AULA 6

By jccavalcanti

Bens e Serviços

Em Economia é comum se dizer que o produto econômico é dividido em bens físicos e serviços intangíveis.  Esta é uma visão bastante simplificada dos fatos, já que não dá conta de uma série de características que são intrínsecas aos bens, e outras que lhe são incorporadas, levando à possibilidade de também existirem bens intangíveis, ou imateriais.

Neste sentido, faço sempre uma ampla discussão sobre a natureza dos bens e sobre a natureza dos serviços. Se fosse possível falar mais sobre estes últimos, eu teria uma grata satisfação, mas pela ementa sou forçado a tratar ambos.  Sendo assim, costumo perguntar aos estudantes quais são as principais características que contribuem para a diferença entre bens e serviços.

Enquanto “queimam” seus neurônios, vou estabelecendo de imediato alguns diferenças básicas:

BEM => é um objeto      SERVIÇO => é um desempenho

BEM => é acumulável    SERVIÇO => é não-acumulável

Caraterísticas dos Bens:

-Tangibilidade: algo que se pode tocar, sentir; em contraposição, temos a Intangibilidade (reputação e credibilidade, por exemplo, são bens que têm grande valor nos dias de hoje, fundamentalmente em políticas monetárias);

-Fungibilidade: algo que se consome após o uso;

-Perecibilidade: algo que está sujeito a deteriorar-se, a extinguir-se;

-Durabilidade: bens que têm longa duração (construções civis);

-Divisibilidade: existem bens que são divisíveis e outros não (uma ponte, uma iluminação pública);

-Complementaridade: bens que se complementam (harware e software);

-Substitutabilidade: bens que são substitutos entre si (caneta e lápis; transporte aéreo o u terrestre);

-Reusabilidade: bens que podem ser reusados (software);

-Compatibilidade: bens que para serem usados necessitam ter funcionalidade de desempenho compatível com outros;

-Apropriabilidade: bens que podem ser apropriados ou não.

Além destas características, existe um elenco de bens que têm uma natureza especial, tais como:

-Bens Culturais (como visto na AULA 5, existe uma série de formas em que os bens culturais se manifestam, tais como a aqueles que são incorporados ao ser humano, como educação doméstica ou escolar, os títulos acadêmicos adquiridos ao longo de uma vida, ou aqueles em forma substantiva, como obras de arte, ou mesmo em monumentos históricos);

-Bens Simbólicos (a bandeira de um país, seu hino, suas tradições);

-Bens de Informação (tudo aquilo que pode ser transformado em bits, como visto na AULA 2);

-Bens de Experiência (ver quadro abaixo);

-Bens em Rede (ver discussão à frente);

-Bens Públicos e Bens Privados: neste exemplo de bens costumo demorar um pouco mais, e para dar mais profundidade, coloco uma matriz representativa dos conceitos que definem se um bem é público ou privado.  Este conceitos são a RIVALIDADE e a EXCLUSÃO.  Um bem é privado se ele é rival (rivaliza no seu consumo) e se ele é excludente (quando é consumido priva outra pessoa do seu acesso ao consumo). Um bem é público se ele é não-rival e não-excludente (o exemplo mais comum é o do ar que respiramos). 

A matriz citada é a seguinte:

matriz.jpg

O exemplo do refrigerante é típico de um bem tanto rival quanto excludente. É rival porque se alguém tomar este refrigerante, ninguém mais pode tomá-lo no mesmo momento. Ele é excludente porque o dono do refrigerante pode nos rivar de consumi-lo, a não ser que se pague por ele. O caso do Peixe no mar; nele os peixes são rivais porque se alguém pesca um peixe, ninguém mais pode pescá-lo. O peixe é não-excludente porque é virtualmente impossível privar as pessoas de irem ao mar para pescar.

