Mídia e Democracia Deliberativa (6)

By jccavalcanti

Heard on the street” (Ouviu na rua)

O quinto capítulo da pesquisa Nova Mídia de The Economist tem o seguinte sub-título: “Podcasting vai mudar o rádio, e não matá-lo”.  As palavras blog e wiki já constavam dos dicionários em 2004 quando Adam Curry, um ex apresentador da MTV, usou sua celebridade e as características tecnológicas de blogging para popularizar uma nova grande coisa: “podcasting” (que deu a ele um nome apelido, o “pai do pod”).

O “pod” vem do produto Ipod da Apple, um tocador de música móvel da moda, e que foi um toque de sorte do marketing da Apple, que não tinha nada inicialmente a ver com podcasting.  O “casting” vem de broadcasting, que significa enviar um sinal de rádio para uma população inteira em uma área geográfica particular numa hora particular.   Um tanto quanto confuso, já que broadcasting é o oposto de podcasting.

Ele funciona da seguinte maneira.  Um podcaster grava alguma coisa -qualquer coisa desde música até divagações filosóficas, notícias profissionais ou qualquer barulho- num computador com a ajuda de um microfone, a aí envia (posts) este arquivo de áudio para a Internet.  Lá, as pessoas podem ouvir o tal arquivo e, mais importante, subscrever para um “feed”  (alimentador digital) do mesmo podcaster, de modo que todos os novos arquivos de áudio daquela fonte seja automaticamente puxado tão rápido quanto ele apareça (ou seja publicado).  A qualquer momento que os ouvintes de seus Ipods ou outros tocadores de música sejam carregados, os feeds que chegaram nos computadores são transferidos para os aparelhos móveis.  As pessoas podem ouvir nos seus carros, enquanto estão praticando algum exercício (jogging), ou em qualquer lugar ou hora de sua conveniência.

O crescimento do podcasting tem sido surpreendente.  O próprio podcast do Sr. Curry, o Daily Source Code, tem vários milhões de ouvintes.  O iTunes da Apple, a aplicação de software e de música on-line que faz os iPods operarem, no presente momento (2006) lista 20.000 podcasts gratuítos e está adicionando mais a uma rápida velocidade, tudo isso antes do segundo ano do aniversário do podcasting.  Podcasting está se expandindo de áudio até vídeo, e esta tendência é tão nova que várias palavras (vodcasting, vidcasting, vlogging) estão ainda disputando pela honra.

Para os leitores o apelo é triplo.  Primeiro, eles se tornam seus próprios programadores, misturando música e alimentadores de conversas que eles gostam.  Isto libera os comutadores das estações comerciais de rádio, que nos EUA em especial, parecem somente estar silenciosas e estupefadas.  Segundo, os podcasts liberam os ouvintes da propaganda, e então colocam um fim no tedioso e perigoso dedilhado dos botões pré-setados do rádio do carro a 100 km por hora (no entanto, alguns podcasters estão experimentando colocar propaganda nos seus podcasts).  Acima de tudo, a mudança de tempo que os podcasts tornam possível libera as pessoas de terem que sentar em seus assentos nos seus estacionamentos de carros para ouvir o fim de um bom programa.

Rádio falido

O podcast, portanto, reflete o fim do rádio ?  “Eu não compro isso; o que nós realmente estamos vendo é uma grande mistura de coisas”, diz o Sr. Curry, o pai do podcast.  O podcasting, o rádio terrestre e um novo recém-chegado, o rádio-satélite (paid-for, ou seja, basicamente pago pela propaganda), estão todos cavando seus nichos nas vidas das pessoas populando as mídias.  O fator limitante do podcasting, diz o Sr. Curry, é que ele é “assíncrono” (isto é, não é ao vivo).  “Se eles acharem Osama bin Laden, não corra para o seu iPod”, diz ele.  Furos de notícias, chamadas para shows (e outras formas de mídia particpativa) e outros programas ao vivo ainda irão funcionar no rádio terrestre.

      

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