Mídia e Democracia Deliberativa (2)

By jccavalcanti

“A era da mídia de massa está dando lugar a uma mídia pessoal e participativa, diz Andreas Kluth. Isto vai mudar profundamente ambas indústria e sociedade como um todo”.

Esta é a mensagem que sublinha o título do primeiro capítulo da pesquisa sobre Nova Mídia (que se intitula “Among the audience”- “Entre a audiência”) que a revista The Economist publicou em abril de 2006.

O capítulo inicia com uma referência a duas tecnologias temporalmente determinadas: a “movable type” (a impressão móvel), de Johannes Gutenberg, de 1448, e uma segunda movable type (uma ferramenta de produção de blogs) criada por um casal de professores de escola do ensino médio dos EUA por volta de 2001.

As duas encarnações de impressão móvel encapsulam a era da mídia de massa que é familiar a todo mundo hoje. Mas a segunda, na opinião da pesquisa, marca uma gradual transição para uma nova era, que pode ser chamada de “idade da mídia pessoal e participativa”. E esta cultura já é familiar para adolescentes e “vinte-e-mais-anos”, especialmente nos países ricos.

Chamar esta era de Internet não ajuda. Ao contrário de muitas corporações que ofertaram infraestrutura assumindo que a Internet fosse simplesmente ser um outro tubo de distribuição para eles e seus parceiros na indústria da mídia, hoje elas raramente aceitam um cenário em que os usuários coloquem tanto na rede quanto retiram.

E é exatamente isso que está começando a acontecer. Em novembro de 2005 o Projeto Pew Internet & American Life constatou que 57% dos adolescentes americanos criaram conteúdo para a Internet. Nesta nova cultura midiática, diz Paul Saffo, um diretor do Institute for the Future, da Califórnia, as pessoas não mais “consomem” mídia passivamente (e daí propaganda, sua principal fonte de recursos), mas ativamente participam dela, que usualmente significa criar conteúdo em qualquer forma e em qualquer escala. Isto não quer dizer que as pessoas fazem seus “próprios jornais”.

Isto tem profundas implicações para os modelos tradicionais da indústria da mídia, os quais são baseados na agregação de grandes audiências passivas e mantendo elas cativas durante as interrupções de propagandas. Na era da nova mídia as audiências irão ocasionalmente ser grandes, mas frequentemente pequenas, e usualmente muito pequenas.

Ao invés de grandes -ricos em capital- gigantes da mídia competindo uns com os outros por estas audiências, serão pequenas empresas e indivíduos competindo, ou mais frequentemente, colaborando. Alguns vão ganhar dinheiro com o conteúdo que eles criam; outros não vão e não irão se incomodar porque eles têm outros motivos. “Pessoas criando coisas para construir sua própria reputação!

Tal como a revolução da mídia de 1448, com a mídia participativa as fronteiras entre audiências e criadores se tornam tênues e frequentemente invisíveis. Nas palavras de David Sifry, fundador de Technorati, um engenho de busca para blogs, aulas do tipo uma-para-muitos (i.e, de empresas de mídia para suas audiências) são transformadas em “conversações” entre as pessoas anteriormente conhecidas como a audiência. Isto muda o tom das discussões públicas.

O que é novo neste novo contexto é que os jovens, e a maioria das pessoas no futuro, ficarão felizes em decidir por eles mesmos o que é crível ou de valor e o que não é. E eles vão ter muita ajuda. Algumas vezes eles vão se valer de editores humanos de suas escolhas; em outros momentos eles vão se apoiar em inteligência coletiva na forma de novos filtros de tecnologias de colabroação que estão sendo agora desenvolvidas. “O velho modelo de mídia era: há uma fonte de verdade. O novo modelo de mídia é: há múltiplas fontes de verdade, e nós vamos escolher”, diz Joe Kraus, o fundador de JotSpot, que faz software para wikis.

Esta pesquisa de The Economist tem como objetivo examinar as principais categorias de novas mídias e seus prováveis efeitos de longo-prazo em ambas empresas de mídia e sociedade como um todo.

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