Os bens rivais e não-excludentes são famosos. Eles são bens sujeitos à “Tragédia dos Comuns”. Este nome vem das cidades medievais: a terra que circundava as cidades era “terra comum” para pastagem, o que significava que a vaca de qualquer um podia ir e pastar naquela terra. O capim que a vaca de uma pessoa comia não podia ser comido pelas outras vacas – ou seja, era rival. Ainda, a lei da terra permitia a vaca de qualquer um pastor, de modo que o capim era não-excludente. O resultado foi, é claro, que a cidade superexplorou a terra e todo mundo acabou sem capim, o que constituiu uma tragédia.

O Sinal de TV a Cabo é não rival no sentido de que muitas pessoas podem assisti-lo simultaneamente. No entanto, é excludente porque os proprietários podem nos privar de assistir se nós não pagarmos uma taxa mensal. Quanto ao Teorema de Pitágoras (conhecimento básico), muitas pessoas podem usá-lo e, ao mesmo tempo, é também uma parcela de conhecimento não-rival. Esta fórmula é também não-excludente desde que é impossível para alguém privar o seu uso.  O conhecimento ainda não tornado público (ou que ainda não tenha se tornado de domínio público) é um bem privado.

Software se enquadra na categoria de bens tecnológicos que são não-rivais e parcialmente excludentes. Muitas pessoas podem usar o Word da Microsoft simultaneamente, de modo que os códigos que tornaram este programa popular são claramente não-rivais. Em princípio as pessoas não podem usar este programa sem que elas paguem uma taxa à Microsoft. Na prática, as pessoas instalam o programa que um amigo ou parente compraram, e é muito difícil privar isto de acontecer. Ou seja, ele não é totalmente excludente. Por isto está na linha intermediária. Deve-se, finalmente, apontar que se um bem é mais ou menos excludente depende não somente de sua natureza física, mas também do sistema legal.

Uma vez que a diferença conceitual entre um bem público e um bem privado está estabelecida, pergunto: afinal, a educação superior é um bem público ou um bem privado?

Para uma aprofundamento no tratamento dos bens em rede, avanço aqui alguns linhas de algo que tenho escrito para alguns documentos de minha autoria.

Bens em Rede

Os mercados que incluem bens e serviços tais como telefones, e-mail, Internet, hardware de computadores, software de computadores (e de celulares, palms, PDAs-personal digital assistants), tocadores de música, vídeo players, vídeo movies, serviços bancários, serviços de aerolinhas, serviços legais, e muitos mais, são denominados de bens e serviços em rede.

As principais características destes mercados, que os distinguem dos mercados de bens agrícolas, de bens divisíveis da indústria (como bebidas, carros, etc.) e de títulos do Tesouro Nacional são: Complementaridade, compatibilidade e padrões, Externalidades de consumo; Custos de mudança e aprisionamento; e, Significativas economias de escala na produção (veremos estas propriedades ao longo do curso).

Bens de Experiência

Esta é uma denominação que vem sendo dada a alguns bens, principalmente depois do sucesso do livro The Experience Economy. Abaixo segue uma tabela extraída deste livro.

distincoes-economicas.jpg

Características dos Serviços:

Para um tratamento sobre as características dos Serviços, recomendo uma consulta ao livro “Economia de Serviços: Teoria e Evolução no Brasil”, da Professora Anita Kon, lançado pela editora Campus, em 2004. 

 Exemplos de bens e serviços modernos:

midia1.jpg      midia2.jpg

midia4.jpg      midia5.jpg

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Uma resposta para “AULA 6”

  1. Nídia de Paula Disse:

    Professor, tínhamos q vir aqui deixar registrado o “SHOW” que foi a aula de hoje, nós, q estamos assistindo suas aulas estamos muito satisfeitas com seu modo de explicar e exemplificar a ECONOMIA , de forma que conseguimos assimilar da melhor maneira. Parabéns pelo seu jeito sério e ao mesmo tempo descontraído de ensinar, estamos encantadas com as aulas.

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