Mídia e Democracia Deliberativa (8)

By jccavalcanti

“The gazillion-dollar question” (o termo gazillion não existe, mas foi escolhido para representar algo mais que million, billion, trillion, quadrillion, quintillion, sextillion, septillion, octillion, novillion, decillion, este último sendo da ordem de 1.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000)

Logo, o que é uma companhia de mídia ? Eis aí a pergunta de tanto valor que este sétimo capítulo da pesquisa Nova Mídia de The Economist se pergunta. Por suas primeiras poucas décadas na indústria da mídia – na CBS, daí Walt Disney, daí Warner Brothers, onde ele foi presidente e co-chefe executivo – Terry Semel sentiu de perto o que as companhias de mídia eram. Ele as estava gerenciando, depois de tudo. Aí, em 2001, ele deixou Hollywood e foi para o Vale do Silício para ser o novo chefe do Yahoo!, o maior portal da Internet no mundo. Um auto-reconhecido tecnófobo que mal sabia como usar seu e-mail, o Sr. Semel de repente se achou em encontros com turmas de 23 anos de idade. Ele já tinha a ambição de tornar o Yahoo! Num arquétipo de uma “companhia de mídia do século 21″, mas, de repente, ele não estava tão certo do que isto significava.

O Sr. Semel passou os últimos cinco anos se educando, aconselhando-se com conselheiros como suas próprias filhas, de 24, 19 e 13 anos. A primeira faz muita coisa na Internet, a segunda faz tudo na Internet, e a terceira “vive na Internet” e tem tantos aparelhos quanto o Sr. Semel, que tem um sotaque novayorquino e um tipo de humor que o acompanha, que fica pensando se esta última está comercializando. Elas o ajudaram a entender algumas coisas.

A Internet “é uma mudança muito maior do que a chegada da televisão” no século 20, diz o Sr. Semel. No passado, “alguém decidia que as notícias iriam sair às 11:00 hs da noite; as pessoas, como minha mulher, nunca assistiam as notícias, porque ela nunca ficou até tão tarde. Todos nós crescemos quando alguém era o programador”. Esta é a mudança número 1. Para o Sr. Semel isto significava que Yahoo! Deveria fazer mais do que prover tecnologia. “Nós decidimos abrir o Yahoo!, de modo que qualquer pessoa usando (suas páginas personalizadas) MyYahoo! pudessem instantaneamente ir para qualquer lugar que elas desejassem ir, “mesmo que isto levasse para as páginas web dos rivais. Esta credibilidade, pensa ele, manterá os usuários voltando para um mais “aprofundado engajamento”. À medida que mais pessoas gastassem mais tempo nas páginas Yahoo! – com notícias, blogs, e-mail, grupos de chats, sites de música e fotos, e por aí vai – seja como seu destino final, ou como parada de uma jornada, Yahoo! poderia colocar mais e melhor propaganda na frente delas.

A mudança número 2, diz o Sr. Semel, é que – ao contrário da televisão, diz – “você não precisa de hits”. Muitas pequenas audiências são tão boas para os propagandistas quanto poucas grandes audiências, e certamente pode ser melhor. Isto tem grande implicação para o conteúdo, tornando-a em um longo continuum – do profissional ao amador, do blockbuster ao nicho de sub-cultura. Chris Anderson da revista Wired chama esta distribuição estatística esticada de “the long tail” (a cauda longa). No seu livro com o mesmo título, o Sr. Anderson argumenta que a economia da velha mídia, que é viesada em direção aos hits do topo desta distribuição, está sendo trocada pela economia da nova mídia, que permite a criação e o consumo ao longo da inteireza de uma cauda longa de conteúdo.

Yahoo!, diz o Sr. Semel, irá, portanto, estar feliz por mixar o conteúdo profissional e o conteúdo gerado pelo usuário, não importando quão pequeno for a sua potencial audiência, em suas páginas. A direção geral, no entanto, é em direção para as coisas geradas pelos usuários.

Onde isso leva ? “Vai parecer mais mais e mais como uma bolsa de valores”, diz o Sr. Semel. Uma troca, que é, de usuários que “oferecem” (criam) e “fazem lances” de conteúdo (busca, navegação, compartilhamento, prazer). E uma bolsa para propagandistas, que fazem lances uns contra os outros para ter seus links (conexões) patrocinados colocados em frente destes usuários.

O restante do capítulo lida com uma discussão de natureza semântica sobre o que, afinal, é uma companhia de mídia, já que novas empresas, especialmente como o Google, que já se tornou a mais valiosa companhia de mídia do mundo, estão dominando a nova cena midiática global.

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