Modelos de Crescimento Econômico (1)

parente.jpg (clicar 1 vez e outra no quadro de setas que surgir)

Já comentei aqui que muito se tem falado recentemente sobre crescimento econômico: pudera, o Brasil tem tido um crescimento pífio, quando comparado às demais economias, principalmente as chamadas “emergentes”.

Mas afinal: isso tudo que se fala e escreve é baseado em que ?  quais são as teorias que embasam tais “opiniões” ?  Na verdade os economistas mais cuidadosos partem de modelos econômicos existentes, ou em processo de corroboração e/ou validação.  Modelos são representações da realidade. E como a realidade econômica está se tornando cada vez mais complexa, quanto mais podermos representá-la de modo simples, mais se conquista em entendimento, e daí, em êxito, no paradigma de racionalidade dupla de Habermas.

Tendo isso em mente, parti há alguns anos para a tentativa de tornar mais simples para o cidadão comum, aquilo que os modeladores/teóricos da economia produzem (principalmente aqueles de origem anglo-saxã).  O objetivo mais imediato foi o de “traduzir” estes modelos para estudantes de Economia, e não somente aqueles que deverão se tornar profissionais da Economia, mas também aqueles estudantes do Direito, da Pedagogia, da Engenharia, da Computação, enfim, estudantes de Introdução à Economia.

A idéia foi a produção de “esquemas visuais” que pudessem contribuir para a detecção, de modo rápido e simples, da linha de raciocínio de alguns economistas, marcadamente aqueles que estão preocupados com um tema muito caro aos economistas contemporâneos: o crescimento econômico.  Esta temática tem ocupado grande parcela dos economistas mundiais, principalmente pelo fato de que eles estão cada vez mais preocupados com a questão do impacto da ciência, da tecnologia, e da inovação nos processos econômicos.

Neste espírito, a produção dos tais “esquemas visuais” obedeceu a seguinte trajetória. Tudo começou com a leitura do texto “The Failure of Endogenous Growth- 2001 (“A Falha do Crescimento Endógeno”)”, do Prof. Stephen L. Parente, da University of Illinois at Urbana-Champaign, baixado pela Internet de sua página pessoalA Teoria do Crescimento Endógeno emergiu nos anos 80, fundamentalmente a partir dos trabalhos dos Professores Paul Romer e Robert Lucas, os quais apontaram questões que iam além da tradional Teoria do Crescimento Exógeno, popularmente conhecida desde o ano de 1958, quando foi publicado um  extraordinário trabalho do Professor Robert Solow (hoje conhecido como o Modelo de Solow), e que lhe valeu o prêmio Nobel de Economia de 1987.  

Com um título provocativo, o Prof. Parente constata que nos últimos 15 a 18 anos o estudo do crescimento econômico, mais que o dos ciclos dos negócios, dominou a macroeconomia.  Segundo ele, dois desenvolvimentos em particular explicam este fenômeno.  O primeiro foi o seminal trabalho de Paul Romer (1986) que lançou o campo do crescimento endógeno.  O segundo foi a construção de conjuntos de dados abrangentes sobre rendas internacionais utilizando preços ajustados pelo poder de paridade de compra, realizados por Robert Summers e Alan Heston (1991) e Angus Maddison (1995).  No relato destes conjuntos de dados, os economistas agora têm uma quase completa fotografia das diferenças em renda internacional e sua evolução ao longo do tempo.

Em seu artigo o Prof. Parente argumenta que a teoria do crescimento endógeno não é particularmente útil para o entendimento da evolução da distribuição mundial da renda, apesar da grande quantidade de esforço despendido.  Ao contrário, ele argumenta que a teoria do crescimento exógeno é mais útil para este propósito. Em resumo, a teoria neoclássica, apropriadamente modificada, descreve razoavelmente bem o padrão do desenvolvimento econômico, coisa que a teoria do crescimento econômico endógeno não faz.

