Ao colocar no ar o post sobre Desigualdade Social nos EUA, lembrei-me de algo que ocorreu na minha aula de Introdução à Economia, ontem à noite, para alunos do Curso de Engenharia Química da UFPE.
Eu estava apontando os seguintes números (retirados de um artigo do prêmio Nobel de Economia de 1995, Prof. Robert Lucas). De 1960 a 2000 a população mundial cresceu de uns 3 bilhões para 6,1 bilhões, ou seja, a uma taxa anual de 1,7%. No mesmo período a produção mundial cresceu mais que a população, de US$ 6,5 trilhões em 1960, para US$ 31 trilhões em 2000. Ou seja, a produção mundial foi quase multiplicada por 5 ao longo de um período de 40 anos, crescendo a uma taxa de 4% a.a.
A produção per capita – renda real, que é a produção dividida pela população- então cresceu a uma taxa de 2,3% a.a., o que quer dizer que o padrão de vida do cidadão global médio mais que dobrou….. A raça humana total está ficando mais rica a taxas históricas sem precedentes. Crescimento econômico não é a exceção no mundo de hoje: é a regra.
Logo que terminei de apresentar estes números, uma estudante levantou o braço de disse: “mas Professor, eu não estou conseguindo entender estes números, já que eu só vejo pobreza!”
Na realidade esta é uma confusão muito grande entre as pessoas: trocar pobreza por desigualdade. Depois constatei que ela queria mesmo é destacar a desigualdade.
De qualquer forma, o que o post da Desigualdade nos EUA mostra é que o país mais rico do mundo está ficando mais desigual, e não mais pobre!
E para trazer ao leitor dados sobre o que vem acontecendo sobre a pobreza mundial (e a desigualdade social no mundo), e que corrobora os números acima do Prof. Lucas, basta apontar uma recente trabalho de outro economista, o Prof. Xavier Sala-i-Martim. No resumo deste trabalho ele aponta:
“We estimate the World Distribution of Income by integrating individual income distributions for 138 countries between 1970 and 2000. Country distributions are constructed by combining national accounts GDP per capita to anchor the mean with survey data to pin down the dispersion. Poverty rates and head counts are reported for four specific poverty lines. Rates in 2000 were between one-third and one-half of what they were in 1970 for all four lines. There were between 250 and 500 million fewer poor in 2000 than in 1970. We estimate eight indexes of income inequality implied by our world distribution of income. All of them show reductions in global inequality during the 1980s and 1990s.”
Em resumo, a guerra contra a pobreza está sendo vencida. Para maiores detalhes deste trabalho seminal do Prof. Sala-i-Martim, acesse o site do Quarterly Journal of Economics aqui! Este artigo é gratuito!