Jornalistas comentam argumento deste escriba!

By jccavalcanti

05/06/2007

BLOG da FOLHA – Por César Rocha
Com Natália Kozmhinsky -
www.blogdafolha.com.br

Oposição sem pauta

Era início de outubro de 2004. O deputado federal Carlos Eduardo Cadoca (PMDB) perderia ali a eleição para o prefeito do Recife, João Paulo (PT), candidato a um novo mandato. Cadoca bateu pesado, durante aquela disputa, na construção de Brasília Formosa, a avenida que marca a urbanização da área de palafitas de Brasília Teimosa. E a dona-de-casa Carmem Moura, 20 anos morando no lugar, sintetizava a explicação para o fato de a oposição ao prefeito ter escolhido mal, muito mal, um dos seus motes de campanha: “Criticam muito João Paulo por ter construído a pista, mas se ele não tivesse feito isso, as pessoas iam voltar a morar quase dentro da maré”.

Passados três anos e meio, uma parcela da oposição ao petista entendeu bem aquele recado. Outra, ainda não. Embarcou agora no mesmo navio à deriva. Bate duro na construção do Parque Dona Lindu, apostando suas fichas na tese de que isso poderá desgastar João Paulo e, por conseqüência, o candidato dele a prefeito, ano que vem. E a história começa a se repetir. Na melhor das hipóteses, Raul Jungmann (PPS), Pedro Eurico (PSDB) e Priscila Krause (DEM) verão que essa bandeira ajudará muito pouco em seus projetos políticos.

Os setores mais significativos da oposição simplesmente ignoraram até agora essa pauta. Ou passaram quase que desapercebidos por ela. É o caso, para começo de história, do próprio Cadoca. Alguém o viu comentando alguma coisa sobre o Dona Lindu? E Mendonça Filho, presidente estadual e principal aposta do Democratas para prefeito do Recife? Mendonça falou coisas apenas pontuais sobre o parque. Você lembra o que ele disse? E Raul Henry, o candidato de Jarbas Vasconcelos no PMDB? Nem sonhe em imaginar que ele não acompanha essa questão. Está de olho, sim, mas de longe.
Um experiente líder – ele viu de perto a derrota de Cadoca – disse-me por que a distância desse assunto: 1) o que a população quer de um prefeito é que ele faça e João Paulo tem dinheiro e projeto para o parque; 2) a não ser que contivesse erros muito graves, não há por que questionar o projeto; 3) quem está contra o parque é uma parcela da população, mas não tão importante ao ponto de inviabilizá-lo. A agenda contra o prefeito, portanto, precisa ser outra. Essa só conta a favor.

Crescimento – O debate mais consistente surgido até agora sobre o Recife, e que deveria pautar os pré-candidatos a prefeito, vem sendo estimulado no Blog da Folha em artigos do economista José Carlos Cavalcanti. A cidade tem perdido nos últimos anos o peso que possuia na economia de Pernambuco graças ao crescimento de municípios como o Cabo e Ipojuca. Ele aprofunda o assunto em um novo texto, que estará no blog a partir das 9h.

Turbinado – Com a oposição errante, sem pauta, João Paulo (PT) segue montado em um orçamento monumental para novos investimentos. Só em publicidade dispõe do equivalente ao que o Estado aplica anualmente: R$ 50 milhões. Dá para fazer várias e várias campanhas como esta de R$ 1 milhão, com Alceu Valença, para explicar o Dona Lindu. Ou dos R$ 3 milhões para financiar o desfile da Mangueira, no Rio de Janeiro, no Carnaval da eleição.

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