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BrT quer mudança na lei para investir em TV

Abril 3, 2008

Eu bem que antecipei aqui neste blog algumas das nuances que estão por trás da compra da BrT pela Oi (ex-Telemar)!  Ou seja, estamos na iminência de presenciar a formação de um grande monopólio privado de telecomunicações a partir de duas monopolistas regionais.

Até aí tudo bem! É um negócio econômico! Mas nós estávamos tratando de uma indústria (praticamente internacional) que fatura R$ 100 bilhões (como é a das telecomunicações) que pode “engolir” outra (como é a do áudiovisual, que ainda é nacional), que fatura R$ 10 bilhões.   Se a primeira se concentra ainda mais (com um grande monopolista privado), a probabilidade de “antropofagia empresarial” é quase certa.  E olhe que a “comida” tem um prato cheio: é a nossa própria cultura que estará sendo comercializada, primeiramente através das televisões por assinatura (que ainda passa pouca coisa nacional), mas logo em seguida virão as televisões abertas!

E eis que a confirmação disto já está em franco curso! Vejam só a matéria que saiu hoje no jornal Valor Econômico com o título deste post, que reproduzo abaixo!

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Talita Moreira
03/04/2008

A Brasil Telecom (BrT) faz planos de investir nos serviços de televisão por assinatura, segmento que pretende expandir e transformar numa unidade de negócios ao longo de 2008.

Se a maré não virar após a provável venda de seu controle acionário à Oi (ex-Telemar), a BrT pretende ampliar para 21 localidades o serviço de TV sobre banda larga (IPTV, na sigla em inglês), que hoje está restrito a Brasília.

Para isso, a operadora está em campanha pela aprovação do projeto de lei número 29, que está em análise na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados e enfrenta a resistência de alguns setores. O texto derruba as barreiras que atualmente dificultam a atuação das teles na distribuição de vídeos.

A tecnologia está madura para ser expandida. No momento em que tivermos uma sinalização positiva do PL 29, o objetivo é entrar em 21 localidades”, disse o vice-presidente de operações da BrT, numa apresentação feita ontem, em Brasília, pelos principais executivos da operadora a investidores. A conferência foi disponibilizada pela BrT em sua página na internet.

A defesa do PL 29 foi feita em vários momentos, o que se explica pela experiência que a Brasil Telecom teve com IPTV até agora. O serviço de vídeo sob demanda que a operadora mantém na capital federal tem apenas 200 clientes. O produto foi lançado comercialmente em setembro passado e agora conta com cem assinantes a menos do que tinha em sua fase de testes. “Só com o vídeo sob demanda, a coisa não decola, não tem atratividade comercial”, reconheceu Santiago.

“TV e banda larga são os carros-chefe. São esses serviços que vão trazer junto o cliente de voz”, observou o vice-presidente de planejamento estratégico, Luiz Francisco Perrone. Para ele, a atual proibição à atuação das teles na TV paga é “entulho regulatório” remanescente dos tempos de telefonia estatal.

O presidente da BrT, Ricardo Knoepfelmacher, afirmou que a companhia tem um plano B, caso a arrastada tramitação do PL 29 emperre definitivamente. “Caso o projeto não vá para a frente, como nós gostaríamos, com certeza acharemos outras alternativas”, destacou o executivo, qualificando como “extremamente importante” para a companhia entrar na distribuição de vídeos.

Fazer aquisições pode ser uma dessas alternativas. Knoepfelmacher afirmou que a BrT tem cerca de 30 projetos em análise, em diversas áreas. Alguns estão em fase de diligência, segundo o executivo, sem revelar quais são as empresas na mira da operadora.

Na apresentação a analistas e investidores, a diretoria da BrT não pronunciou uma só palavra a respeito das negociações entre seus controladores e os acionistas da Oi. Os executivos procuraram transmitir um ar de normalidade à rotina da empresa - embora o negócio deva ser fechado nas próximas semanas.

A Brasil Telecom apresentou estimativas financeiras e operacionais para este ano. Os números ficaram em linha com as estimativas feitas por analistas. Os investimentos programados chegam a R$ 2,2 bilhões, 57,3%. O pagamento à vista das licenças para atuar na terceira geração da telefonia móvel (3G) consumirá R$ 500 milhões, o que explica uma parte do aumento. O restante será destinado à construção e manutenção da rede e ao cumprimento de metas e novas regras, como a portabilidade numérica.