que transcorreu no Centro de Estudos Sociais e Econômicos no subsolo, totalmente tomado por participantes.
O presidente da ACRJ, Olavo Monteiro de Carvalho, ao dar boas-vindas, destacou o trabalho do Conselho de Telecomunicações da casa, presidido por Guilherme Schymura (ex-presidente da Anatel). Este enfatizou a importância das telecomunicações para o desenvolvimento do País. Roberto Aroso Cardoso, que participou da abertura, e José Cristóvam (Unisat), respectivamente, presidente e diretor da AB Telecom, mediaram o encontro. Em destaque, a figura do ex-ministro das Comunicações Euclydes Quandt de Oliveira, presidente do Conselho Consultivo da Telecom.
Anatel: incentivo a ERBs em aeronaves
A Anatel foi representada pelo superintendente de Serviços Privados e pelo gerente geral de Serviços Globais, respectivamente, Jarbas Valente e João Carlos Albernaz. Enfatizaram os reguladores que, na área satelital, o Brasil pratica preços competitivos – o valor do MHz caiu dez vezes – e é operacionalmente eficiente. O País detém 2% do mercado de satélites no mundo e mais da metade (58%) na América Latina. O País possui 17 posições orbitais coordenadas junto à UIT e pode pedir prorrogação de prazo para sua ocupação mandatária, caso não utilize alguma delas.
São três operadores de satélites no País – todos com sede no Rio de Janeiro –, com oito (em breve nove) artefatos geoestacionários brasileiros. O quadro se completa com quase 50 artefatos estrangeiros, autorizados pela Anatel a operar com o Brasil e que incluem três sistemas não estacionários (Iridium, GlobalStar e Orbcomm). Do lado da oferta, o mercado satelital brasileiro se caracteriza por uma grande empresa dominante, disse a Anatel. O Brasil privilegia a utilização das Banda C e Ku.
O mercado satelital está em expansão para acomodar o filão das comunicações móveis. Previram os especialistas que, até 2012, cada brasileiro estará dotado de seu próprio celular. As aplicações satelitais em telefonia, rastreamento, banda larga e estações a bordo de navios também vão continuar crescendo.
Satélites são importantes para a integração social e digital, como demonstra o programa governamental GESAC. O País conta com um parque de 20 milhões de parabólicas instaladas. A Anatel e a UIT estão incentivando a colocação de estações radiobase móveis (ERBs) a bordo de navios e aeronaves, com as operadoras provendo o necessário roaming (interconexão) sateliltal.
O Brasil, via Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), utiliza dois satélites próprios (SCD 1 e 2 para coleta de dados) e um satélite CBERS-2B (China-Brasil Earth Ressource Satellites), lançado em 2007 numa parceria com a China (responsável pelo lançamento do artefato). Há também o PREP (Programa de Rastreamento de Embarcações Pesqueiras) via satélite, coordenado pela Marinha do Brasil e de adesão obrigatória para todo pesqueiro estrangeiro. Futuros sistemas de radionavegação vão envolver GPS (Global Positioning Systems), ESV (Earth Station on Vessels) e VMES (Vehicle Mounted Earth Station).
Para o futuro, prevê a Anatel regular a revenda de capacidade satelital; atacar o assunto da representação legal; e atualizar a regulamentação do Serviço Móvel Global por Satélite (SMGS). Deverá fazer, em breve, chamamento público para novos satélites brasileiros e ocupação de posições orbitais.
Durante o debate com a platéia, a Anatel explicou que para municípios abaixo de 30 mil habitantes o compartilhamento da infra-estrutura é mandatário. Há a idéia também do estabelecimento de uma “remuneração diferenciada” na TURL (Tarifa de Uso da Rede Local) para incentivar as telecomunicações em áreas difíceis do País. O assunto do SGB (Sistema Geoestacionário Brasileiro) é da AEB (Agência Espacial Brasileira).
Ministério da Defesa: projeto Siscomis
O contra-almirante Maurílio Euclides Ferreira da Silva, diretor de C&T do Ministério da Defesa, explicou que o “Sistema de Comunicações Militares por Satélite (Siscomis) é uma estrutura militar de guerra, com a participação das forças armadas combinadas”. Em tempo de paz, possibilita ao “país estar preparado para os tempos de guerra”.
