Arquivo da categoria ‘Crescimento Econômico’

Sr. Florida e o Mega ceticismo

Abril 13, 2008

O Prof. Richard Florida, que se notabilizou por ter escrito o livro “The Rise of the Creative Class” (O Surgimento da Classe Criativa), tentou extrapolar seu esfera de influência e procurou argumentar, no Wall Street Journal de ontem, sobre o surgimento da “Mega Region” (Mega Região).

Até aí tudo bem, pois nada desqualifica a observação da existência destas grandes regiões.  Só que não satisfeito com isso, ele achou de argumentar que a “driving force of the world economy” (a força motriz da economia mundial) era a “mega region”.

Resultado: levou uma crítica irônica do Prof. Paul Krugman, um dos maiores especialistas do mundo em Geografia Econômica contemporânea. 

Eis aqui, abaixo, a pequena, mas mordaz crítica de Krugman no seu blog, que é um dos mais lidos do mundo! (Só ficou um pouco deselegante quando Krugman escreve: …. Richard Florida, who knows. (perguntando, num tom arrogante bem ao estilo de Krugman, quem é este!) 

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Mega skepticism

Interesting contrast. Yesterday I read Glaeser and Gottlieb, on what models of economic geography can tell us about appropriate government interventions. Their answer, in short, is not much: there are cross-cutting effects, and simple ideas like “help weak regions” or “promote density” are poor guides.

Today I read Richard Florida, who knows.

Overall, I’ll go with ignorance.

It’s not at all clear to me that world competition is between mega-regions.

I’d say that there are two things that arguably define an economic unit for the purposes of economic geography. One is labor mobility: a region over which there’s high mobility of labor will be a region in which everyone with the same set of skills is paid more or less the same real wage (which may differ in money terms because of differences in the cost of living etc.). By that definition, the United States as a whole is the relevant unit: workers are as mobile between Chicago and Boston as they are between Baltimore and Boston.

The other definition is the reach of spillovers — positive externalities, for the econowonks. That’s probably much more localized: there’s a reason investment bankers cluster in expensive Wall Street or City of London locations. But again, it’s hard to see that this makes the Northeast Corridor, as opposed to individual metro areas within the corridor, a relevant unit.

So much as I might like to assert that I belong to a truly defining entity called Aceleland, I don’t think that’s a case you can make.

Riqueza Comum

Março 17, 2008

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O economista Jeffrey Sachs, Professor de Desenvolvimento Econômico e Diretor de The Earth Institute da Universidade de Columbia, EUA, acaba de publicar um novo livro, cujo título é Common Wealth (Riqueza Comum).

O livro foca em quatro desafios para as próximas décadas: o aquecimento global e a destruição ambiental, a estabilização da popualção mundial, o fim da extrema pobreza, e a quebra das barreiras políticas que impedem a cooperação global nestas questões.

Good Capitalism, Bad Capitalism

Março 12, 2008

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Recebi da designer da Creativante, Amanda Costa, a referência de um livro que eu sabia que estava sendo escrito pelo Prof. William Baumol (que estudei bastante no doutorado sobre sua Teoria dos Mercados Contestáveis), mas não sabia que já havia sido publicado.

O livro se intitula “Good Capitalism, Bad Capitalism and the Economics of Growth and Prosperity” (Bom Capitalismo, Mau Capitalismo e a Economia do Crescimento e da Prosperidade), escrito tanto pelo Prof. William Baumol (um craque), quanto pelos Professores Robert E. Litan, and Carl J. Schramm .

A referência poderia ter sido recebida por mim como mais uma daquelas que entro em contato no dia a dia. Mas ela tem um toque diferente. Primeiro porque o livro foi colocado na web tanto à venda quanto totalmente grátis, no formato wiki (uma belíssima idéia da Yale Academic Press), ou baixado em formato pdf.

Ou seja, um excelente livro para estudantes ou não da área de Economia!

Para CVM, país ainda precisa ampliar base de empresas abertas

Dezembro 19, 2007

Nunca concordei tanto com uma diretriz de política quanto estou concordando com a Presidente da Comissão de Valores Mobiliários- CVM, Maria Helena Santana.

Em entrevista de página inteira hoje no Valor Econômico, Maria Helena Santana defende que o momento não é de regular questões sofisticadas, mas educar e levar a discussão da governança a cada vez mais empresas e também às escolas, para melhorar o preparo das empresas e a capacitação dso profissionais para lidar com as exigências da atual realidade do mercado de capitais.

