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Modelos de Crescimento Econômico (6)

dezembro 20, 2006

Aghion novo2 

A maioria das teorias de distribuição da renda per capita entre os países sugere que todos os países compartilham da mesma taxa de crescimento econômico de longo-prazo.  No entanto, os registros históricos apontam que as taxas de crescimento podem diferir substantivamente entre os países por longos períodos de tempo.  Estimativas apontam que o hiato do PIB per capita entre países ricos e pobres cresceu mais de 5 vezes entre 1870 e 1990.

A “grande divergência”  entre países ricos e pobres continuou através do fim do século 20. Apesar de muitos estudos mostrarem que um grande grupo de países ricos e de renda-média está convergindo para caminhos paralelos ao longo dos últimos 50 anos ou mais, o hiato entre estes países como um todo e os países muito pobres como um todo, tem continuado a se ampliar.

A Tecnologia parece ser o fator central por trás desta divergência.  Esta divergência parece refletir as diferenças duradouras nas taxas de progresso tecnológico entre os países examinados.   Isso toma uma caraterística inquietante quando se considera a possibilidade de transferência internacional de tecnologia e as “vantagens dos retardatários” que ela confere aos “tecnologicamente atrasados”.

Em outras palavras, quanto mais um país fica atrás dos líderes mundiais de tecnologia, mais fácil fica para aquele país progredir tecnologicamente simplesmente por implementar novas tecnologias que já foram descobertas em outros lugares.  Eventualmente esta vantagem deveria ser suficiente para estabilizar o hiato proporcional que o separa dos líderes. 

Isto é o que acontece nos modelos neoclássicos (modelos exógenos, aqui já apontados) que assumem que a transferência de tecnologia é instantânea, e mesmo em modelos onde as tecnologias desenvolvidas na fronteira não são ”apropriadas” para países mais pobres, em modelos onde a transferência de tecnologia pode ser bloqueada por interesses especiais, e em modelos onde um país adota instituições que impedem a tranferência de tecnologia.

O texto aqui examinado (“The Effect of Financial Development on Convergence: Theory and Evidence“, de Philippe Aghion, Peter Howitt, e David Mayer-Foulkes”), e que deu margem ao sexto esquema visual, explora a hipótese de que restrições financeiras previnem países pobres de obterem vantagens integrais da transferência de tecnologia, e que isto é o que causa alguns deles divergirem da taxa de crescimento da fronteira mundial.   Ele introduz as restrições de crédito em uma versão multi-países de uma Teoria de Crescimento Schumpeteriano com transferência de tecnologia, e mostra que este modelo implica numa forma de “clube de convergência” consistente com amplos fatos acima apontados. 

Ou seja, em teoria países acima de algum limite de patamar de desenvolvimento financeiro irão todos convergir para a mesma taxa de crescimento econômico de longo-prazo (mas não geralmente para o mesmo nível de PIB per capita), e aqueles abaixo deste limite terão taxas estritamente mais baixas de crescimento de longo-prazo.

Neste modelo existem três componentes importantes.  Primeiro, ele começa com o reconhecimento que a transferência de tecnologia é custosa.  Segundo, assume que como a fronteira tecnológica global avança, o tamanho do investimento requerido somente para manter a inovação no mesmo passo que antes, cresce em proporção.  E terceiro, existe um problema de “agência” (em Economia isso está ligado a uma questão de informação assimétrica, entre aquele interessado em uma ação econômica, o Principal, e aquele que a implementa, o Agente) que limita o acesso de um inovador à finanças externas.

O esquema visual idealizado introduz um enxerto (extraído de outro texto de Howitt aqui tratado), já que exatamente neste ponto se percebe a conexão de argumentos que os autores fazem nos os dois trabalhos, ao tratarem da questão da superação de deterninados níveis de habilidades das pessoas nos paíeses em análise.

Este é um texto de extraordinária elegância e mostra como os autores foram inovadores ao associarem a Economia Real à Economia Financeira (Monetária) através da Tecnologia.  Imperdível !


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