Posts de Maio, 2008

Política industrial é o novo nome do caixa do BNDES

Maio 14, 2008

Eu estava para comentar a nova política industrial do Governo Federal, intitulada “Política de Desenvolvimento Produtivo-PDP”, quando me deparei hoje com o editorial do jornal Valor Econômico.

Ele faz uma síntese bastante precisa do que eu poderia afirmar sobre este PDP com as informações que obtive apenas pela imprensa.  Como ainda não tive tempo de me deter sobre o que foi anunciado neste dia 12/05, restrinjo-me hoje a reproduzir o editorial do Valor.

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Política industrial é o novo nome do caixa do BNDES
A segunda versão da política industrial do governo Lula é uma continuação ampliada da primeira, cujos resultados foram escassos. A Política de Desenvolvimento Produtivo anunciada ontem tem traços comuns aos demais programas da atual administração - junta programas antigos, cujo saldo é desconhecido ou inexistente, com novos. É o caso da massa total de recursos que serão destinados ao plano, cerca de R$ 210,4 bilhões até 2010. Esse é praticamente o orçamento integral do BNDES para o período. Neste ponto, o governo Lula se assemelha, ainda que siga caminhos diferentes, ao de Fernando Henrique, que abominava o termo política industrial. Sob FHC, se dizia que a política para desenvolver o país já existia e era feita pelo BNDES.

Há medidas que vão na direção certa, todas elas com o intuito de reduzir o custo de investimentos. É o caso da depreciação acelerada de bens de capital, da desoneração da folha de pagamentos do setor de tecnologia de informação, da redução pela metade do prazo de apropriação do PIS-Cofins e da criação de fundos para investimento em pesquisa e tecnologia. Resta ver se serão executadas de fato, o que exige coordenação e gerenciamento, algo não muito comum até agora.

Não há grandes problemas com o fato de o Estado ser o indutor de políticas de desenvolvimento, como o foi em praticamente todos os países desenvolvidos e em vários emergentes, como a Coréia do Sul. O que é vital é que ele faça as escolhas corretas. Um dos grandes dilemas é o de ter de optar entre políticas setoriais, que alavanquem setores específicos que representariam, em tese, as melhores possibilidades de desenvolvimento competitivo em ramos do futuro, ou entre medidas que dinamizem a economia como um todo. A primeira opção já foi feita, para o mal ou para o bem, nos planos executados pela ditadura militar. A julgar pelo atual grau de sofisticação da indústria e agricultura, há fortes argumentos pela primazia de medidas que removam os obstáculos para os negócios no país - o que se chamava de custo Brasil.

O Brasil não está livre de um apagão logístico, tanto na capacidade de ofertar energia, melhorar e construir estradas para o transporte de cargas, descongestionar e modernizar portos para a exportação e aeroportos para a movimentação de passageiros, além de educação de qualidade para a mão-de-obra do futuro. Se há recursos disponíveis para gastar, essas seriam as áreas básicas, para os quais todo o esforço para atrair investimentos privados valeria a pena. O governo já tem o Programa de Aceleração do Crescimento para isso. Boa parte dos recursos serão bancados pelo BNDES, que agora terá todo o seu orçamento envolvido na Política de Desenvolvimento Produtivo.

A nova política industrial atira para vários lados, desnecessariamente. É o caso da terceira perna dos programas estruturantes que visam a “consolidar e expandir a liderança” de setores que já estão na dianteira do parque produtivo. A eles será destinado “financiamento estratégico”, provavelmente subsidiado, e basta olhar a lista para ver que eles já andam, e muito bem, com as próprias pernas: petróleo e gás, complexo aeronáutico, mineração, siderurgia, celulose, carnes. Todos eles buscaram internacionalização, conseguiram reduzir o custo de financiamento e não necessitam recorrer ao BNDES para obter dinheiro barato. Para um país ainda carente de capitais, financiá-los não faz muito sentido. O governo, ao anunciar uma política que abrange todos os setores, pode ter se recusado a escolher vencedores. Na prática, estará consagrando-os.