O título deste post, que é o título da matéria, resume bem a entrevista!

Matéria imperdível!

Offshoring reverso

Julho 10, 2007

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Deu no blog Influencepeddler e repercutiu bastante:

“O crescente custo dos salários dos engenheiros em Bangalore levou a que pelo menos um start-up no Vale do Silício poupar dinheiro ao fechar seu centro de engenharia indiano e trazendo os empregos de volta à Califórnia.

Enquanto este “reverse offshoring” permanece não-usual, ele aponta para uma crença maior na indústria de tecnologia dos EUA de que as poupanças que levaram empregos de engenharia de software à capital de tecnologia da India estão se erodindo rapidamente.

Like.com, uma companhia de engenho-de-busca que usa software de reconhecimento de imagens para encontrar fotos na web, tomou a decisão de encerrar atividades na India depois de ver os salários dos top engenheiros em alguns casos subirem aos níveis dos americanos.

“Os salários em Bangalore estão crescendo feito loucura,” Munjal Shah, chefe executivo, reclamou num post do blog. Nos próximos poucos meses, Like.com teria que subir o salário de um de seus engenheiros em Bangalore para 75 % do nível dos EUA, mesmo que o mesmo engenheiro ganhasse somente 20% de um equivalente baseado nos EUA dois anos atrás, disse Mr Shah.

A NASSCOM, associação de empresas de software da India, discorda desta alegação mas não nega que há escassez de talentos em TI (ver matéria no Finantial Times aqui). ”

Esse movimento era previsível (e se ainda não se cristalizou, não demorará muito!).  Eu mesmo estabeleci aqui neste blog (no dia 17/01/2007) uma modelagem apontando para a subida do preço do capital humano de TI (o exemplo era para o Brasil, mas vale também para este caso da India). 

Em outras condições, o Brasil poderia tirar partido dessa onda de offshoring reverso; mas como o país entrou numa onda de perder o bonde da história, dificilmente poderá tirar vantagem disso!

China 2.0

Junho 30, 2007

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“Agora vem a China 2.0 

Esqueça Google e Yahoo.  As ações de companhias chinesas da Internet estão verdeiramente no fogo, e os analistas vêm mais coisas pela frente”.

Esta é uma excelente matéria que saiu dia 28/06 na CNNMoney.com.  Mais detalhes aqui!

Perspectivas do Investimento: 2007/2010

Junho 21, 2007

Livro 

Técnicos do BNDES-Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social lançaram um livro intitulado “Perspectivas do Investimento: 2007/2010” (você pode baixá-lo aqui).

O livro traz uma visão otimista (um tanto quanto superestimada na minha opinião) do desenvolvimento brasileiro, considerando um tema importante, mas de difícil tratamento: o investimento.  A mensagem implícita é que estamos “a caminho do crescimento sustentado”.

Democracia, Tecnologia e Crescimento

Junho 15, 2007

Nber 

Acaba de sair do “fogão” (no National Bureau of Economic Research-NBER dos EUA) um interessante artigo de três feras da economia americana, Phillipe Aghion, Alberto Alesina e Francesco Trebbi, intitulado “Democracia, Tecnologia e Crescimento” (você pode baixar aqui).

O artigo explora a questão de como instituições políticas, e particularmente a Democracia, afetam o crescimento econômico.  Apesar da evidência empírica de um positivo efeito na performance econômica no agregado ser fraca, os autores oferecem evidência de que a Democracia influencia o crescimento da produtividade em diferentes setores diferentemente, e que este efeito diferencial pode ser uma das razões da ambiguidade dos resultados.

Eles oferecem evidência de que direitos políticos contribuem para o crescimento de setores mais avançados de uma economia, enquanto eles não têm importância ou têm um efeito negativo no crescimento em setores distantes da fronteira tecnológica. Um canal de explicação vai através de efeitos benéficos da Democracia e de direitos políticos de liberdade de entrada em mercados.

No geral, Democracias tendem a ter menores barreiras à entrada que Autocracias, porque a prestação de contas política (accountability) reduz a proteção dos interesses investidos, e a entrada, por seu turno, é conhecida de ser, de modo geral, estimuladora de crescimento em setores que estão próximos à fronteira tecnológica. 