Este texto do Prof. Parente foi planejado primeiramente de modo a apresentar as razões pelas quais a teoria do crescimento endógeno falha como uma teoria de desenvolvimento econômico, e, em segundo lugar, para explicitar as razões pelas quais o crescimento exógeno tem sucesso neste tento.  Para atingir o primeiro objetivo, ele divide os modelos de crescimento endógeno em dois tipos.  Os primeiros tipos são os modelos de competição imperfeita.  Uma característica comum destes modelos é que eles modelam explicitamente a pesquisa e o desenvolvimento (P&D) realizado pelas empresas maximizadoras de lucro.  Os segundos tipos são modelos de competição perfeita.  Uma característica comum a estes modelos é que as diferenças em políticas ou preferências se traduzem em permanentes diferenças taxas de crescimento.  Isto está em contraste com os modelos de crescimento exógeno, onde diferenças em políticas ou preferências se traduzem em permanentes diferenças em níveis de renda, mas não em taxas de crescimento.  Para atingir o segundo objetivo, ele apresenta evidências da evolução das diferenças internacionais de renda, para, em seguida, testar a teoria do crescimento endógeno.

Com apenas estes aspectos introdutórios, e buscando perceber quais seriam os pontos mais marcantes de cada um dos argumentos encadeados pelo Prof. Parente, o primeiro “esquema-tradutor” (Figura 1 acima)  foi descrito de forma visual, de modo que, com apenas um primeiro contacto visual, o leitor (por menos informado que esteja) possa de imediato inferir as diferenças em cada um dos modelos apresentados.  De posse destas ferramentas, o leitor pode avançar no texto do Prof. Parente, ou mesmo em outros textos correlatos, para ter uma compreensão mais aprofundada do tema em questão. 

 

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6 Respostas to “Modelos de Crescimento Econômico (1)”

  1. NCB Says:

    Olá

    Desde já fica aqui os parabéns pelo trabalho realizado. Só um reparo, foi em 1958 ou em 1956 a publicação do trabalho de Solow? Também não tenho a certeza mas acho que foi em 56….

  2. jccavalcanti Says:

    Caro (a) NCB,

    Não consegui obter o seu nome na sua página, nem no seu blog. Mesmo assim aqui vai meu agradecimento pelo comentário.
    Consultei o discurso de aceitação do Nobel pelo próprio Solow, e ele referencia seus papers de 1956 e 1957.
    Grato,
    JCC

  3. susana Says:

    ola,
    sou estudante de mestrado e tenho uma disciplina de economia, como sou da area de letras, nunca tal me aconteceu…. eu nao percebo nadinha dos modelos, mas gostaria muito de perceber até pq tenho intençoes de terminar o mestrado. em linhas gerais, consegue explicar-me o que dizem os modelos de solow, lucas e romer e como eles explicam ou influenciam a economia?

    parabens pelo trabalho

  4. jccavalcanti Says:

    Susana,

    Obrigado pela mensagem! Os modelos são uma das principais ferramentas dos economistas. Eles são uma representação da realidade, e, ao mesmo tempo, a forma como os economistas explicam o mundo. Existem muito bons livros em que você pode se aprofundar neste assunto do crescimento econômico. Eu indicaria o Introdução à Teoria do Crescimento Econômio, de Charles Jones- http://www.editoras.com/campus/20544.htm.
    Grato,
    JCC

  5. JAG Says:

    Prezado JCC,

    Tenho uma dúvida que me incomoda demais: os modelos de crescimento endógeno podem ser considerados neoclássicos?

    Onde posso conseguir um desenho resumindo, em uma linha cronológica, os modelos de crescimento e seus idealizadores. A figura do Prof. Parente, exposta no topo, é excelente, mas parece-me incompleto.

  6. Safariano Makhaza Says:

    A informaçao é importante mas eu gostaria de saber das contraversias de Paul Romer e Robert lucas no crescimento economico.

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