O BNDES ampliará o subsídio a seus clientes, com o fim do Imposto sobre Operações Financeiras e a redução de spreads que cobra nos financiamentos. Esse é um dos maiores incentivos do plano. O que parece uma virtude é um defeito. Enquanto os juros sobem para todos os setores da economia, caem para a fatia que consegue ter acesso ao crédito subsidiado estatal. Como no passado, o BNDES tem crédito disponível - o mais barato do país - para as grandes empresas, que já têm a seu dispor financiamento externo de longo prazo a baixo custo. As pequenas e médias empresas ainda estão distante dele, sem falar no quase inexistente aporte a empresas de risco, que podem trazer inovações tecnológicas importantes.

Pai coruja! (4)

Maio 14, 2008

Fujindo da habitual prática de colocação de posts sérios, aqui vai um familiar com os pimpolhos!

   

    

Qual recessão? Qual amasso do crédito?

Maio 14, 2008

Mais um post do blog do Prof. Mark J. Perry sobre a capacidade da economia americana! Cadê os catastrofistas?

What Recession? What Credit Crunch?

 

The chart above (click to enlarge) shows the annual percentage growth rate of the series “Commercial and Industrial Loans at All Commercial Banks,” from the Fed, data available here at the St. Louis Fed. For the last 5 months through April 2008, the growth in business loans has been above 20%, the strongest period of growth in commercial loans since 1973.

Sistema S (da Era dos Serviços)

Maio 13, 2008

“Como tenho manifestado há algum tempo em palestras, em artigos, e em salas de aula, nós estamos vivendo uma Síndrome Macunaíma. De forma breve, Mário de Andrade escreveu seu “Macunaíma: o herói sem nenhum caráter” numa época (início do século XX) em que o Brasil estava saindo da fazenda e se dirigindo para as cidades. E isto implicou numa perda de valores e caracteres (rurais), e num ganho, gradual, de outros (eminentemente urbanos). Daí nosso herói sem caráter algum!

Hoje, com mais de 80% da população já vivendo nas cidades, nós estamos vivendo uma outra síndrome: a necessidade de evoluirmos na aquisição de novos valores e caracteres, que já não são urbano-nacionais, mas sim globais. Precisamos urgentemente formar o cidadão-global (obviamente sem perda daquilo que conforma nossa identidade cultural).

Infelizmente nosso sistema educacional não foi estruturado para essa necessidade! Por esta razão, hoje estamos nos dando conta que este sistema está à beira de um colapso: demos grande ênfase à quantidade/acesso (temos um ensino fundamental praticamente universalizado!), mas estamos muito aquém (pelos parâmetros internacionais) em termos de qualidade/conteúdo, em quase todos os níveis (só a pós-graduação do país é que pode ser considerada “um ponto fora da curva!”). “.

Esta é a introdução ao meu artigo desta semana no blog Acerto de Contas, que você pode acessar aqui!

 

Um enfoque para apoiar projeto de Arquitetura Empresarial

Maio 12, 2008

“À medida que uma empresa cresce em tamanho e complexidade, vários fatores passam a inibir sua habilidade em resolver os problemas que enfrenta. Chega-se a um ponto em que os fatores que são acionados para a estruturação e condução dos negócios da empresa se tornam numerosos e complexos para gerenciar. Quando se trabalha com tais sistemas complexos, os designers (projetistas) que lidam com esta complexidade a dividem em sub-sistemas ou domínios que são menos complexos que os sistemas originais.
 
No caso dos sistemas de informação a abstração usada para lidar com complexidade se chama arquitetura. Uma arquitetura é um sistema de projeto que especifica   como   todas   as   funcionalidades   do   projeto  são  decompostas em componentes individuais funcionais, e o modo como estes componentes irão interagir para oferecer a funcionalidade geral do sistema.  A decomposição da empresa em partes gerenciáveis, a definição destas partes, e a orquestração da interação entre estas partes constituem a arquitetura empresarial.  A orquestração da interação é governada por um conjunto de regras e princípios de projeto, também chamado de arquitetura organizacional do conhecimento.”

Esta é a introdução à newsletter da Creativante desta semana, que você pode acessar aqui!

Ford na Bahia: admirada e invejada!

Maio 11, 2008

Vejam só este post de hoje do blog do Prof. Mark J. Perry!  E imaginem se a GM vem mesmo para Pernambuco!

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Ford’s State-of-the-Art Factory in Camaçari, Brazil: A Model for Ford’s Future. But The UAW Hates It.

 

DETROIT NEWSThis state-of-the-art manufacturing complex in the northeastern Brazilian state of Bahia is not only the centerpiece of Ford’s Brazilian turnaround plan, it is also one of the most advanced automobile plants in the world. It is more automated than many of Ford’s U.S. factories, and leaner and more flexible than any other Ford facility. It can produce five different vehicle platforms at the same time and on the same line.