Eles apresentam evidência empírica que dá suporte a esta explicação da entrada.

Eis aí um artigo que proporciona a integração, a um só tempo, de três temas de grande relevância contemporânea. Quiçá mais brasileiros possam aprender com o que é oferecido por estes autores!

Pronunciamento de uma Parlamentar sobre um argumento deste escriba

Junho 1, 2007

Caros Leitores,

Tomo a liberdade de reproduzir aqui neste blog um pronunciamento de uma Parlamentar, a Deputada Terezinha Nunes (do PSDB de Pernambuco), na Assembléia Legislativa de Pernambuco, sobre um argumento que vimos expondo recentemente sobre o empobrecimento relativo do município do Recife:

“Recife cresce menos

Pronunciamento da Deputada Terezinha Nunes
( 31/05/2007)

Há poucos dias, ocupamos esta tribuna para falar do crescimento do interior de Pernambuco, o que pôs por terra uma tese defendida na última campanha eleitoral, a de que o interior estava abandonado e só a Região Metropolitana crescia.

Hoje voltamos ao assunto, agora no sentido contrário. O de demonstrar nossa preocupação com outra questão, inversamente proporcional ao crescimento que vem se observando no interior do estado. É a involução econômica crescente que vem sendo verificada na cidade do Recife.

Segundo estudos da Agência Condepe/Fidem, Recife vem perdendo pujança econômica, no que se refere aos demais municípios do estado, desde o ano 2000.

Já há quem fale, como registrou esta semana o professor de economia da UFPE, José Carlos Cavalcanti, na possibilidade de nossa capital estar passando por um fenômeno mais grave: uma recessão.

Se não vejamos. No ano 2000, segundo a Condepe/Fidem, a participação da nossa capital no PIB – Produto Interno Bruto - de Pernambuco era de 32,35%; em 2001 este percentual caiu para 31,65%, no ano 2002 caiu para 31,23%, no ano 2003 caiu para 30,20% e 2004,  caiu para 29,94%.  Não há ainda um resultado oficial do ano de 2005, mas, dificilmente, esta tendência foi revertida. O mesmo estudo citado aponta que nos últimos seis anos o Recife perdeu o equivalente a 5,57% de participação no PIB estadual, o que é preocupante.

Nesse mesmo período o estado de Pernambuco cresceu, em média, 3,2% ao ano. O que isto significa: que Pernambuco avança, mas o Recife involui.

Os economistas costumam dizer que um país, estado ou município se encontra em recessão quando se observa por dois ou mais trimestres consecutivos uma involução econômica. O Recife já se encontra há quatro anos consecutivos em declinio de suas atividades econômicas e, portanto, em recessão.

Ao se analisar com mais profundidade o que vem acontecendo com a economia recifense, observa-se que entre 1998 e 2004, na composição do produto interno bruto da nossa capital foi o setor industrial o que observou perda mais significativa. A indústria, que respondia em 1998 por 35,26% do PIB municipal regrediu para 34,14% em 2004.

Mas, independente dessa composição pormenorizada, o que fica claro, através desses dados, é que, por acomodação, falta de planejamento, ou mesmo descaso em relação ao futuro de nossa capital, o Recife está ficando para trás.

Alguns poderão argumentar que isto é natural já que outros municípios do próprio Grande Recife, como Cabo e Ipojuca, estão sendo beneficiados pelos investimentos no Porto de Suape e municípios interioranos que já citamos aqui como Santa Maria da Boa Vista e Toritama, só para ficar nos anotados como dos que mais crescem no interior nordestino segundo a revista Exame, se encontram em maior dinamismo econômico, reduzindo a importância da capital no nosso PIB.

O que preocupa, porém, não é o fato de outros municípios estarem crescendo mais, até porque se o estado como um todo cresce, e isto vem ocorrendo, todos acabam se beneficiando. Mas é que Recife não venha observando um dinamismo econômico próprio, o que significa piores condições de vida para a sua população. E o impacto imediato de um declínio econômico em um município é, segundo os economistas, a perda do bem-estar de sua população.

Quando aqui desta tribuna rebatia no mês de fevereiro as informações de alguns colegas deputados que, sem informações concretas, diziam que o interior pernambucano estava regredindo, cheguei a argumentar que deputados como eu e outros colegas expressivamente votados no Grande Recife, mas, sobretudo, na capital, iríamos ter que reagir aos que defendiam investimentos só para o interior.

