Sebastian Edwards, chileno de nascimento, e hoje cidadão americano, é um dos grandes nomes da Economia Internacional. Atualmente é Henry Ford II Professor of International Economics na Universidade da Califórnia, em Los Angeles. Entre tantas posições ele já foi o Economista Chefe para a Região da América Latina e o Caribe do Banco Mundial (sua página na Internet pode ser vista aqui).
Prof. Edwards acaba de publicar um texto para discussão no National Bureau of Economic Research- NBER, dos EUA, com o título acima. O artigo é impactante, em função da experiência que o Prof. Edwards tem com os problemas econômicos da América Latina, bem como pelas suas previsões.
Neste trabalho ele usa dados históricos para analisar a relação entre crises e crescimento na América Latina. Ele calcula em quanto o PIB per capita da região foi reduzido como uma consequência das recorrentes crises externas. Ele analisa também os determinantes das maiores crises das balanças de pagamentos. A principal conclusão a que ele chega é que é improvável que a América Latina irá, na média, experimentar uma grande melhoria no crescimento de longo prazo no futuro.
Ele acredita que é possível que alguns países irão ter algum progresso em se aproximarem dos países desenvolvidos. Mas isto, no entanto, não será a norma; para ele a maioria dos países da América Latina está fadada a ficar para trás em relação aos países da Ásia e outras nações emergentes.
Mas nem tudo é cinzento . Sua análise também sugere que poucos países da América Latina estarão sujeitos ao tipo de crises catastróficas que afetaram a região no passado. O futuro da América Latina será um de, segundo suas palavras, “No crises and modest growth”, ou seja, sem crises e com crescimento modesto.
Até aí nenhuma novidade, pois no Brasil estamos patinando em termos de crescimento econômico há tempos, como temos argumentado recorrentemente neste blog. A questão é que estamos perdendo tempo demais. Já estamos no 5 ano de um governo que prometeu muito e até agora pouco demonstrou. Apontar que estamos bem “como nunca estivemos” não é mérito deste, mas de vários governos recentes.
Acontece que nós temos que gerar crescimento sustentado e riqueza rápido para podermos, pelo menos, atenuar os graves problemas que hoje nos afligem muito: desemprego, violência, péssima educação, e por aí vai. Mas com a atual carga de impostos, de burocracia infindável, com uma incerteza jurisdicional evidente (com o poder Legislativo sendo agora ofuscado pelo Judiciário em várias questões), fica muito difícil acreditar que o Prof. Edwards está errado !
PS: A tabela 1 do Prof. Edwards abaixo é um exemplo claro de como a América Latina está perdendo o bonde da história !