Watch a fascinating video here of Ford’s Camaçari plant.

So who could possibly object to having the most advanced, leanest, most flexible, state-of-the-art Ford facilities like the Camaçari plant built here in the U.S., especially if it will help Ford survive and become more profitable?

Ford sources said it is the sort of plant the company wants in the United States, were it not for the United Auto Workers, which has historically opposed such extensive supplier integration on the factory floor.

Legislador ruim tem em todo lugar (principalmente os que aumentam impostos)

Maio 10, 2008

Quem foi que disse que só no Brasil é que tem legislador ruim?  E principalmente os que gostam de abocanhar a riqueza gerada pelos outros (através de impostos)?

Pois bem; vejam só o que os legisladores de Massachusetts estão propondo! Eles estão querendo passar legislação para cobrar um imposto de 2,5% ao ano sobre os endowments (os dotes, doações) que as universidades recebem (e detêm) e que excedam US$ 1 bilhão, como a Harvard University, que detém um endowment de US$ 35 bi!

Vejam só (abaixo) o que o Prof. Greg Mankiw está propondo (no seu blog) se isto acontecer!  Se isto ocorrer mesmo, vou enviar um convite à Harvard University para instalar um campus aqui no Recife.  O problema de convites como estes é que a tchurma da oposição num instante se rebelaria criticando a invasão dos ianques, que estariam “solapando o sistema brasileiro de educação superior”!.

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Friday, May 09, 2008

Time for Harvard to Move?

The Wall Street Journal reports one of the most pernicious ideas I have heard of late:

Massachusetts legislators, demonstrating a growing resentment against the wealth of elite universities in tight economic times, are studying a plan to levy a 2.5% annual tax on the portion of college endowments that exceed $1 billion.

The effort takes aim at one of the primary economic engines of the state, which is home to nine universities with endowments that surpass the $1 billion level, led by Harvard University’s $35 billion cache, the nation’s largest….

Supporters said the proposal would raise $1.4 billion a year. Based on the most recent size of Harvard’s endowment, the university would have to shell out more than $840 million annually.

If this were to pass, here is what I would consider:

 

1. Instead of expanding the university into Alston, Harvard could create a second campus in another state. Call it Harvard South. (Put it in a better climate than Boston, and I would be one of the first faculty to volunteer for the move.)

2. Transfer much of the endowment to Harvard South. Support Harvard North by slowly selling off land in Massachusetts.

3. Eventually, make Harvard South the main campus, and Harvard North the satellite. If Massachusetts state lawmakers remain hostile, close Harvard North down entirely.

I have often wondered what the efficient scale of a university is and, in particular, whether it would be better to create a second Harvard with the university’s wealth than to expand the first one. Maybe the Massachusetts state legislature will give the powers-that-be at Harvard an incentive to consider more radical expansion plans.

 

Neuroeconomia

Maio 8, 2008

Um artigo de B. Douglas Bernheim publicado no National Bureau of Economic Research-NBER avalia as perspectivas para o campo emergente da neuroeconomia colocar luz nas questões tradicionais da economias positiva e normativa. O artigo pode ser encontrado em http://www.nber.org/papers/w13954.

O Mito do Eleitor Racional: Por que Democracias escolhem políticas ruins

Maio 6, 2008

“Tomei conhecimento há duas semanas, através do blog do Prof. Greg Mankiw, da Harvard University, do lançamento do livroThe Myth of the Rational Voter: Why Democracies Choose Bad Policies” (O Mito do Eleitor Racional: Porque Democracias escolhem políticas ruins), da Princeton University Press, de 2007. O autor é Bryan Caplan, que é Professor Associado de Economia da George Mason University, nos EUA.

A tese do livro é polêmica, principalmente se transportada, sem a devida mediação, para outros contextos, já que o livro trata essencialmente da vida política dos EUA (e é bom colocar isso diante mão, para que alguns leitores deste blog não partam para a crítica ideológica sem atentar para as circunstâncias que levam um autor a escrever o que escreve!).