Não imaginava, Sr. Presidente, sras deputadas, srs deputados que, muito mais cedo do que imaginava, isso viesse a ocorrer.  É necessário que, como faço agora, alertemos aos recifenses e cobremos do atual poder municipal providências para reverter esse quadro. Ou, pelo menos, um estudo sobre o fenômeno e pelo encaminhamento de soluções para esta questão.

Sob esse ponto de vista nunca é demais lembrar que nos últimos tempos a Prefeitura do Recife vem se debruçando muito mais sobre a discussão à respeito de shows, de celebrações, de festas, enfim, como se a economia não precisasse ser olhada e cuidada como qualquer outro setor. Não se tem conhecimento nos últimos seis anos de um só projeto do poder municipal, visando o dinamismo da economia recifense, o que é não só preocupante como descabido em uma capital tão importante, historicamente, como a nossa.

Durante a ditadura militar, de triste memória, o então ministro Delfim Neto disse, do alto de sua prepotência, que era preciso deixar o bolo crescer para depois dividir. Claro que estava errado e os efeitos estamos vendo aí com a enorme desigualdade social ainda existente no Brasil, nas é importante ressaltar que se a economia involui, se o município decresce, ao invés de crescer, algo está errado e o resultado é muito ruim para todos.

Pois no bojo disso vem o desemprego, a violência, a falta de perspectiva para uma juventude cada vez mais desiludida e descrente.  Precisamos agir antes que seja tarde e que a involução do Recife não só prejudique a população aqui residente, mas, em efeito cascata, acaba contaminando o estado que tanto trabalho deu para voltar a ficar de pé.
 

O press release do pronunciamento vai abaixo:

DEPUTADA DIZ QUE RECIFE VIVE PERÍODO RECESSIVO PREOCUPANTE

A deputada Terezinha Nunes afirmou ontem (31), em pronunciamento na Assembléia, que a cidade do Recife está enfrentando “um processo de declínio econômico que precisa ser contido para evitar ainda mais problemas para a sua população”. Segundo ela, durante quatro anos consecutivos a capital vem perdendo espaço na formação do Produto
Interno Bruto do Estado.
Com base em informações da Agência Condepe/Fidem, que acompanha o crescimento da economia pernambucana, ela explicou que, enquanto o estado vem crescendo economicamente o Recife está encolhendo ” sem que se verifique qualquer passo dado pelo Poder Público municipal para tentar reverter este quadro que é preocupante”.
- “Pernambuco cresceu, em média, 3,2% de 1999 a 2004 ” disse a deputada, acrescentando, ” mas o Recife não vem acompanhando este patamar. Perde, ano a ano, importância na formação do PIB estadual. Em 2000 a participação da capital no PIB pernambucano era de  32,35%, caindo para 31,65% em 2001; 31,23% em 2002; 30,20% em 2003; e 29,94% em 2004.”
Segundo ela, ” como observou esta semana o professor da economia da UFPe, José Carlos Cavalcanti, um país, estado ou município se encontra em recessão quando se observa por dois ou mais trimestres consecutivos sua involução econômica. Como o Recife já se encontra há quatro anos consecutivos com a economia em declínio vive, portanto, infelizmente, uma recessão”.

A deputada disse que “nos últimos seis anos o Recife perdeu o equivalente a 5,57% de participação no PIB estadual”,
apontando ainda que “foi o setor industrial o que mais perdeu terreno nesse período na capital”.
          

Terezinha alertou que é necessário que todos se debrucem sobre esta questão para encontrar o fio da meada e trabalhar no
sentido de reverter este quadro.   ”Sabemos – afirmou – que o estado crescendo toda a população se beneficia, tanto é que o interior vem experimentando taxas de crescimento jamais vistas, chegando a 10% ao ano em municípios como Santa Maria da Boa Vista e Toritama, mas devemos nos preocupar também com a capital que abriga uma grande população que
sofre com o desemprego e com a violência, dois problemas que só tendem a aumentar se não houver desenvolvimento econômico”.
        

A deputada afirmou que a capital perder espaço para o interior é normal no processo de evolução e deve ser visto como algo significativo mas o que vem acontecendo no Recife não é só isso. Não estamos apenas perdendo importância relativa, a crise é maior. Há uma tendência crescente de perda da importância econômica da capital e que já arrasta por vários anos. É preciso ver isso com cuidado”.
          