O Sistema já considera a otimização alcançada com a integração das redes de comunicação dos três comandos militares (Marinha, Exército e Aeronáutica). O ano de 1994 viu a chegada da Banda C (4 GHz) para o Siscomis e, em 2000, o da Banda X (8 GHz), que Ferreira da Silva qualificou de “confiável e excelente”. Brasília abriga o comando superior do Siscomis. O teatro naval fica no Rio de Janeiro e o das operações terrestres, em Curitiba. Ainda a considerar as cidades de Campo Grande e Belém (com mais capacidade na Banda X).
O Siscomis, hoje, possui 23 estações terrenas transportáveis (serão 28) com oito (previsão de 11) em navios, compreendendo o porta-aviões São Paulo. O sistema também opera na Banda Ku, em apoio à navegação fluvial. Atualmente, no Siscomis, são 1619 canais via satélite que interligam 387 organizações militares. A cobertura do sistema envolve do Caribe (há uma estação no Haiti) à Antártida. Até 2015, há uma previsão de se chegar a 150 estações terrenas.
Além da Banda X (8 GHz) de uso militar, são utilizadas a Banda L (1,5/2,5 GHz) para uso aeronáutico e naval, a Banda Ka (17/21 e 27/31 GHz) para veículos aéreos não tripulados e a Banda Ku (14 GHz) para uso fluvial.
Abrasat: um olhar sobre o Intelsat
O presidente da Abrasat (Associação Brasileira das Empresas de Telecomunicações por Satélites), Manoel de Almeida, com uma vida dedicada ao mundo dos satélites, deu enfoque histórico à sua palestra.
Em seguida às experiências pioneiras da Nasa (Agência Nacional de Aeronáutica e Espaço) com o Relay e Telstar, em 1963 – nas quais o Brasil participou –, foi criado, em 20/08/1964, por iniciativa norte-americana, o International Telecommunications Consortium, conhecido como Intelsat.
No ano seguinte, o Consócio lançou o primeiro satélite síncrono, Early Bird (pássaro madrugador), rebatizado de Intelsat I, a que seguiu, em 1969, o Intelsat III cobrindo a região do Índico. Em 20/06/1969, foi o Intelsat que mostrou para o mundo inteiro as históricas imagens de TV com a chegada do homem (Neil Armstrong no módulo lunar Eagle da Apollo 11) à Lua. “O satélite por sua onipresença sempre teve a característica da televisão”, comentou Manoel de Almeida.
A Embratel, ainda como operadora estatal, lançou em 08/02/1985, da Base de Kouru, na Guiana Francesa, o “satélite doméstico” Brasilsat A1, a que se seguiu o Brasilsat A2 (28/03/1986). Inicialmente, a vocação natural dos satélites de comunicações foi a de interligar continentes e efetuar entroncamentos de suas telecomunicações. Satélites de maior potência e pay load, “iluminando” o solo com sinais mais intensos, fizeram surgir as estações VSATs (Very Small Aperture Antenas) e o serviço DTH (Direct to Home).
– O satélite agora atende ao usuário em todo o lugar e não apenas serve para uso em lugares remotos – observou o palestrante, que também representa o Intelsat no Brasil, acrescentando que “o celular via satélite dá um bom casamento e a solução rádio Wi-Max com satélite é campeã”. Analisando o mercado, disse Manoel Almeida que “satélites estão partindo para soluções regionais, otimizando o uso de banda e utilizando a Banda Ka”.
Abert: satélites para interiorização da TV digital
Proferiu palestra pela Abert (Associação Brasileira de Rádio e Televisão) Liliana Nakonechnyj, diretora da TV Globo e presidente da SET (Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão).
Desde os primórdios, televisão e satélites estiveram interligados. Nos anos 1981 e 1982, a televisão começou a ser feita “ao vivo”, graças a utilização de satélites. As imagens da Copa do Mundo de 70 e as Olimpíadas de Munique (1972) foram transmitidas por satélites, via Embratel.
Explicou Liliana Nakonechnyj que os mecanismos de compressão de vídeo digital revolucionaram a televisão. “Geradora” caracteriza quem produz programas locais e “retransmissora” quem retransmite a programação recebida. A televisão é um serviço de natureza local, cujo conteúdo é somente para aquela localidade. O mecanismo de “cabeça de rede” intervém, ao se tratar de programas nacionais divulgados em cadeia.
Satélites são utilizados em televisão para distribuição nacional e regional de programas, num esquema ponto-multiponto e para levar “contribuições” para localidades remotas. Satélites são importantes para a interiorização da TV digital, queixou-se Liliana Nakonechnyj quanto à interferências causadas pelo uso do Wi-Max em 3,5 GHz sobre a recepção satelital da Banda C. (JCF)

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