Segundo o Prof. Caplan o grande obstáculo para políticas econômicas sólidas não são os interesses de grupos entrincheirados, nem os crescentes lobbies, mas sim as falsas concepções populares, as crenças irracionais, e os viéses pessoais assumidos pelos eleitores comuns. O argumento do Prof. Bryan Caplan é que os eleitores continuamente elegem políticos que ou compartilham seus vieses, ou pretendem compartilhá-los, resultando assim em políticas públicas ruins que vencem novamente pelo voto popular.”

Esta é a introdução ao meu artigo desta semana no blog Acerto de Contas, que você pode acessar aqui!

Sucesso alimenta fracasso

Maio 6, 2008

Artigo do Prof. Paul Krugman em sua coluna de 05/05 em The New York Times:

Success breeds failure

Cross your fingers, knock on wood: it’s possible, though by no means certain, that the worst of the financial crisis is over. That’s the good news.

The bad news is that as markets stabilize, chances for fundamental financial reform may be slipping away. As a result, the next crisis will probably be worse than this one.

Let’s look at the story so far.

After the financial crisis that ushered in the Great Depression, New Deal reformers regulated the banking system, with the goal of protecting the economy from future crises. The new system worked well for half a century.

Eventually, however, Wall Street did an end run around regulation, using complex financial arrangements to put most of the business of banking outside the regulators’ reach. Washington could have revised the rules to cover this new “shadow banking system” — but that would have run counter to the market-worshiping ideology of the times.

Instead, key officials, from Alan Greenspan on down, sang the praises of financial innovation and pooh-poohed warnings about the growing risks.

And then the crisis came. Last August, as investors began to realize the scope of the mortgage mess, confidence in the financial system collapsed.

I believe we’ve been lucky to have Ben Bernanke as Federal Reserve chairman during these trying times. He may lack Mr. Greenspan’s talent for impersonating the Wizard of Oz, but he’s an economist who has thought long and hard about both the Great Depression and Japan’s lost decade in the 1990s, and he understands what’s at stake.

Mr. Bernanke recognized, more quickly than others might have, that we were in a situation bearing a family resemblance to the great banking crisis of 1930-31. His first priority, overriding every other concern, had to be preventing a cascade of financial failures that would cripple the economy.

The Fed’s efforts these past nine months remind me of the old TV series “MacGyver,” whose ingenious hero would always get out of difficult situations by assembling clever devices out of household objects and duct tape.

Because the institutions in trouble weren’t called banks, the Fed’s usual tools for dealing with financial trouble, designed for a system centered on traditional banks, were largely useless. So the Fed has cobbled together makeshift arrangements to save the day. There was the TAF and the TSLF (don’t ask), there were credit lines to investment banks, and the whole thing culminated in March’s unprecedented, barely legal Bear Stearns rescue — a rescue not of Bear itself, but of its “counterparties,” those who were on the other side of its financial bets.

It’s still far from certain whether all this improvisation has resolved the crisis. But it was the right thing to do, and for the moment things seem to be calming down.

So two cheers for Mr. Bernanke. Unfortunately, his very success — if he has succeeded — poses another problem: it gives the financial industry a chance to block reform.

We now know that things that aren’t called banks can nonetheless generate banking crises, and that the Fed needs to carry out bank-type rescues on their behalf. It follows that hedge funds, special investment vehicles and so on need bank-type regulation. In particular, they need to be required to have adequate capital.

But while our out-of-control financial system has been bad for the country, it has been very good for wheeler-dealers, who collect huge fees when things seem to be going well, then get to walk away unscathed — indeed, often with large severance packages — when things go wrong. They don’t want regulations that would stabilize the economy but cramp their style.

And now that the financial clouds have lifted a bit, the pushback against sensible regulation is in full swing. Even the Fed’s very modest proposal to curb abusive mortgage lending with new standards is under fire, and there are worrying signs that the Fed may back down.

Maybe a Democratic sweep in November can revive the cause of financial reform, but right now it looks as if we’ll soon return to business as usual.

The parallel that worries me is what happened a decade ago, after the hedge fund Long-Term Capital Management failed, temporarily causing the whole financial system to freeze up.

Through luck and skill, that crisis was contained — but rather than serving as a warning, the episode nurtured the false belief that the Fed had all the tools it needed to deal with financial shocks. So nothing was done to remedy the vulnerabilities the L.T.C.M. crisis revealed — the same vulnerabilities that are at the heart of today’s much bigger crisis.

And if we don’t fix the system now, there’s every reason to believe that the next crisis will be bigger still — and that the Fed won’t have enough duct tape to hold things together.