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A CPMF e o IOF: nuances da Economia Real e da Economia Monetária

janeiro 5, 2008

Costumo sempre ressaltar aos meus alunos a necessidade deles entenderem as nuances não de uma só Economia, mas sim de duas Economias: a Economia Real (que lida com produtos e serviços tangíveis e digitais do nosso dia-a-dia) e a Economia Monetária (que lida com ativos monetários, ou financeiros).

O recente debate que o país vivenciou (a decisão da não-prorrogação da CPMF-Contribuição Provisória de Movimentação Financeira, e as recentes medidas fiscais para compensar o fim da CPMF, tais como o aumento de tributos, como o IOF– Imposto de Operações Financeiras), mais uma vez reforça a minha crença de que o cidadão comum tem que entender um pouco mais as nuances destas duas Economias que são interligadas (a Real e a Monetária).

Sem querer abusar do economês, basta que se observe as duas figuras abaixo para entender o que estou dizendo.  As figuras vêm da Macroeconomia, onde ensinamos o diagrama ISxLM (um pouquinho complicado, mas fácil quando bem transmitido, o que talvez não seja o caso aqui, mas vale a intenção!), cuja explicação consta nas figuras.

Figura 1

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Figura 2

slide2.jpg

Como entender a reação dos mercados à atitude do governo brasileiro de aumentar o IOF?  Os mercados (principalmente o mercado futuro de juros da Bolsa de Mercadorias e Futuros- o maior pregão privado do país) aprovaram as medidas fiscais recentes porque entenderam que o pacote fiscal irá aliviar a carga hoje deixada nos ombros da política monetária do Banco Central.

Ou seja, o pacote atinge o consumo (o refreia um pouco), ajuda a combater a inflação e pode tornar mais remota a hipótese de o COPOM-Comitê de Política Monetária do Banco Central ter que subir a taxa de juros SELIC (o que afetaria o ritmo de crescimento dos investimentos, e da economia como um todo).

Em resumo, trocou-se a Política Monetária (que afeta diretamente da Economia Monetária) pela Política Fiscal (diretamente ligada à Economia Real).  O efeito combinado compensa uma pela outra.

Mas isso só tem mais efeito no que nós chamamos de curto-prazo.  O que falta perceber neste governo que aó está é o que ele pensa sobre a Economia no longo-Prazo.  E sobre isso estou vendo muito pouco!


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