” Se a gente estivesse observando essa tendência mas soubesse que providências estão sendo tomadas para mudar a situação tudo bem. O grave, no entanto, é que não se conhece no momento uma idéia concreta, sequer um pronunciamento da Prefeitura sobre esta questão. Espero que o prefeito, tomando conhecimento dessa realidade, nos mostre ou discuta com a sociedade o que deve ser feito de imediato para que o Recife volte a crescer” – concluiu.”

Investir em Educação na Pré-Infância diminui a violência

Abril 12, 2007

Esta afirmação acima parece óbvia mas não é !  Algo que parece que todos concordam é que investir em Educação aumenta as oportunidades dos indivíduos e melhora o bem-estar geral da população.

O que é menos óbvio, salientamos, é investir em Educação na Pré-Infância, que é aquela que vai de 0 a 6 (seis) anos de idade.  Pois bem; eu falava isso quando estava no governo mas não era ouvido (ainda bem que meus alunos gostavam de ouvir !).  Certa vez, não muito distante, numa reunião sobre o tema de Educação na campanha de um político a um cargo majoritário, citei, para uma platéia lotada, que estava com um estudo de um prêmio Nobel em Economia (e co-autorado por outros cientistas, como educadores, psicólogos, neurocientistas) que confirmava os ganhos sociais do investimento em educação na pré-infância.  Resultado: o documento do candidato sequer registrou minha sugestão.  Paciência, pensei; um dia eles vão ouvir !

O tal do prêmio Nobel que eu citava era o Professor James Heckman, vencedor do Nobel de Economia do ano 2.000 (junto com o Prof. Daniel McFadden).  O Prof. Heckman é muito conhecido entre os economistas brasileiros, e vem com frequência ao Brasil, principalmente ao Rio de Janeiro, onde tem colegas na Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas.

O Prof. Heckman vem estudando já algum tempo, entre tantas coisas,  os dados relativos aos investimentos em Educação e o impacto destes na sociedade, principalmente na diminuição da pobreza e da violência.  Nas minhas aulas eu sempre tenho mostrado um gráfico do Prof. Heckman que aponta as taxas de retorno dos investimentos em capital humano em crianças em situação de desvantagem social.  Como é demostrado neste gráfico, reproduzido abaixo, o Prof. Heckman nos ensina que essas taxas de retorno são muito maiores nos programas da pré-infância, seguidos das taxas do período escolar, e, finalmente, nos programas pós-escola, como são os programas de treinamento para o emprego.   Para o bom entendedor, poucas palavras bastam.  Na faixa da pré-infância é onde se obtem as maiores taxas de retorno ! (puxa, como queria que os políticos entendessem isso !).

Pré-infância

 Mas mais recentemente o Prof. Heckman volta à carga e nos brinda com um novo e surpreendente artigo, que pode ser baixado aqui.  Neste artigo ele mais uma vez argumenta em favor dos investimentos nas crianças jovens americanas, e as que nascem em ambientes em desvantagem social.  De acordo com um gráfico que ele aponta (reproduzido abaixo), a percentagem de crianças nascidas, ou vivendo em famílias não-tradicionais (marcadamente de um só pai, ou mãe), cresceu muito nos últimos 30 anos.  Aproximadamente 25% das crianças nascem agora em lares com pais solteiros.  Mesmo que as percentagens das crianças nascidas na pobreza tenham caído recentemente, elas ainda são altas, especialmente entre alguns sub-grupos.

Children

A defesa que ele faz dos investimentos nestas crianças é em termos de produtividade.  Ou seja, faz muito sentido, em termos de produtividade econômica, investir em crianças jovens nascidas em ambientes em desvantagem.  Evidências substantivas mostram que estas crianças são aquelas mais prováveis de cometer crimes, de terem gravidez na adolescência e de abandonarem as escolas.  Portanto, intervenções nesta faixa de idade que possam parcialmente remediar os efeitos dos ambientes adversos, podem reverter alguns dos prejuízos daqueles em desvantagem e têm um alto retorno social.  Eles beneficiam não somente as próprias crianças, mas também seus filhos, e a sociedade como um todo.

O artigo é extenso, complexo, mas a mensagem é simples: investir em crianças na pré-infância pode diminuir muitas mazelas, inclusive a violência (coisa que os políticos parecem não entender!).